Jóquei de Goiânia recupera licença e prepara volta das corridas de cavalos em agosto
Ministério da Agricultura suspende cassação da carta-patente, e Jóquei Clube de Goiás estuda retomar corridas no Hipódromo da Lagoinha ainda em agosto.
Ir direto pra matéria
O Hipódromo da Lagoinha pode voltar a receber corridas de cavalos ainda em agosto. O Jóquei Clube de Goiás conseguiu suspender os efeitos da cassação da carta-patente, autorização federal necessária para realizar provas com exploração de apostas. A decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), publicada nesta quarta-feira (12), vale enquanto o órgão reavalia o processo administrativo que havia retirado a autorização em maio. A diretoria já estuda uma nova programação, mas ainda não definiu a data.
A medida representa uma nova reviravolta em um ano marcado pela tentativa de retomada do turfe em Goiânia. O hipódromo voltou a receber corridas com apostas em março, promoveu uma nova programação em maio e, poucos dias depois, teve a carta-patente cassada. Agora, a suspensão cautelar permite que o clube volte a planejar provas enquanto tenta concluir sua regularização.
“Com a decisão, o Jóquei volta a realizar as corridas de cavalos. Está em estudo a realização de um evento já para este mês de agosto”, afirma a presidente do Jóquei Clube de Goiás, Nívea de Paula. Segundo ela, a diretoria também seguirá atendendo às exigências apresentadas pelo Ministério durante a revisão do processo.
Retomada levou cerca de mil pessoas à Lagoinha
As corridas haviam retornado ao Hipódromo da Lagoinha em 28 de março. A programação reuniu público estimado entre 800 e mil pessoas e movimentou R$ 6,36 mil em apostas distribuídas em quatro páreos, conforme mostrou o Mais Goiás. A direção apontou o público como o maior registrado em uma corrida no local desde 1996.
A retomada havia sido anunciada como o início do calendário turfístico de 2026. Na ocasião, a entrada foi gratuita e as apostas começaram em R$ 5, depois da regularização de pendências relacionadas à carta-patente e às exigências técnicas do MAPA. O Mais Goiás também acompanhou a reabertura do hipódromo.
Em maio, uma nova etapa foi realizada no local, com quatro páreos em distâncias entre 1.100 e 1.400 metros. A programação também teve apostas a partir de R$ 5, arquibancada coberta e participação da Cavalaria da Polícia Militar de Goiás. A organização esperava receber cerca de mil pessoas no evento, segundo reportagem do Mais Goiás.
Carta-patente permite corridas com apostas
A carta-patente é o documento concedido pelo Ministério da Agricultura a entidades turfísticas para a realização de corridas de cavalos com exploração de apostas. Segundo a página oficial do MAPA sobre turfe, somente jóqueis-clubes com a autorização emitida pelo órgão federal podem captar apostas. O Ministério também é responsável pela fiscalização da viabilidade técnica e econômica das entidades.
Para obter e manter o documento, a entidade precisa atender a requisitos como infraestrutura, plano geral de apostas e comprovação de condições técnicas e econômicas. O serviço oficial de emissão da carta-patente detalha essas exigências. A atividade é disciplinada pela Lei nº 7.291, de 1984, e por regulamentação federal.
No caso do Jóquei de Goiás, a cassação foi determinada pelo MAPA em 15 de maio. A decisão teve como base relatórios produzidos após uma auditoria presencial realizada no Hipódromo da Lagoinha entre 25 e 28 de agosto de 2025. A fiscalização analisou a situação técnica, econômica, sanitária, zootécnica e regulatória da entidade.
Auditoria apontou problemas administrativos
Entre os problemas identificados estava a situação da diretoria que comandou o Jóquei Clube entre 2021 e 2025. Segundo o processo administrativo, a gestão daquele período não havia sido formalmente constituída. O CNPJ da entidade também aparecia como inapto no momento em que a auditoria foi realizada.
Essas pendências foram usadas para fundamentar a cassação da carta-patente em maio. A nova diretoria, porém, argumentou que parte do cenário encontrado pelos auditores em 2025 já havia mudado quando a penalidade foi aplicada. O pedido de revisão administrativa foi apresentado ao Ministério cinco dias depois da cassação.
Nova diretoria regularizou CNPJ
Nívea de Paula assumiu a presidência do Jóquei Clube em janeiro de 2026. Segundo o pedido de revisão, a nova gestão encaminhou ao MAPA em 17 de março a documentação das eleições e da posse dos dirigentes. O material teria sido recebido e incluído no processo administrativo em 23 de março.
Outra mudança ocorreu no fim do mesmo mês. De acordo com a documentação apresentada pela entidade, a situação do CNPJ foi regularizada em 31 de março. Esses elementos passaram a fazer parte dos argumentos utilizados pela atual administração para pedir uma nova análise da cassação.
Ministério vai reavaliar o processo
A decisão publicada nesta semana concede efeito suspensivo cautelar à cassação. Na prática, a penalidade deixa temporariamente de produzir efeitos enquanto o Ministério analisa novamente os argumentos e documentos apresentados pelo Jóquei. O próprio procedimento de auditoria que deu origem à cassação também será reavaliado.
Isso não significa que a discussão esteja encerrada. A situação definitiva da carta-patente ainda depende da conclusão do processo administrativo no MAPA. Nívea afirma que a diretoria pretende usar esse período para avançar na regularização das pendências que permanecem.
“Cumpriremos todas as exigências do Ministério da Agricultura, no sentido de regularizar todas as inconformidades que ainda existem”, afirma a presidente. Segundo ela, o efeito suspensivo também concede tempo para que a nova administração conclua o processo de normalização institucional do clube.
Agosto já estava nos planos do Jóquei
Antes da cassação, agosto já aparecia no calendário previsto para 2026. Após a retomada de março, o clube planejava realizar dois grandes prêmios, um em agosto e outro em outubro, com expectativa de atrair competidores de outros estados e ampliar a participação de Goiás no calendário nacional do turfe. O plano foi detalhado pelo Mais Goiás.
A cassação interrompeu esse cronograma, mas a nova decisão recoloca agosto no horizonte. Por enquanto, o Jóquei ainda não informou data, número de páreos ou cavalos inscritos para a possível programação. Se o evento for confirmado, será a segunda retomada das corridas no Hipódromo da Lagoinha em menos de cinco meses.