INVESTIGAÇÃO

Van que transportava estudantes vítimas de acidente na GO-581 era da Saúde e não tinha autorização para transporte escolar, aponta investigação

Veículo cedido para área da saúde não possuía cadastro na AGR nem registro como transporte escolar. Acidente na GO-518 é investigado como homicídio culposo

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Acidente que matou cinco estudantes na GO-518 será investigado como homicídio culposo (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

A van envolvida no acidente que matou cinco estudantes na GO-518, entre Buriti de Goiás e Córrego do Ouro, não tinha autorização para realizar transporte escolar intermunicipal. A informação foi confirmada durante as investigações da Polícia Civil. O veículo, que originalmente pertence ao Fundo Estadual de Saúde de Goiás, havia sido repassado ao município de Sanclerlândia e acabou sendo utilizado para transportar alunos do Colégio Estadual da Polícia Militar (CEPMG) 5 de Janeiro. A tragédia aconteceu na noite de segunda-feira (1º) e deixou ainda sete estudantes feridos.

Segundo a Agência Goiana de Regulação (AGR), a van não possuía cadastro para realizar transporte intermunicipal de passageiros, requisito obrigatório para esse tipo de serviço. Também não havia registro do veículo como transporte escolar no sistema do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO).

Apesar de circular com identificação de transporte escolar, a van estava registrada em nome do Fundo Estadual de Saúde de Goiás. De acordo com informações que constam no boletim de ocorrência, o veículo foi disponibilizado pela Prefeitura de Sanclerlândia, mas o motorista, de 70 anos, era pago diretamente pelos pais dos estudantes.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que o veículo foi cedido ao município em 2018 e que, desde então, a responsabilidade pela guarda, manutenção e utilização passou a ser da prefeitura.

Já a Prefeitura de Sanclerlândia afirmou que a van havia sido cedida ao Colégio da Polícia Militar por meio da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) até dezembro deste ano. Segundo o município, a entidade era responsável pela operação do veículo, incluindo manutenção, contratação do motorista e seguro.

Polícia investiga condições da viagem

Além da situação documental da van, a Polícia Civil e a Polícia Científica apuram uma série de fatores que podem ter contribuído para o acidente.

van x acidente x GO518
Caminhão que se envolveu em acidente com van escolar não tinha tacógrafo, aponta perícia (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Uma das hipóteses analisadas é a possibilidade de que a visão do motorista da van foi comprometida instantes antes da batida. Segundo informações levantadas durante a apuração, um veículo que seguia no sentido contrário teria passado pelo local com os faróis altos ligados, o que pode ter ofuscado o condutor. O trecho onde ocorreu o acidente é estreito, não possui acostamento e tem baixa iluminação, circunstâncias que podem ter contribuído para a tragédia.

Outra circunstância que chamou a atenção dos investigadores foi a ausência de marcas de frenagem no asfalto. De acordo com a coordenadora regional da Polícia Científica, Núbia Miranda, os levantamentos preliminares indicam que os freios não foram acionados antes do impacto.

A perícia também constatou que nem a van nem o caminhão boiadeiro possuíam tacógrafo, equipamento utilizado para registrar velocidade, tempo de deslocamento e outras informações importantes para a reconstituição de acidentes.

Segundo a Polícia Científica, o equipamento teria ajudado a identificar a velocidade desenvolvida pelos veículos nos instantes que antecederam a colisão.

Além disso, os peritos investigam se o caminhão estava parado ou trafegava em velocidade muito baixa no momento em que foi atingido pela van. A suspeita inicial é de que o veículo de carga estivesse sem sinalização adequada na rodovia.

Os laudos periciais devem ser concluídos em até 30 dias.

Acidente é investigado como homicídio culposo

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pela tragédia. As investigações são conduzidas sob as hipóteses de homicídio culposo e lesão corporal culposa no trânsito, quando não há intenção de matar.

Os motoristas da van e do caminhão prestaram depoimento logo após o acidente. A polícia também vai analisar as condições dos veículos, o uso de cintos de segurança pelos estudantes e outros fatores que possam ter contribuído para a colisão.

Cinco estudantes morreram

A colisão aconteceu quando os alunos retornavam das aulas em Sanclerlândia para Córrego do Ouro. Cinco estudantes morreram no local:

  • Lucas Antônio de Souza Dias, 14 anos;
  • Ezequiel Souza Oliveira, 14 anos;
  • Izadora Monteiro da Silva, 12 anos;
  • Isadora Castro Neves, 12 anos;
  • Maria Carolina Sabino Alves, 11 anos.
Da esqueda para a direita: Ezequiel, Isadora Castro, Isadora Monteiro, Lucas e Maria - (Foto: reprodução/redes sociais)
Da esqueda para a direita: Ezequiel, Isadora Castro, Isadora Monteiro, Lucas e Maria – (Foto: reprodução/redes sociais)

Os velórios foram realizados em Córrego do Ouro e São Luís de Montes Belos.

Dos sete estudantes feridos, quatro receberam alta hospitalar na terça-feira (2). Outros três foram encaminhados para unidades de saúde em Goiânia. Uma menina de 12 anos permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), respirando com auxílio de aparelhos.