Terça-feira, 21 de Julho de 2026
URBANISMO

Morar no Centro: quem poderá participar, como funcionará o aluguel subsidiado e o que muda com o programa

Secretária municipal de Planejamento Urbano e Habitação, Sabrina Garcez, explica por que a Prefeitura escolheu a habitação como eixo da transformação urbana

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Vista da região central de Goiânia, onde edifícios residenciais e comerciais dividem espaço com parte do patrimônio urbano da capital. A área é contemplada pelo Programa Morar no Centro, iniciativa que pretende ampliar a ocupação habitacional e impulsionar a revitalização da região. Crédito: Reprodução/YouTube Goiânia Antiga.

Depois de décadas marcadas pelo esvaziamento residencial, pela transferência de atividades econômicas para outras regiões da capital e pelo aumento do número de imóveis desocupados, a Prefeitura de Goiânia aposta na habitação como eixo central da estratégia para revitalizar a região onde a cidade nasceu.

A proposta está prevista no Programa Morar no Centro, projeto de lei que ainda tramita na Câmara Municipal e que pretende estimular a ocupação residencial por meio de subsídios ao aluguel, incentivos à recuperação de imóveis vazios e fortalecimento da atividade econômica da região central.

Em entrevista exclusiva concedida ao Mais Goiás para a série especial sobre a revitalização do Centro de Goiânia, a secretária municipal de Planejamento Urbano e Habitação, Sabrina Garcez, explicou por que a administração escolheu a política habitacional como ponto de partida da transformação urbana e detalhou como o programa deverá funcionar após sua aprovação.

Segundo a secretária, a decisão foi tomada porque o aumento da população residente é considerado o principal instrumento para devolver vitalidade ao Centro. “A requalificação do Centro passa, necessariamente, pelo aumento da ocupação residencial. Ampliar o número de moradores significa promover maior circulação de pessoas ao longo do dia e da noite, fortalecendo o comércio, estimulando novos investimentos, valorizando os imóveis e tornando a região mais viva e segura”, afirmou.

De acordo com Sabrina Garcez, a proposta também busca aproveitar uma infraestrutura urbana que já existe na região central, evitando que imóveis permaneçam fechados por longos períodos. “A proposta busca aproveitar a infraestrutura urbana já existente e incentivar a recuperação de imóveis atualmente desocupados”, disse.

Habitação será o ponto de partida da revitalização

Secretária municipal de Planejamento Urbano e Habitação, Sabrina Garcez, detalhou, em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, como funcionará o Programa Morar no Centro, política pública que prevê subsídio ao aluguel, recuperação de imóveis ociosos e investimentos de R$ 24 milhões para estimular a ocupação residencial da região central de Goiânia.
Crédito: Prefeitura de Goiânia.
(Foto: Prefeitura de Goiânia)

Embora o aluguel subsidiado seja o instrumento mais conhecido do programa, a Prefeitura afirma que a política pública possui objetivos mais amplos. Segundo Sabrina Garcez, a expectativa é produzir resultados em diferentes etapas. No curto prazo, o município espera aumentar a ocupação dos imóveis atualmente disponíveis. Em seguida, pretende estimular novos empreendimentos residenciais, fortalecer a atividade econômica, incentivar investimentos privados e valorizar a região.

No longo prazo, a meta é consolidar um centro mais habitado, dinâmico e integrado ao restante da cidade. “O Programa Morar no Centro tem como objetivos ampliar a ocupação habitacional da Região Central, incentivar a recuperação de imóveis ociosos, estimular novos empreendimentos residenciais e promover a requalificação urbanística da região”, explicou. A iniciativa contará com orçamento inicial de R$ 24 milhões e tem como meta atrair aproximadamente 10 mil novos moradores para a Região Central de Goiânia.

Como funcionará o subsídio ao aluguel

O principal mecanismo do programa será a concessão de um benefício financeiro destinado ao custeio parcial da locação de imóveis localizados na área de abrangência da política pública. Segundo Sabrina Garcez, o recurso será pago diretamente ao proprietário do imóvel. O valor do subsídio ainda não foi definido.

