Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026
BUSCAS

Goiano tenta reencontrar 5 irmãos separados há mais de 30 anos: ‘Queremos respostas’

Sem fotos ou informações sobre os nomes adotivos, Lucas tenta reencontrar cinco irmãos e descobrir o que ocorreu após a separação da família

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
ucas Coelho de Moura, vendedor de Goiânia que busca reencontrar cinco irmãos separados na infância

O vendedor Lucas Coelho de Moura, de 34 anos, procura cinco irmãos que não vê desde a infância. Eles foram separados há mais de 30 anos, quando ainda eram crianças. Desde então, Lucas não conseguiu descobrir onde os irmãos foram parar.

A separação aconteceu quando Suely Coelho de Moura, mãe de Lucas e dos cinco irmãos, foi denunciada enquanto pedia dinheiro com os filhos na rodoviária de Rubiataba. As crianças foram retiradas da família e levadas para a Casa da Criança, em Goiânia. Suely foi encaminhada para uma clínica e, depois, os filhos foram adotados.

O pai de Lucas, Ery Divino de Moura, ainda tentou recuperar os filhos. Ele chegou a ir ao Juizado acompanhado dos pais e dos irmãos para tentar reverter a situação.

“Meu sogro foi com a mãe dele, o pai e os tios até o juizado para tentar pegar as crianças de volta”, conta Paloma Amancio, esposa de Lucas.

Duas certidões

Na tentativa de encontrar os irmãos, Lucas e a esposa começaram a procurar os registros de nascimento de cada um. Dos cinco, conseguiram localizar apenas duas certidões: a de Keine Coelho e a de Jeová Coelho de Moura.

Duas outras certidões, segundo a família, foram anuladas. São elas as de Daniela Coelho de Moura e Isabel Coelho de Moura. Paloma afirma que os familiares conseguiram identificar os anos em que os documentos foram anulados e também os nomes dos juízes responsáveis.

Certidão de nascimento de Jeová Coelho de Moura, um dos cinco irmãos que Lucas tenta reencontrar após mais de 30 anos (Foto: Arquivo pessoal)

O caso que mais chama a atenção da família é o de Daniel Coelho de Moura. Paloma afirma que ele foi registrado pelos pais, mas a família não conseguiu encontrar a certidão de nascimento dele.

“Meu esposo tem cinco irmãos. A gente foi puxar a certidão de cada um deles e conseguiu puxar só de dois. Duas foram anuladas e a do Daniel, que foi registrado pelos meus sogros, consta como se não existisse”, explica.

Certidão de nascimento de Keine Coelho, localizada pela família (Foto: Arquivo pessoal)

A família também recebeu uma informação de terceiros de que Keine, a irmã mais velha, estaria morando em Bolonha, na Itália. No entanto, Lucas não possui contato com ela e não sabe se a informação ainda é atual.

Além dos cinco irmãos, a família descobriu que Lucas teria ainda um irmão mais velho, chamado Wellington Carlos, que seria filho apenas de Suely. Os parentes, porém, não possuem outras informações sobre ele.

Busca por processos antigos

Na tentativa de entender o que aconteceu após a separação dos irmãos, Lucas e Paloma procuraram o Juizado da Infância. No local, foram informados de que o pai de Lucas poderia enviar um e-mail com um pedido assinado para tentar acessar os processos arquivados.

A família, no entanto, não conseguiu recuperar as certidões de nascimento que foram anuladas. Por isso, pretende buscar orientação jurídica para saber como ter acesso aos documentos e aos registros do caso.

“Nós queremos só conhecer eles e desvendar esse mistério, saber se houve alguma audiência antes da adoção”, afirma Paloma.

A busca também é dificultada pela rotina da família. Segundo Paloma, Lucas é responsável pelos cuidados do pai, o que torna mais difícil comparecer pessoalmente a diferentes órgãos para procurar os documentos.

“Já faz um tempo que eu e meu esposo tentamos procurar por eles, mas meu esposo cuida sozinho do meu sogro. Por isso é mais difícil para nós corrermos atrás das coisas”, conta.

Até o momento, a família não possui fotografias dos irmãos e nem possíveis nomes que eles possam ter recebido após as adoções. Por isso, Lucas e Paloma também passaram a divulgar a história nas redes sociais em busca de pessoas que possam ter informações.

Uma advogada e uma detetive chegaram a procurar a família para oferecer ajuda nas buscas. Paloma afirma que a mobilização aumentou depois das publicações.

“Quanto mais ajuda, melhor é para a gente. Depois que começou a postar nas redes sociais, a gente está tendo muitas pessoas querendo se mobilizar”, diz.

Agora, Lucas espera conseguir acesso aos documentos antigos e encontrar pistas que permitam localizar os irmãos. Mais do que obter respostas sobre os processos, ele afirma, por meio da esposa, que deseja ter a oportunidade de conhecê-los e reconstruir o vínculo familiar perdido na infância.

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