Por que Goiás está tão quente? Entenda o fenômeno que deixa o Estado com “cara de deserto”
Temperaturas próximas dos 40°C e umidade do ar entre 12% e 15% são previstas para os próximos dias; combinação de calor, pouca chuva e ar seco é típica do período de estiagem
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Quem vive em Goiás já está acostumado com o calor e o tempo seco nesta época do ano. Mas os últimos dias têm levado essa combinação a níveis ainda mais extremos. O Estado deve registrar temperaturas próximas dos 40°C, enquanto a umidade relativa do ar pode cair para 12% a 15% em algumas regiões, segundo previsões do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).
O cenário faz Goiás ganhar, por alguns dias, uma aparência quase desértica: céu praticamente sem nuvens, vegetação ressecada, poeira, gramados amarelados e aquela sensação de que o ar desapareceu.
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“Neste tempo seco e quente, a gente trabalha fatigado. Passa o dia todo bebendo água e, ainda assim, o corpo não responde”, explica o zelador de um condomínio fechado em Goiânia, Elenilson Soares, de 45 anos.
Mas, afinal, por que está tão quente e seco?
Massa de ar quente e seco
A principal explicação está na atuação de uma massa de ar quente e seco, associada a áreas de alta pressão que dificultam a formação de nuvens e a ocorrência de chuva. Com menos nebulosidade, há maior incidência de radiação solar durante o dia, contribuindo para a elevação das temperaturas.
Esse tipo de situação é comum durante o período de estiagem no Centro-Oeste. O inverno goiano costuma ser marcado por poucas chuvas, baixa umidade e grande amplitude térmica, com manhãs relativamente amenas e tardes muito quentes.
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Dados meteorológicos já apontavam a consolidação do período seco em Goiás desde o início do inverno, com atuação de massas de ar seco e sistemas de alta pressão reduzindo a umidade e a nebulosidade.
O fenômeno atual, porém, ganhou força. Um período de calor intenso entre 12 e 19 de agosto vem atingindo diferentes áreas do interior do país, com temperaturas acima da média e possibilidade de novos recordes em algumas capitais, entre elas Goiânia.
Por que o ar fica tão seco?
Quando chove pouco durante vários dias, diminui também a quantidade de água disponível para retornar à atmosfera por evaporação. A vegetação perde umidade, o solo fica mais seco e o ar apresenta cada vez menos vapor de água.
É aí que aparece um dos principais problemas do período: a umidade relativa do ar pode despencar durante as tardes.
Em Goiás, o Cimehgo prevê índices entre 12% e 15% em algumas regiões nos próximos dias.
Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde considera que níveis muito baixos de umidade podem aumentar o desconforto e favorecer problemas respiratórios. Na prática, quem vive esses dias percebe o efeito rapidamente: olhos irritados, garganta seca, pele ressecada e maior dificuldade para respirar.
E por que Goiás fica com “cara de deserto”?
Não é apenas impressão. A ausência prolongada de chuva transforma a paisagem. O verde intenso desaparece, a vegetação fica amarelada e folhas começam a cair. Em áreas rurais, o solo perde umidade e a vegetação seca se transforma em combustível para incêndios.
O incêndio que atingiu a região do Parque Estadual de Terra Ronca, por exemplo, destruiu mais de 10 mil hectares e ocorreu justamente durante esse período de estiagem.
Quem sente o calor na pele
Enquanto os termômetros se aproximam dos 40°C, há quem não tenha escolha a não ser enfrentar o calor diariamente.
Zelador há 10 anos do condomínio, Soares trabalha, nesta época do ano, com o corpo completamente coberto. “E olho que eu ainda passo filtro solar”, revela.
O funcionário trabalha das 8 às 19 horas, diariamente. Nos períodos de calor mais intenso, por volta de meio-dia, ele evita afazeres sob a luz solar. “Trabalho com todos os EPIs. Fico bem camuflado. Ainda assim, é difícil. O sol não está para brincadeira.”