Túmulos de vítimas do Césio-137 são reformados em Goiânia antes do Dia de Finados
Sepulturas de Leide das Neves e outras três vítimas do acidente radiológico de 1987 tiveram as estruturas recuperadas e as placas de mármore substituídas no Cemitério Parque
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Às vésperas do Dia de Finados, celebrado na próxima segunda-feira (2), os túmulos de quatro vítimas fatais do acidente com o césio-137, em Goiânia, passaram por uma reforma no Cemitério Parque. A intervenção contemplou as sepulturas de Leide das Neves Ferreira, Maria Gabriela, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Os trabalhos duraram três dias e incluíram a recuperação das estruturas e a substituição das placas de mármore.
As quatro pessoas morreram em outubro de 1987, após serem expostas ao material radioativo que se espalhou pela capital. Leide das Neves, que tinha 6 anos na época, se contaminou ao comer um ovo cozido com as mãos sujas do pó azul retirado de uma cápsula de césio-137. A menina se tornou um dos principais símbolos da tragédia.

Maria Gabriela era esposa de Devair Alves Ferreira, proprietário do ferro velho onde a cápsula foi aberta. Ela foi uma das primeiras pessoas expostas à radiação. Leide e Maria Gabriela morreram em 23 de outubro de 1987, no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Já Israel e Admilson trabalhavam no estabelecimento de Devair e também morreram em decorrência da contaminação no mesmo mês.
Na época, os corpos das quatro vítimas foram colocados em caixões revestidos de chumbo, como medida de precaução devido à presença de material radioativo. O sepultamento ocorreu em meio a protestos de moradores, que não queriam que as vítimas fossem enterradas em Goiânia por medo da contaminação.
A reforma dos túmulos foi solicitada pela Associação das Vítimas do Césio-137 (AvCésio) e determinada pelo Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara). Segundo o órgão, a iniciativa busca preservar a memória das vítimas e conservar os locais de sepultamento.

Relembre o acidente
A tragédia teve início em setembro de 1987, quando dois catadores de materiais recicláveis retiraram peças de um aparelho de radioterapia abandonado nas instalações de uma clínica desativada. O equipamento havia sido descartado irregularmente pelo antigo Instituto Goiano de Radioterapia.
As peças foram levadas para um ferro velho no Centro de Goiânia. Ao desmontar o aparelho, Devair encontrou uma cápsula que continha cloreto de césio-137. O material, que emitia um brilho azul, despertou a curiosidade de quem teve contato com ele e acabou sendo distribuído entre familiares, conhecidos e outras pessoas.
A substância radioativa se espalhou por diferentes locais da cidade e contaminou mais de 600 pessoas, com níveis variados de exposição. O episódio é considerado um dos acidentes radiológicos mais graves do mundo fora de instalações nucleares.
Segundo a Associação das Vítimas do Césio-137, mais de cem pessoas morreram em decorrência da contaminação até 2012.
Cemitérios recebem melhorias para o Dia de Finados
A manutenção das sepulturas ocorreu durante os preparativos da Prefeitura de Goiânia para receber visitantes no Dia de Finados. Os quatro cemitérios municipais passaram por serviços de limpeza e conservação, além de reforço na segurança.
Entre as medidas estão a instalação de câmeras de monitoramento e de novos pontos de iluminação. Cada cemitério recebeu entre 30 e 93 pontos de luz, conforme a necessidade do local.

Na segunda-feira (2), os cemitérios municipais vão funcionar das 7h às 18h. A prefeitura também prevê reforço no policiamento, organização do trânsito e ampliação da estrutura de atendimento aos visitantes, com banheiros e bebedouros extras.