Levar o celular pra cama reduz frequência de sexo entre casais, diz pesquisa
Uso de telas antes de dormir pode diminuir a conexão entre parceiros
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O celular virou companhia constante na rotina de muitos casais — inclusive na hora de dormir. O hábito de levar o aparelho para a cama, porém, pode ocupar o tempo que seria dedicado ao parceiro e estar associado a uma menor frequência de relações sexuais. Um levantamento do Institute for Family Studies, publicado em 2023, chama atenção para os efeitos do uso de telas antes de dormir na conexão entre casais.
Além de disputar a atenção com o parceiro, o celular pode contribuir para a chamada procrastinação do sono, quando a pessoa adia voluntariamente o horário de dormir para continuar navegando, assistindo a vídeos ou conversando pelo aparelho.
Quando o comportamento faz parte da rotina dos dois, o quarto pode acabar se tornando um espaço de convivência paralela: cada um na própria tela, mesmo estando lado a lado.
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Celular pode afetar intimidade do casal
O impacto do uso excessivo do celular não estaria restrito à vida sexual. Para a terapeuta de casais Anna Elton, a falta de momentos de conexão pode fazer com que os parceiros passem, aos poucos, a viver “vidas paralelas”.
A rotina também pesa. Trabalho, tarefas domésticas, filhos, preocupações financeiras e outras responsabilidades reduzem os momentos destinados exclusivamente ao casal. Quando o pouco tempo disponível é ocupado pelas telas, demonstrações de carinho, contato físico, flerte e conversas descontraídas podem perder espaço.
A questão, portanto, não seria apenas quanto sexo o casal faz, mas quanto tempo os dois conseguem dedicar um ao outro sem outras distrações.
Frequência de relações sexuais caiu entre casados
Dados reunidos pelo Institute for Family Studies apontam uma queda na proporção de pessoas casadas que afirmavam manter relações sexuais semanalmente.
Entre 1996 e 2008, o percentual era de 59%. Já entre 2010 e 2014, caiu para 49%.
Os números não permitem atribuir essa queda exclusivamente ao uso de celulares, mas fazem parte de um cenário de mudanças nos hábitos de intimidade e relacionamento.
Outro levantamento, da plataforma Simple Texting, mostrou como o telefone ganhou espaço na vida cotidiana: 40% dos adultos entrevistados disseram que prefeririam passar um ano sem sexo a ficar um ano sem o celular.
Como recuperar a conexão no relacionamento
Para Anna Elton, melhorar a vida sexual não significa apenas tentar aumentar a frequência das relações. O primeiro passo seria reconstruir a proximidade emocional entre os parceiros.
Uma das medidas mais simples é estabelecer momentos sem celular, especialmente antes de dormir. Deixar os aparelhos longe da cama pode abrir espaço para conversas, carinho, contato físico e outras formas de intimidade.
A recomendação é que o casal converse sobre o que considera uma relação satisfatória e combine mudanças possíveis para recuperar esses momentos de conexão.
Nesse contexto, a vida sexual pode ser entendida como parte de uma intimidade mais ampla. Menos tempo diante das telas e mais atenção ao parceiro podem ajudar a criar espaço para que a proximidade volte a fazer parte da rotina.