SAÚDE

Goiás amplia combate ao câncer de mama com política inédita que une mamografia, teste genético e prevenção pelo SUS

Estado aposta na detecção precoce para reduzir mortes, ampliar diagnósticos e evitar casos hereditários de câncer de mama

25% dos diagnósticos estão associados a hábitos modificáveis Câncer de mama: hábitos que aumentam risco de contrair doença
Imagem: Reprodução/IA

Foi aficializado nesta semana a Política Estadual Goiás Todo Rosa, iniciativa que amplia a estratégia de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e de ovário na rede pública de saúde. A medida consolida como política permanente um programa que já era considerado pioneiro no país por oferecer testes genéticos para identificação de mutações associadas ao câncer hereditário pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova etapa foi lançada durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), com a assinatura de termos de compromisso pelos municípios goianos. Na prática, a política passa a integrar toda a rede de atendimento à saúde da mulher, desde as unidades básicas até os serviços especializados, com o objetivo de ampliar o acesso à mamografia, acelerar diagnósticos e reduzir a mortalidade causada pela doença.

A iniciativa está diretamente ligada a um dos principais desafios enfrentados pela saúde pública que é identificar o câncer antes do surgimento dos sintomas.

“Hoje nossa cobertura de mamografia está pouco acima de 20%, e precisamos alcançar mais de 70% das mulheres. Quando identificamos um tumor precocemente, conseguimos oferecer tratamento mais rápido e aumentar significativamente as chances de cura”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Rasível Santos.

Predisposição hereditária

Além da ampliação dos exames de imagem, a política prevê a utilização de testes genéticos para identificar mulheres com predisposição hereditária ao câncer de mama e ovário. A análise permite detectar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados a um risco elevado de desenvolvimento da doença.

A partir do resultado, pacientes e familiares podem receber acompanhamento especializado, monitoramento constante e até procedimentos preventivos para reduzir as chances de surgimento do câncer.

“Estamos falando de evitar que algumas mulheres sequer desenvolvam a doença. Identificamos o risco, acompanhamos a paciente e podemos adotar medidas preventivas antes que o câncer apareça. Isso significa menos sofrimento e menos mortes evitáveis”, destacou Rasível.

Mais de 900 testes genéticos

Desde a criação do programa, em 2023, Goiás já realizou 911 testes genéticos. Desse total, 113 mulheres apresentaram resultado positivo para alterações genéticas associadas ao câncer hereditário e passaram a receber acompanhamento pelo SUS.

O acesso ao exame começa nas unidades básicas de saúde. Mulheres com histórico familiar da doença podem ser encaminhadas para avaliação médica e, quando atendem aos critérios clínicos, realizam a coleta de sangue ou saliva para análise no Centro de Genética Humana da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Para que o programa alcance todas as regiões do estado, a Secretaria de Estado da Saúde iniciou uma ampla mobilização junto aos municípios. A estratégia inclui treinamento de profissionais, capacitação de agentes comunitários de saúde, qualificação dos fluxos de atendimento e campanhas de conscientização voltadas à população.

A expectativa é que os próprios agentes de saúde auxiliem na identificação de mulheres com histórico familiar de câncer, facilitando o encaminhamento para exames e acompanhamento especializado.

Referência nacional

A superintendente do Instituto Natura Brasil, Maria Slemenson, avalia que a iniciativa goiana pode se tornar uma referência nacional por combinar tecnologia de ponta com ações básicas de rastreamento.

Secretário estadual de Saúde, Rasível Santos e superintendente do Instituto Natura Brasil, Maria Slemenson (Foto: Divulgação/SES)

“O teste genético é uma ferramenta importante, mas ele precisa estar integrado ao que chamamos de cuidado essencial. É necessário garantir que as mulheres façam mamografia, que os profissionais estejam preparados e que exista busca ativa para alcançar quem está fora da rede de atendimento. O que vemos em Goiás é a construção de uma política completa, que olha para toda a jornada da paciente”, afirmou.

A entidade participa da elaboração da política ao lado do Governo de Goiás e do Instituto Protea, organização especializada em saúde da mulher.

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