Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026
SAÚDE

Médica de Goiânia vence câncer de mama e transforma experiência em incentivo à prevenção: ‘Aceitar cuidado torna tudo mais leve’

Marina Moreira destaca a importância da mamografia, do apoio familiar e do acolhimento durante o tratamento

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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A médica geriatra e paliativista Marina Moreira Lopes recebeu o diagnóstico de câncer de mama no dia em que completou 33 anos, em 2019. Na época, seu filho tinha apenas seis meses de vida, e o medo de morrer e não conseguir acompanhar o crescimento da criança marcou o início de sua jornada de tratamento. Após enfrentar a doença, ela transformou a experiência em aprendizado e passou a usar a própria história para encorajar outras mulheres em Goiânia a cuidarem da saúde e manterem os exames preventivos em dia.

Gerente médica do Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS), na capital, Marina afirma que enfrentar o câncer como paciente ampliou seu olhar sobre o adoecimento e a importância de respeitar as necessidades individuais de cada pessoa.

“Viver a rotina, os medos e as mudanças no corpo que uma paciente sofre me trouxe outra percepção do processo de adoecimento. Cada um percorre esse caminho de uma forma, e isso me fez entender a importância de olhar para cada paciente com toda sua complexidade e singularidade”, destaca.

Para ela, o cuidado deve ir além do tratamento clínico e incluir acolhimento e respeito às particularidades de cada pessoa. A médica também ressalta que aceitar ajuda pode tornar o enfrentamento da doença menos difícil. “A doença não pode te definir. Como você lida com ela é que eu acho que faz toda a diferença. Se cuidar, mas também aceitar cuidado, torna tudo mais leve”, afirma.

Marina reforça a importância do diagnóstico precoce e dos exames preventivos (Foto: arquivo cedido ao Mais Goiás)

Diagnóstico precoce

Com histórico familiar de câncer de mama, Marina mantinha os exames preventivos em dia. Embora agressiva, a doença estava em estágio inicial, fator que contribuiu para o sucesso do tratamento. “Foi uma surpresa enorme, porque eu não tinha nenhuma alteração na mama. Realmente, foi descoberto graças ao exame de mamografia”, relatou a médica em entrevista ao Mais Goiás.

Após o diagnóstico, Marina passou por quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Durante esse período, a convivência com o filho foi uma de suas principais fontes de força. Afastada temporariamente do trabalho, ela aproveitou a licença para ficar perto do bebê, com o apoio do marido e dos familiares.

Apesar dos efeitos colaterais, a médica conseguiu manter a rotina com a criança. “Tive alguns efeitos colaterais, claro, mas meu filho me dava uma força que eu não imaginava ter. Não fiquei nenhum dia sequer de cama”, diz.

Por conhecer a importância do acompanhamento multiprofissional, Marina também buscou suporte psicológico e odontológico, além de manter a prática regular de atividade física. Segundo ela, os exercícios foram fundamentais para preservar a disposição e reduzir a fadiga, sintoma comum durante o tratamento oncológico.

Outubro Rosa

No dia 14 de outubro, Marina participou de uma mobilização do Outubro Rosa no HDS, ao lado de profissionais de diferentes setores. Os trabalhadores vestiram rosa para chamar a atenção para a importância da identificação precoce do câncer de mama.

A médica aproveita a própria trajetória para incentivar outras mulheres a manterem os exames em dia e procurarem atendimento diante de alterações suspeitas. Ela também recomenda atenção às orientações médicas, especialmente para quem tem histórico familiar da doença.

“Se conhecer, conhecer seu corpo e manter cuidados com a saúde diariamente possibilita diagnósticos mais precoces”, conclui.

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