O projeto de restauração do Cerrado que chamou a atenção da ONU e virou referência mundial
Iniciativa foi escolhida como uma das três referências mundiais em restauração de ecossistemas
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Uma iniciativa brasileira voltada à restauração e conservação do Cerrado foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três referências mundiais em restauração de ecossistemas. A rede Araticum – Articulação pela Restauração do Cerrado recebeu, nesta quarta-feira (26), o prêmio World Restoration Flagship, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
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O anúncio foi feito durante a COP17, conferência internacional dedicada ao combate à desertificação, realizada na Mongólia. Além da iniciativa brasileira, foram reconhecidos projetos desenvolvidos no Sahel, na África, e na Arábia Saudita, regiões que também enfrentam problemas relacionados à seca, desertificação e mudanças climáticas.
É a segunda vez que uma iniciativa brasileira recebe o reconhecimento da ONU nessa premiação.
Projeto atua em nove estados e no Distrito Federal
Criada em 2020, a Araticum reúne organizações e iniciativas dedicadas à recuperação do Cerrado e atualmente monitora cerca de 27 mil hectares do bioma.
A atuação alcança o Distrito Federal e nove estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Tocantins.
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O trabalho envolve diferentes técnicas de restauração, como regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas.
A proposta não se limita à recuperação da vegetação. As ações também buscam fortalecer comunidades que vivem nos territórios, combinando restauração ambiental com geração de renda, autonomia e valorização dos conhecimentos locais.
Meta é recuperar 2 milhões de hectares do Cerrado
Um dos principais objetivos da Araticum é ampliar significativamente a área restaurada. A rede estabeleceu a meta de recuperar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030.
A área corresponde aproximadamente ao tamanho do estado de Sergipe.
Para alcançar esse objetivo, a articulação reúne atualmente 180 organizações, entre representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil e instituições públicas e privadas.
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Por que restaurar o Cerrado é tão importante?
O reconhecimento da ONU ocorre em um momento de grande pressão sobre o bioma. O Cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, principalmente em razão da conversão de áreas naturais para diferentes usos do solo.
Além de abrigar uma das maiores biodiversidades do país, o bioma exerce uma função essencial na regulação hídrica. Suas áreas naturais contribuem para o abastecimento de importantes bacias hidrográficas brasileiras e também desempenham papel no sequestro e armazenamento de carbono.

A degradação do Cerrado, portanto, afeta não apenas a fauna e a flora, mas também a disponibilidade de água, a produção de alimentos, as comunidades tradicionais e a capacidade de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Segundo a Embrapa, o avanço da conversão e da fragmentação do solo já provocou uma redução de cerca de 50% da vegetação nativa do bioma.
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Reconhecimento pode ajudar a ampliar investimentos
Para integrantes da Araticum, o prêmio da ONU pode aumentar a visibilidade das iniciativas de restauração e contribuir para a criação de políticas públicas e novos investimentos voltados à recuperação do Cerrado.
A coordenadora da rede, Fabrícia Santarém, destacou a participação de povos e comunidades tradicionais no processo de restauração e afirmou que o reconhecimento reforça o papel dessas populações como protagonistas na conservação do bioma.
A secretária-executiva da Araticum, Carol Sacramento, também ressaltou que a restauração pode contribuir para a segurança hídrica, a resiliência climática e a redução das desigualdades sociais.
O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Daniel Vieira explicou que restaurar o Cerrado não significa apenas plantar árvores, mas recuperar o funcionamento dos ecossistemas e os serviços que eles oferecem às populações.
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ONU destaca importância da restauração
A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que investir na recuperação de áreas degradadas é uma das principais formas de enfrentar ameaças como a desertificação e as mudanças climáticas.
Segundo ela, as três iniciativas reconhecidas pela ONU demonstram que a restauração de ecossistemas pode gerar benefícios que vão além da conservação ambiental, incluindo segurança alimentar, geração de empregos e maior resiliência para milhões de pessoas.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, também destacou o reconhecimento como um sinal da retomada de políticas ambientais no Brasil.
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