De acordo com a secretária, essa definição ocorrerá durante a regulamentação da lei e levará em consideração os preços praticados pelo mercado imobiliário e as características de cada imóvel. “O valor do benefício será definido por decreto, considerando os valores praticados no mercado e as características dos imóveis.”

A proposta pretende estimular proprietários de imóveis desocupados a colocarem suas unidades novamente em uso residencial. Ao contrário de programas habitacionais tradicionais, o Morar no Centro não prevê a construção de novos conjuntos habitacionais. A estratégia consiste em aproveitar edificações já existentes, reduzindo a quantidade de imóveis vazios e utilizando a infraestrutura urbana disponível na região.

Quem poderá participar

O projeto estabelece que poderão integrar o programa imóveis desocupados há pelo menos 12 meses, além de edificações adaptadas para uso residencial. A seleção das famílias também seguirá critérios previamente definidos pela legislação. Terão prioridade: famílias chefiadas por mulheres; pessoas idosas; pessoas com deficiência; famílias com crianças e adolescentes.

Segundo Sabrina Garcez, outros critérios complementares ainda serão definidos após a aprovação definitiva da lei. “As diretrizes gerais já estão previstas no projeto de lei. Os detalhes operacionais serão definidos durante a regulamentação, conforme a disponibilidade orçamentária e a adesão dos imóveis”, explicou.

A regulamentação também estabelecerá os procedimentos administrativos para adesão dos proprietários e habilitação dos futuros beneficiários.

Levantamento dos imóveis ainda será concluído

Uma das etapas mais importantes da implantação do programa será o cadastramento dos imóveis que poderão aderir à política pública. A Prefeitura informou que, neste momento, ainda não divulga um número consolidado de imóveis vazios ou subutilizados existentes na área de abrangência do programa.

Segundo Sabrina Garcez, esse levantamento ocorrerá durante a fase de implantação. “O programa permitirá a adesão de imóveis que atendam aos critérios previstos na legislação, sendo o levantamento e cadastramento realizados durante a fase de implantação e regulamentação”, informou.

Na prática, isso significa que o número definitivo de unidades habitacionais participantes dependerá tanto da adesão voluntária dos proprietários quanto da análise técnica das edificações aptas para uso residencial.

Como a Prefeitura pretende evitar a especulação imobiliária

Um dos pontos que mais geraram debate durante a tramitação do projeto diz respeito ao risco de valorização acelerada dos imóveis e ao aumento artificial dos preços dos aluguéis na região central.

A preocupação foi apresentada por vereadores e especialistas durante as discussões na Câmara Municipal e também aparece entre os desafios enfrentados por programas semelhantes implantados em outras cidades brasileiras.

Segundo Sabrina Garcez, a Prefeitura pretende minimizar esse risco por meio da regulamentação do programa e do acompanhamento permanente da política pública. “O programa prevê que o valor do benefício seja definido considerando os preços praticados pelo mercado local e as características dos imóveis. Além disso, haverá regulamentação específica e monitoramento permanente da administração municipal para garantir a correta aplicação dos recursos públicos e o cumprimento das regras do programa”, disse.

A secretária explica que o objetivo é impedir distorções no mercado imobiliário e assegurar que os recursos públicos sejam utilizados para ampliar o acesso à moradia, sem estimular processos especulativos. Apesar dessa diretriz já constar na proposta, parte dos mecanismos de controle ainda dependerá da regulamentação que será editada após a aprovação definitiva da lei.

Revitalização vai além da política habitacional

Embora o Programa Morar no Centro tenha a habitação como principal eixo, a Prefeitura afirma que a revitalização da região central envolve um conjunto mais amplo de políticas públicas. Segundo Sabrina Garcez, diversas ações já começaram a ser executadas paralelamente ao projeto habitacional.

Entre elas está o programa Brilha Goiânia, responsável pela substituição da iluminação convencional por luminárias de LED. O Centro foi a primeira região da capital contemplada pela iniciativa.

