Empresa de Senador Canedo é alvo de operação que apura lavagem de dinheiro na compra de distribuidora de combustíveis
Mandados foram cumpridos em sete estados, incluindo Goiás, onde documentos e dispositivos eletrônicos foram apreendidos na empresa
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Uma empresa de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, foi alvo nesta quinta-feira (24) de uma operação da Receita Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação investiga uma estrutura financeira que teria sido utilizada para ocultar patrimônio e dissimular a origem de recursos usados na aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Conforme apuração realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, a empresa envolvida na negociação é a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, que possui uma base de distribuição em Senador Canedo. Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), durante o cumprimento do mandado, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos na sede da empresa.
Ainda segundo a Folha de S.Paulo, entre os alvos também está Antônio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, que é apontado pelo jornal como uma pessoa com ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Também são alvos Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sete estados em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. São 26 alvos em São Paulo e um em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A investigação aponta que a estrutura financeira teria envolvido empresas, fundos de investimento, holdings, fintechs e empresas de fachada para criar camadas de separação entre os recursos movimentados e os verdadeiros beneficiários das operações.

Entenda a investigação
A operação intitulada Crédito Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e contou com apoio dos Gaecos de Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Segundo a Receita Federal, uma das empresas financeiras utilizadas na estrutura investigada movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para o órgão, há indícios de utilização da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.
A investigação aponta que a estrutura teria envolvido empresas, fundos de investimento, holdings, fintechs e empresas de fachada, criando camadas de separação entre os recursos movimentados e os beneficiários finais das operações.
De acordo com a Receita Federal, uma das estruturas identificadas inicialmente teria sido utilizada para ocultar os verdadeiros proprietários de uma empresa sucroalcooleira localizada no interior de São Paulo. Posteriormente, essa estrutura teria sido aproveitada na aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A Receita aponta que cerca de R$ 370 milhões foram movimentados em uma operação envolvendo valores que a empresa sucroalcooleira tinha a receber. Segundo os investigadores, parte do dinheiro usado na operação teria vindo de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo. O fluxo financeiro teria sido estruturado dessa forma para dar aparência de legalidade às operações e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a aquisição da distribuidora de combustíveis teria sido viabilizada por uma estrutura formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. A estrutura teria sido criada para distanciar os recursos utilizados na operação dos verdadeiros financiadores e beneficiários.
Ainda segundo a Receita, a empresa sucroalcooleira teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição da distribuidora. Antes de chegar à empresa, o dinheiro teria passado por diversas contas de empresas ligadas ao grupo e por fintechs, usadas como intermediárias para movimentar os valores.
Os R$ 100 milhões teriam sido colocados em um fundo de investimento criado especificamente para a operação. Na etapa seguinte, o fundo teria adquirido um CDB em uma operação que envolveu um banco e duas empresas de fachada. Segundo a investigação, essas empresas teriam sido usadas para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários da compra da distribuidora.

Imóveis e fundos imobiliários
Os investigadores também identificaram uma estrutura envolvendo imóveis e fundos imobiliários. Segundo a Receita, imóveis ligados aos investigados foram transferidos para empresas patrimoniais e, depois, para fundos imobiliários. Assim, os bens continuariam sendo controlados pelo grupo, no entanto, não apareceriam diretamente como patrimônio pessoal dos investigados.
De acordo com a Receita, cada parte dessa estrutura teria uma função. As fintechs movimentavam o dinheiro; a empresa sucroalcooleira recebia os valores e os incorporava à sua atividade; os fundos de investimento financiavam as operações; e as holdings e empresas patrimoniais ajudavam a separar os bens de seus verdadeiros controladores.
Para os investigadores, essas estruturas estavam interligadas e teriam sido usadas para ocultar a origem dos recursos, dificultar a identificação dos beneficiários e viabilizar a aquisição da distribuidora de combustíveis.
O Mais Goiás reforça que o espaço está aberto caso a Terrana tenha interesse em se manifestar publicamente.
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