MP recomenda suspensão de corte de gameleiras de 68 anos na Praça da Cirrose, em Goiânia
Mudanças nas conclusões dos laudos sobre as gameleiras levantaram questionamentos sobre a necessidade de retirada das árvores
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Três avaliações técnicas realizadas pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) chegaram a conclusões diferentes sobre a situação de gameleiras de cerca de 68 anos na Praça da Cirrose, em Goiânia. Diante da divergência, o Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou, nesta terça-feira (1º/9), a suspensão imediata de qualquer corte ou supressão das árvores.
A primeira avaliação, feita em novembro de 2024, apontou necrose, deficiência de área permeável e risco de queda e recomendou a retirada de dois exemplares. Já em abril de 2026, uma nova vistoria registrou equilíbrio estrutural e condições regulares das árvores e indicou apenas a realização de poda e manutenção.
Em agosto de 2026, porém, a Amma voltou a recomendar a supressão de dois exemplares. A mudança nos diagnósticos em um intervalo de poucos meses levou o MPGO a questionar quais fatores teriam provocado a alteração das conclusões.
Segundo a recomendação, as razões para a divergência ainda não foram esclarecidas. O Ministério Público afirma que os pareceres originais, processos administrativos e registros fotográficos das avaliações não tinham sido apresentados nos autos.
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Laudos apresentam conclusões diferentes
A promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, determinou ainda a instauração de procedimento preparatório para apurar a regularidade técnica e jurídica das avaliações que embasaram a possível retirada das árvores.
Os órgãos municipais terão dez dias úteis para encaminhar ao MPGO a íntegra dos três laudos, explicar as alterações identificadas entre as avaliações e realizar uma nova vistoria nos quatro exemplares. O trabalho deverá contar com acompanhamento da Coordenadoria de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do Ministério Público.
A nova análise deverá avaliar individualmente cada árvore e considerar alternativas ao corte, como dendrocirurgia, poda técnica seletiva e ampliação da área permeável.
Na recomendação, o MPGO destaca que a retirada de árvores adultas com cerca de sete décadas é uma medida irreversível. O documento também cita o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, instituído pela Lei Complementar Municipal nº 374/2024, que prevê proteção especial a árvores de valor histórico e paisagístico.
O Ministério Público alerta que o descumprimento da recomendação ou uma resposta considerada insuficiente poderá levar à adoção de medidas judiciais, incluindo uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência.
Manifestação
Dias antes da recomendação do MP-GO, a possível retirada das gameleiras também já havia mobilizado moradores e grupos ligados à defesa do meio ambiente. Manifestantes estiveram na Praça da Cirrose para pedir a preservação das árvores e questionar a necessidade de corte dos exemplares. O grupo defende que sejam realizadas podas adequadas, retirada de galhos secos e outras medidas de manutenção antes que qualquer decisão pela derrubada seja tomada.
O Mais Goiás entrou em contato com a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e aguarda retorno sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.
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