Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
Copa do Mundo

Salah estará em campo na estreia da seleção do Egito

Ali Gabr, defensor da equipe inglesa West Brom, afirma que estrela da seleção egípcia está bem e vai jogar o Mundial

Por - Goiânia, GO
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O meia-atacante Mohamed Salah, maior estrela da história do futebol egípcio, irá jogar na estreia da seleção de seu país na Copa do Mundo da Rússia. O time enfrenta o Uruguai na próxima sexta (16), em Iekaterinburgo. “Ele está bem e vai jogar”, afirmou à Folha o zagueiro Ali Gabr. Defensor do West Brom (ING), ele veio a Grozni, capital da Tchetchênia onde o Egito terá sua base durante o Mundial, em um voo comercial originário de Moscou. Chegou às 13 horas (7 horas em Brasília), enquanto o avião fretado trazendo o restante da delegação egípcia pousou 15 minutos depois.

Salah é a maior estrela do Liverpool, time inglês pelo qual se machucou jogando a final da Liga dos Campeões da Europa contra o Real Madrid, há duas semanas. Logo no primeiro tempo, ele foi derrubado pelo zagueiro Sergio Ramos e lesionou o ombro. Além de desfalcar o seu clube na derrota por 3 a 1 para os espanhóis, Salah virou dúvida para a Copa. Até a semana passada, especulava-se que ele só iria estar apto a entrar em campo na segunda partida dos egípcios, contra a Rússia. O grupo ainda tem a Arábia Saudita, que fará a abertura da Copa contra os anfitriões na quinta (14).

Os “faraós”, como são conhecidos, foram recebidos pelo embaixador do Egito na Rússia e uma série de autoridades numa cerimônia fechada. O esquema de segurança foi reforçado, com cinco soldados fortemente armados do Exército russo e vários seguranças, em cinco vans e quatro carros de polícia que fizeram a escolta do ônibus da delegação. O Egito vai ficar em um hotel de luxo construído para o time, o The Local, e treinará no estádio Akhmat.

A presença do Egito em Grozni agitou a rotina da cidade e provocou algumas polêmicas. República integrante da Federação Russa, a Tchetchênia foi palco de duas sangrentas guerras de secessão contra Moscou nos anos 90, encerradas enfim com a ascensão de Akhmat Kadirov ao poder. Ele acabou morto por rivais islâmicos em 2004, e desde 2007 o país é governado com mão de ferro pelo seu filho, Ramzan. Seu regime é visto por entidades de direitos humanos como repressivo e abusivo, e o Egito foi criticado por ter aceitado o convite de ficar baseado na cidade.

Segundo a Human Rights Watch, entidade referência na área, Kadirov está sendo recompensado indevidamente por uma política que inclui a perseguição de gays no país. Por outro lado, a Tchetchênia é solo muçulmano, e o Kremlin tem usado Kadirov como contato em suas negociações com os países do Golfo Pérsico. O centro da cidade, destruído nas guerras civis, foi reconstruído com ajuda de países como os Emirados Árabes Unidos. O rumor na cidade é de que são os xeques do Golfo que estão pagando a conta da luxuosa hospedagem dos “faraós”, assim como vários outros investimentos.

Por sua vez, o presidente islamizou a sociedade com uma vertente mais moderada da religião, ligada ao ramo sufi. Com isso, mantém laços com outras nações islâmicas e afasta seus rivais separatistas que costumam esposar versões radicais do islamismo, como o wahhabismo saudita. Além disso, o próprio Kadirov, que tem apenas 41 anos, é fanático por futebol. Em 2011, ele reuniu remanescentes do Brasil pentacampeão de 2002 para um jogo em Grozni no qual ele foi o capitão do time adversário -perdeu de 6 a 4, não sem antes converter dois pênaltis cedidos pelos visitantes, numa cena que emulou as falsas competições de que participava o ditador Idi Amin Dada na Uganda dos anos 1970.

Além disso, Kadirov renomeou o estádio local e o time da cidade para homenagear seu pai -Akhmat dá nome a tudo em Grozni, de ruas a ginásios do esporte nacional, a luta greco-romana. No FC Akhmat, que disputa a primeira divisão russa, jogam quatro brasileiros, que estão de férias como o resto do time. A arena em que o Egito treinará foi o palco do assassinato do pai do presidente, em 2004, em um atentado a bomba. Ela foi remodelada em 2011, triplicando a capacidade para 30 mil lugares, ou quase 10% da população da capital. Com efeito, se em sedes da Copa como Moscou mal se nota o fato de que o campeonato começará em menos de uma semana, em Grozni a cidade toda está enfeitada com bandeiras do Egito, da Rússia e da Tchetchênia, além de banners do Mundial.

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