A administração municipal também realizou eventos voltados à ocupação dos espaços públicos, como a edição especial do Grande Hotel Vive o Choro durante as comemorações do aniversário de Goiânia, além das ações do Bora Lá Goiânia e outras atividades culturais desenvolvidas na região.

“A revitalização da Região Central é uma política integrada da Prefeitura de Goiânia. Entre as ações já executadas estão a modernização da iluminação pública por meio do programa Brilha Goiânia, além de iniciativas voltadas à ocupação cultural e ao fortalecimento da convivência urbana”, disse.

Segundo a secretária, a Prefeitura também mantém diálogo permanente com comerciantes, empresários, proprietários de bares e investidores para construir soluções voltadas ao fortalecimento da atividade econômica.

“Paralelamente, a administração municipal mantém diálogo permanente com comerciantes, empresários, donos de bares e investidores para construção conjunta de soluções que fortaleçam a atividade econômica e incentivem novos investimentos no Centro”, afirmou.

Como será avaliado o sucesso do programa

Embora o Programa Morar no Centro já tenha orçamento definido e metas estabelecidas, a Prefeitura ainda irá regulamentar parte dos indicadores que serão utilizados para acompanhar os resultados da política pública.

Segundo Sabrina Garcez, o município realizará fiscalização permanente das unidades participantes e monitorará a aplicação dos recursos públicos. “A Prefeitura realizará acompanhamento permanente da implementação do programa, incluindo fiscalização das unidades participantes e monitoramento da correta aplicação dos recursos públicos”, explicou.

Os indicadores específicos ainda serão definidos durante a regulamentação da lei. Entre eles deverão estar a adesão dos imóveis ao programa, o aumento da ocupação habitacional, a recuperação das edificações participantes e a dinamização econômica da região central.

Próximos passos da tramitação

O Programa Morar no Centro ainda depende da conclusão da tramitação legislativa para entrar em vigor. Segundo Sabrina Garcez, o projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), recebeu aprovação em primeira votação no plenário e também passou pela comissão de mérito.

Na segunda votação, entretanto, os vereadores apresentaram 12 emendas ao texto. Com isso, a proposta retornou à Comissão de Constituição e Justiça para análise das alterações antes de seguir novamente para votação em plenário. Somente após a aprovação definitiva, a sanção da lei pelo prefeito e a publicação da regulamentação, será iniciada a implantação efetiva da política pública.

O que acontecerá após o fim do benefício

Outro ponto esclarecido pela secretária diz respeito ao período de permanência das famílias no programa. O benefício terá duração inicial de 24 meses e poderá ser prorrogado por mais 12 meses, conforme critérios que serão definidos na regulamentação.

Segundo Sabrina Garcez, a expectativa da Prefeitura é que, ao longo desse período, o fortalecimento da atividade econômica e a ampliação da oferta de moradias contribuam para consolidar uma ocupação permanente da região.

“O benefício terá duração inicial de 24 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses. A estratégia do programa é estimular a criação de um ambiente urbano mais atrativo e economicamente fortalecido, ampliando a oferta de moradia na região central e contribuindo para sua ocupação sustentável ao longo do tempo”, afirmou.

LEIA TAMBÉM:

Revitalizar o Centro de Goiânia exige mais do que levar moradores, apontam especialistas

Goiânia quer trazer moradores de volta ao Centro. Outras cidades já fizeram isso e mudaram sua história

Categorias:
Cidades Goiânia
Tags:
aluguel subsidiado aluguel subsidiado em Goiânia Câmara Municipal de Goiânia Centro de Goiânia desenvolvimento econômico desenvolvimento urbano habitação em Goiânia habitação social imóveis ociosos imóveis vazios infraestrutura urbana moradia em Goiânia moradia no Centro Morar no Centro Goiânia ocupação residencial Patrimônio Histórico planejamento urbano política habitacional Prefeitura de Goiânia Programa Morar no Centro recuperação de imóveis região central de Goiânia reocupação do Centro requalificação urbana Revitalização do Centro de Goiânia revitalização urbana Sabrina Garcez urbanismo