Menor cidade de Goiás, Anhanguera encolhe um pouco mais nas contas do IBGE
Anhanguera teve queda de população pelo segundo ano seguido e adotou jornada de quatro horas para conter despesas; município é o segundo menos populoso do Brasil
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Há cidades em que uma mudança demográfica aparece nas estatísticas como um número. Em Anhanguera, no Sudeste de Goiás, sete pessoas a menos em um ano significam quase uma pequena sala de aula, uma fileira de casas, uma parte visível de uma comunidade que já cabe em poucas ruas.
A menor cidade de Goiás voltou a perder moradores e chegou a 906 habitantes neste ano, segundo a nova estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número foi divulgado na última sexta-feira (28) e tem como referência 1º de julho deste ano. Com a nova marca, Anhanguera é também o segundo município menos populoso do Brasil, atrás apenas de Serra da Saudade (MG), que tem 857 moradores.
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A queda é pequena em números absolutos, mas chama atenção quando observada no contexto de uma cidade que já tem uma população inferior a mil pessoas. Em 2025, a estimativa do IBGE apontava 913 habitantes. No Censo de 2022, eram 924. Ou seja, Anhanguera perdeu 18 moradores em relação ao último Censo e sete somente no intervalo entre as estimativas de 2025 e 2026.
A nova fotografia demográfica foi divulgada justamente enquanto o município atravessa um momento de aperto nas despesas públicas. Desde 24 de agosto, a Prefeitura de Anhanguera passou a funcionar durante apenas quatro horas por dia, das 7h às 11h.
A mudança foi determinada pelo Decreto nº 048/2026, que estabeleceu um pacote de medidas de racionalização e contenção de despesas. O novo horário tem duração inicial de 120 dias e pode ser prorrogado ou encerrado antes do prazo, conforme a avaliação da administração municipal.

A Prefeitura de Anhanguera não informou, até a publicação desta matéria, qual economia exata espera obter com a redução do expediente.
A redução não alcança serviços considerados essenciais. Saúde, Educação e programas sociais continuados permanecem funcionando normalmente, segundo a Prefeitura. O decreto também prevê revisão de contratos e redução de despesas de custeio, além de restrições à criação de cargos e funções que provoquem aumento dos gastos com pessoal.
A administração municipal também colocou no pacote despesas com diárias, passagens, cursos, materiais de consumo, energia elétrica, água, telefone e impressão. A justificativa oficial é preservar o equilíbrio das contas e garantir a continuidade dos serviços públicos.
Menos de mil habitantes
A estimativa de 906 moradores coloca Anhanguera numa posição incomum no mapa brasileiro. Apenas três outros municípios têm menos de mil habitantes em 2026: Serra da Saudade (MG), com 857; Borá (SP), com 935; e Araguainha (MT), com 989.
A dimensão da cidade fica ainda mais evidente quando se olha para a distância entre ela e os grandes centros urbanos. Enquanto municípios como Goiânia reúnem milhões de pessoas, Anhanguera trabalha com uma população que poderia ser acomodada em um prédio residencial no Setor Bueno.
A cidade, portanto, encolheu enquanto tenta administrar uma estrutura pública destinada a atender uma população cada vez menor.

Menores cidades de Goiás
Anhanguera não está sozinha entre os municípios goianos de população reduzida. Em uma lista com 54 municípios menos populosos do Brasil em 2026, elaborada a partir das estimativas do IBGE, Goiás aparece quatro vezes.
- Anhanguera: 906 habitantes
- Cachoeira de Goiás: 1.415 habitantes
- Lagoa Santa: 1.444 habitantes
- Moiporá: 1.680 habitantes
Juntas, essas quatro cidades têm 5.445 habitantes — menos gente do que o bairro Jardim América (Goiânia), por exemplo, que tem 49 mil moradores, de acordo com a prefeitura.