FIM DE UMA ERA

Orelhões serão retirados em definitivo das ruas; veja quantos tem em Goiás

Estado tem 179 aparelhos, sendo que apenas 102 estão em condições de uso. Retirada marca fim de uma era

Orelhões caíram em desuso - (Foto: reprodução)
Orelhões caíram em desuso - (Foto: reprodução)

Os orelhões – famosos telefones públicos – chegaram ao fim neste ano em Goiás e em todo o Brasil. Símbolo nacional, os aparelhos vão ser retirados definitivamente das ruas ainda em janeiro. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional. Destes, 179 se encontram em território goiano.

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Indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram obsoletos com a popularização dos smartphones e, com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos no ano passado, a Anatel deu início à operação.

Entretanto, a extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Neste mês começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados, como os presentes em Goiânia, que não conta com telefones públicos em condições de uso. Os orelhões só devem ser mantidos até 2028 em cidades onde não há rede de celular disponível. 

O processo de retirada, no entanto, já vinha ocorrendo nos últimos anos. Conforme a Anatel, Goiás tinha ainda cerca de 7.678 orelhões nas ruas em 2020. Atualmente, apenas 2,3% desses aparelhos resistem ao tempo e à depredação, sendo que 102 estão ativos, 61 estão em manutenção e 16 com situação indefinida.

No entanto, como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem direcionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país.

Orelhões

Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação em todo o país, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000. Os aparelhos facilitavam contatos, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio para falar com pessoas de outras regiões. 

O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa. Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.

Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo.