CONDENAÇÃO

Promotor toca ‘Então é Natal’ durante julgamento de homem que matou ex-sogros em Cristalina; vídeo

Julgamento terminou com condenação de mais de 89 anos de prisão

Promotor toca “Então é Natal” durante julgamento de homem que matou ex-sogros em Cristalina (Foto: reprodução)

Durante o julgamento que condenou Milton Pereira dos Santos a mais de 89 anos de prisão pelo assassinato dos ex-sogros, o promotor de Justiça Diego Henrique Siqueira Ferreira utilizou a música “Então é Natal” durante sua sustentação oral. A escolha fez referência à data do crime, cometido na noite de 23 de dezembro de 2024, na zona rural de Cristalina.

Ao se dirigir ao réu e aos jurados, o promotor destacou o impacto da tragédia para os familiares das vítimas. “Sempre que essa música tocar, essa família vai chorar. Você é mau, você vai ser responsabilizado por tudo que você fez. Cada facãozada, cada pancada que você deu naquela vítima, você vai pagar hoje”, afirmou.

O julgamento durou cerca de 36 horas e foi encerrado na noite de quarta-feira (17), quando o Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade dos crimes atribuídos ao condenado.

Milton Pereira dos Santos (Foto: reprodução)

Segundo a acusação, Milton Pereira dos Santos matou a ex-sogra, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e o ex-sogro, Mário Domingos, dentro da residência da família.

Durante a sustentação, o promotor também classificou a conduta do réu como cruel e premeditada, destacando uma conversa que antecedeu o crime: “Quando ele perguntou ao Mário: ‘vai passar Natal onde?’, já sabia que ia matá-lo”.

Ele ainda criticou o comportamento do condenado e o histórico de violência psicológica contra a então companheira, além da sequência de ações que antecederam os homicídios.

“Transformou o dia do nascimento do menino Jesus na morte da senhora Maria, que por coincidência também é o nome da mãe do menino Jesus”, afirmou. “Mau, cruel, assassino, devastador de mulheres. Você foi feito de uma mulher. Você gerou três mulheres. Você tinha tudo para ser exemplo, mas se tornou exemplo nenhum. Deus não dá o direito de tirar a vida de ninguém, o de procriar ele da, o de tirar ele não dá.”

Condenação

O julgamento, presidido pelo juiz Rodney Martins Farias, reuniu depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu e as sustentações do Ministério Público e da defesa. Ao final, o Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade de todos os crimes imputados.

Milton Pereira dos Santos foi condenado por feminicídio, homicídio qualificado, violência psicológica contra a mulher, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo. A pena total foi fixada em 89 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão, além de 8 meses de detenção.

Leia também: