Primeiro caixa eletrônico do mundo completa 60 anos em 2027; veja como funcionava
Instalado em Londres, equipamento liberava uma única nota de 10 libras e funcionava com comprovantes de papel; novidade chegou ao Brasil em 1983
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O primeiro caixa eletrônico do mundo completará 60 anos em 27 de junho de 2027. Instalado em uma agência do banco Barclays, em Enfield, nos arredores de Londres, na Inglaterra, o equipamento permitiu, pela primeira vez, que clientes retirassem dinheiro sem depender do atendimento de funcionários bancários. A invenção, registrada pelo Guinness World Records, funcionava de maneira bastante diferente das máquinas atuais: não utilizava cartões e liberava apenas uma nota de 10 libras por operação.
O primeiro saque foi realizado em 27 de junho de 1967 pelo ator britânico Reg Varney, convidado pelo Barclays para apresentar a novidade ao público. O momento foi registrado por fotógrafos e jornalistas e marcou o início da expansão dos serviços bancários de autoatendimento.
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Naquela época, quem precisava sacar dinheiro tinha de comparecer a uma agência durante o expediente. Fora do horário bancário, não havia a possibilidade de retirar recursos diretamente da conta.
A máquina instalada em Enfield mudou essa rotina. Os clientes recebiam comprovantes especiais de papel, semelhantes a cheques, que eram inseridos no equipamento. O sistema verificava o documento e uma senha numérica de quatro dígitos antes de liberar o dinheiro.
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Depois de cada operação, o comprovante ficava retido na máquina e o cliente recebia uma nota de 10 libras.
Ideia surgiu após inventor encontrar banco fechado
O equipamento foi desenvolvido pelo inventor escocês John Shepherd-Barron, que trabalhava na empresa britânica De La Rue, especializada na impressão de documentos de segurança e papel-moeda.
Segundo relato do próprio inventor, a ideia surgiu depois que ele chegou a uma agência bancária e a encontrou fechada, ficando sem acesso ao dinheiro que precisava retirar.
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Shepherd-Barron imaginou um sistema semelhante às máquinas automáticas de venda de chocolates, mas que entregasse cédulas em vez de alimentos.
A proposta foi apresentada ao Barclays, que financiou o desenvolvimento do equipamento.
Inicialmente, o inventor havia considerado utilizar uma senha de seis dígitos. A sugestão de reduzir o código para quatro números partiu de sua esposa, que argumentou ser mais fácil memorizar uma sequência menor.
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O sistema foi batizado de De La Rue Automatic Cash System (DACS).
Embora já existissem experiências anteriores de automação bancária, incluindo equipamentos para receber depósitos, a máquina do Barclays é reconhecida pelo Guinness como o primeiro caixa eletrônico a disponibilizar dinheiro diretamente aos clientes.
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Caixas eletrônicos chegaram ao Brasil em 1983
O sucesso da experiência britânica levou outros países a adotar a tecnologia. Segundo o Guinness World Records, máquinas semelhantes foram instaladas na França, Suécia e Suíça no ano seguinte. Estados Unidos e Japão receberam seus primeiros equipamentos em 1969.
No Brasil, a instalação do primeiro caixa eletrônico ocorreu em 1983, conforme a linha do tempo histórica da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A tecnologia passou por mudanças nas décadas seguintes. Os comprovantes de papel deram lugar aos cartões bancários, enquanto os equipamentos ganharam recursos para consultas de saldo, transferências, pagamentos, depósitos e outras operações.
Os terminais também passaram a utilizar tecnologias de segurança, como leitura de cartões com chip, senhas e identificação biométrica.
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A agência do Barclays onde foi instalado o primeiro equipamento continua sendo reconhecida como um marco da história bancária. Em 1992, o prédio recebeu uma placa comemorativa. Em 2023, foi incluído na lista de imóveis protegidos pelo patrimônio histórico britânico.
A máquina original já foi retirada do local.

Pix mudou a relação dos brasileiros com o dinheiro
Quase seis décadas depois da criação do caixa eletrônico, os serviços bancários atravessam outra transformação, desta vez impulsionada pelos pagamentos digitais e pelo uso de aplicativos de celular.
No Brasil, o Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, tornou-se um dos principais meios de pagamento.
Dados do Banco Central mostram que o sistema registrou mais de 7,8 bilhões de transações somente em setembro de 2026, movimentando mais de R$ 3,8 trilhões naquele mês.
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A mudança também aparece no comportamento dos consumidores. Pesquisa realizada pelo Banco Central em 2024 mostrou que o Pix já era o meio de pagamento utilizado com maior frequência por 46,1% dos entrevistados, superando o dinheiro em espécie.
Apesar da expansão dos serviços digitais, os caixas eletrônicos continuam sendo utilizados para saques e outras operações bancárias.
O equipamento que começou com a entrega de uma única nota de 10 libras, em 1967, abriu caminho para o autoatendimento financeiro que hoje também acontece pela internet e pelos aplicativos bancários.