Espécie do Cerrado com apenas 11 exemplares na natureza entra em lista de iniciativa global; conheça
Imagens mostram ave que ficou desaparecida por 75 anos; rolinha-do-planalto já foi vista em Goiás
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Uma das aves mais raras do Brasil está entre as 100 espécies ameaçadas de extinção escolhidas para receber apoio do Phoenix Species Project, iniciativa global criada para tentar recuperar animais e plantas que estão à beira do desaparecimento na natureza. Entre elas está a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), espécie do Cerrado brasileiro que teve apenas 11 indivíduos adultos registrados no censo realizado em 2025.
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O Phoenix Species Project é liderado pela organização ambiental Re:wild, cofundada pelo ator e ambientalista Leonardo DiCaprio, e pelo Bezos Earth Fund, com colaboração da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A iniciativa começa com um compromisso de US$ 200 milhões, considerado o maior investimento filantrópico individual já dedicado exclusivamente à recuperação de espécies criticamente ameaçadas ou extintas na natureza.
Ao todo, o projeto reúne espécies de 30 países e diferentes grupos de animais e plantas. O trabalho deverá envolver mais de 100 parceiros internacionais, entre governos, pesquisadores, organizações de conservação, comunidades locais e povos indígenas.
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Entre as ações previstas estão programas de reprodução sob cuidados humanos, translocação de animais, controle de espécies invasoras, manejo de doenças e restauração de habitats. A proposta é dar suporte contínuo aos projetos de conservação, especialmente para espécies que chegaram a populações extremamente pequenas.
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Rolinha-do-planalto ficou 75 anos sem ser registrada
A história da rolinha-do-planalto ajuda a explicar por que a ave foi incluída na lista. A espécie foi descrita originalmente a partir de exemplares coletados no século 19, mas passou décadas sem registros confiáveis. Ela ficou desaparecida da natureza por cerca de 75 anos, até ser redescoberta em 2015 pelo ornitólogo Rafael Bessa, em Botumirim, no norte de Minas Gerais, região de Cerrado na Serra do Espinhaço.
A redescoberta trouxe esperança, mas também revelou a situação extremamente delicada da ave. No censo de 2025, foram encontrados apenas 11 indivíduos adultos no ambiente natural. A população conhecida está concentrada na região de Botumirim, onde ações específicas de proteção são realizadas pela SAVE Brasil.
A rolinha-do-planalto também já foi registrada em Goiás. Os registros conhecidos no estado são antigos e ocorreram no sudeste goiano, entre 1940 e 1941, quando dois exemplares foram coletados.
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A SAVE Brasil mantém uma reserva privada de 593 hectares para proteger o habitat da espécie e também atua em parceria com o Parque Estadual de Botumirim, que possui mais de 35 mil hectares. Além do monitoramento da população e dos ninhos, existe um programa de conservação fora da natureza para formar uma população de segurança.
A rolinha-do-planalto mede entre 15,5 e 17 centímetros e tem a plumagem predominantemente castanha. Os olhos azul-escuros e as manchas em tom azul-cobalto nas asas contrastam com o restante do corpo. A espécie, conhecida também como rolinha-de-janeiro, rolinha-brasileira e pombinha-olho-azul, é granívora, ou seja, alimenta-se principalmente de sementes.
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Primeiro filhote nasceu sob cuidados humanos
Uma das principais esperanças para a sobrevivência da espécie veio da reprodução sob cuidados humanos. Em 2025, foi registrado pela primeira vez no mundo o nascimento de um filhote de rolinha-do-planalto cujos pais também eram mantidos sob cuidados humanos. Naquele ano, o grupo mantido fora da natureza chegou a seis indivíduos.
O objetivo é criar uma população de segurança, capaz de preservar o patrimônio genético da espécie e, no futuro, ajudar na recuperação da população selvagem.
Além da rolinha-do-planalto, outras espécies brasileiras também aparecem entre as 100 selecionadas pelo projeto, como o muriqui-do-norte, a perereca-pintada-do-rio Pomba, o sapinho-da-restinga e a saíra-apunhalada.
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