Saiba quem foi Fernando Campos; jornalista que lutou pelo esporte a motor em Goiás
Defensor ferrenho do automobilismo, ele morreu nesta segunda-feira (22), aos 86 anos, após dedicar mais de 50 anos ao esporte no estado
Impossível não relacionar o nome Fernando Campos a Goiás e ao jornalista esportivo no estado. Defensor ferrenho do automobilismo, ele morreu nesta segunda-feira (22), aos 86 anos. O anúncio do falecimento foi feito por meio das redes sociais do ex-piloto, que lutava contra a leucemia.
Nascido em Coimbra, Portugal, Fernando Campos mudou-se para Goiás onde iniciou a carreira no jornalismo esportivo na década de 1970, quando atuou como editor de automóveis no jornal O Popular. À época, ele atuou ativamente como incentivador e articulador político para a construção do Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna. A obra começou em 1972, com a pedra fundamental inaugurada por Campos, com a inauguração em 1974.
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“Houve um crescimento decisivo dos esportes a motor regionais. Lembre-se que estávamos em 1974, e um pouco antes disso já havia um automobilismo desenvolvido e bem instituído em Brasília. Embora não tanto como em Brasília, também tínhamos um esporte a motor bom naquela época, não apenas no automobilismo, mas também no motociclismo: éramos muito fortes na preparação e nas corridas de lambretas. Então, com o esporte em franco desenvolvimento no Centro-Oeste e estando a 200 km de Brasília, faria todo o sentido ter um autódromo em Goiânia”, explicou Fernando Campos, em 2024, ao portal Motorsport.

A primeira corrida do autódromo
Lutou por modernizações na praça esportiva, até sediar uma etapa do mundial de MotoGP. Anos depois sediaria também a Stock Car. “Tenho de valorizar a própria inauguração do autódromo. O Luiz Fernando Rocha Lima defendia que a ocasião deveria ser um grande festival de corridas. E foi maravilhoso, lindo, com mais de 60 mil pessoas. A primeira corrida, as 12 Horas de Goiânia, teve a mim como diretor de prova, nomeado pelo Luiz Fernando a apenas cinco dias da prova. Encarei de frente”, relembrou na entrevista.

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Fernando Campos relatou que a primeira corrida do então novo autódromo correu o risco de sequer acontecer. “Aquelas 12 Horas de Goiânia correram o risco de não acontecer por conta da crise do petróleo. Goiânia foi palco de todas as discussões a respeito do que seria o esporte a motor brasileiro em razão dos efeitos daquela situação. Acredito que todos os pilotos se recordam do drama que foi, do risco de estar tudo pronto para correr e não ter a largada. Foi dramático e, de certa forma, inesquecível. Mas largamos e seguimos adiante”, contou ao portal Motorsport.
Em março deste ano, Goiânia voltou a sediar uma etapa do mundial de MotoGP, história que começou em 1987, com Fernando Campos. “Foi a primeira vez que percebemos o que é um evento tão grande como foi com o Mundial de Motociclismo, com as três categorias na pista. A população recebeu muito bem o evento e abraçou o Mundial. A Praça Tamandaré, que já era um ponto de reunião da moçada, virou um frenesi. Todo mundo foi lá para andar de motocicleta. Foi uma explosão de alegria e de liberdade em uma cidade realmente jovem”, relatou na mesma entrevista.
Rodas & Motores

Antes, em 1985, idealizou e dirigiu o “Rodas & Motores”, exibido por décadas no rádio e também na televisão, e que seria outra de suas marcas registradas. O programa foi ao ar nas rádios Araguaia, Cidade, Terra, Executiva, e CBN-Anhanguera e nas emissoras de TV Brasil Central, Goiânia e Anhanguera, colocando Goiás no mapa do esporte a motor.
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“A minha maior participação em meio a tudo isso foi justamente pelo meu jornalismo. Nunca deixei de fazer jornalismo. Em 2023, completei 54 anos de carreira, e isso significa alguma coisa, claro. Tenho o orgulho de ajudar a tornar o automobilismo e o esporte a motor, de forma geral, mais popular graças ao jornalismo”, comentou Campos ao Motorsport, em 2024.

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Recentemente, Campos foi homenageado na revitalização do autódromo, cuja sala de imprensa leva o seu nome. “O governo se mexeu e investiu muito para mudar a estrutura do autódromo, construir novos boxes, uma nova entrada para os boxes, bases importantes de cronometragem, restaurante e uma sala de imprensa grande, muito melhor, com toda a estrutura necessária. E tive a honra de ser homenageado e ter meu nome designado para batizar a sala de imprensa do autódromo. Sem essa tão importante reforma, não estaríamos falando do nosso autódromo como ele é hoje”, concluiu.
Fernando Campos deixa dois filhos. O velório está sendo realizado em Goiânia, no Cemitério Jardim das Palmeiras, desde as 9h, na sala 4 – Tamareira. O sepultamento está previsto para as 15h, no mesmo local.