Muriçoca não dá trégua no calor? Veja truques simples para mandar os pernilongos embora
Ligar o ventilador perto de onde está e usar telas contra mosquitos são os métodos mais eficazes comprovados por estudos e universidades
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Basta a temperatura subir para o zumbido irritante das asinhas aparecer. Muriçocas e pernilongos costumam incomodar ainda mais nos períodos quentes, principalmente quando encontram dentro e ao redor de casa as condições ideais para se esconder e se reproduzir. Em Goiânia, por exemplo, o Cimehgo tem registrado temperaturas entre 33ºC e 37ºC nos últimos dias.
Mas, antes de recorrer a receitas caseiras encontradas nas redes sociais, é preciso separar o que realmente pode ajudar daquilo que é apenas tradição popular. A Anvisa afirma que produtos “naturais” à base de citronela, andiroba e óleo de cravo, por exemplo, não têm eficácia comprovada como repelentes. Nem queimar pó de café e espetar cravo-da-índia em limão tem comprovação científica.
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Segundo o biólogo Edson Abrão, o calor acelera o metabolismo desses insetos e, combinado à umidade típica dessa época do ano, também encurta o ciclo de desenvolvimento das larvas. É por isso que a presença deles pode se tornar mais intensa nos períodos quentes.
“O pernilongo tem uma vida mais ativa no verão. O calor acelera o metabolismo desses insetos e, como são animais de sangue frio, eles precisam de calor para ficar mais ágeis. Com o calor e a umidade, o ciclo da larva também fica mais rápido”, pontua Abrão.
O biólogo explica ainda que somente a fêmea pica o ser humano porque ela precisa do sangue para se alimentar e levar nutrientes para as larvas.
“Incensos e velas espantam os mosquitos; fiz aqui em casa e deu certo. Mas não tem muito o que fazer. O pernilongo não tem função ecológica nenhuma, somente serve de alimento para lagartixas”, conclui o biólogo.
Há, no entanto, medidas simples que podem ser feitas em casa e ajudam a reduzir a quantidade de mosquitos e, principalmente, as picadas.
1. Ligue o ventilador perto de onde você está
Uma das soluções mais simples pode estar na sala ou no quarto: o ventilador.
Mosquitos são voadores relativamente fracos. O fluxo de ar dificulta o voo e também pode atrapalhar a capacidade do inseto de localizar uma pessoa. Por isso, um estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, recomenda o uso de ventiladores, inclusive em áreas externas, para reduzir a aproximação dos mosquitos.
A dica é direcionar o vento para a região onde as pessoas estão, especialmente pernas e pés, que costumam ficar expostos.

2. Faça uma “faxina” nos pontos que acumulam água
Essa talvez seja a medida caseira mais importante — e não exige comprar absolutamente nada.
Vasos de plantas, pratinhos, baldes, brinquedos deixados no quintal, calhas, pneus e qualquer recipiente que acumule água podem virar criadouros. O Ministério da Saúde recomenda eliminar esses pontos e manter reservatórios devidamente tampados.
A atenção precisa ser redobrada depois das chuvas. Mesmo pequenas quantidades de água podem ser suficientes para a reprodução de algumas espécies de mosquito.
Uma vez por semana, vale fazer uma vistoria no quintal e nos arredores da casa para esvaziar, limpar ou guardar recipientes que possam acumular água.
3. Deixe o ar circular no quintal
Se a ideia é aproveitar a noite na varanda ou no quintal, vale evitar ambientes muito abafados. Mosquitos procuram áreas protegidas, úmidas e com pouco movimento de ar para descansar. Podar o excesso de vegetação e melhorar a circulação de ar no entorno da casa pode ajudar a tornar o ambiente menos favorável aos insetos, de acordo com estudos da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
Aqui, novamente, o ventilador pode ser um aliado: colocado próximo à área onde as pessoas ficam, ele cria uma corrente de ar que dificulta a aproximação dos mosquitos.
4. Tela na janela e mosquiteiro na cama
Outra solução simples é impedir que o mosquito entre. Telas em portas e janelas ajudam a manter os insetos do lado de fora. Para quem costuma sofrer com pernilongos durante a noite, o mosquiteiro também funciona como uma barreira contra as picadas. O Ministério da Saúde recomenda as duas medidas como formas de proteção individual.
É importante verificar se a tela não tem rasgos ou espaços por onde os insetos possam passar. No caso do mosquiteiro, ele precisa ficar bem ajustado ao redor da cama.

E as receitas com citronela e cravo?
Elas aparecem aos montes na internet, mas é preciso cuidado. A Anvisa informa que os chamados inseticidas “naturais” feitos com citronela, andiroba, limão e óleo de cravo não têm eficácia comprovada e que velas, incensos, odorizantes e outros produtos que prometem repelir mosquitos não são aprovados pela agência apenas por serem apresentados como naturais.
Isso não significa que todo produto com esses ingredientes seja necessariamente inútil: existem produtos regularizados que contêm substâncias com ação repelente. O problema está em assumir que uma mistura feita em casa terá a mesma eficácia de um produto testado e registrado.