Restrição temporária

Devedores de pensão podem ser impedidos de entrar em estádios de futebol; entenda

Proposta em tramitação no Congresso prevê que Justiça restrinja o acesso dos inadimplentes como forma de pressionar o pagamento

Devedores de pensão podem ser impedidos de entrar em estádios de futebol; entenda
Texto começou a tramitar na Câmara dos Deputados e passará por discussão nos próximos dias (Foto: Marcelo Camargo/ABR)

A Câmara dos Deputados vai discutir nos próximos dias a possibilidade de impedir o acesso de devedores de pensão alimentícia a estádios de futebol e outros eventos esportivos. A ideia foi apresentada por meio de um projeto de lei assinado pela deputada federal federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

O texto propõe alterações no Código de Processo Civil e na Lei Geral do Esporte para permitir que a Justiça determine a restrição temporária de acesso a arenas e competições esportivas para pessoas que estejam inadimplentes com suas obrigações.

SAIBA MAIS:

A proposta estabelece que, durante a execução judicial da dívida, o juiz poderá adotar a medida como forma de coerção para estimular o pagamento da pensão. Pelo texto, organizadores de eventos e administradores de estádios deverão criar mecanismos para cumprir as decisões judiciais, incluindo sistemas de identificação dos torcedores.

Ainda de acordo com a proposta, nos locais onde não houver tecnologia biométrica ou eletrônica disponível a conferência poderá ser feita manualmente por meio de documentos de identificação apresentados na entrada.

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A iniciativa surge em meio ao aumento do número de processos relacionados à pensão alimentícia no país. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que 274.222 ações desse tipo tramitaram apenas no primeiro semestre de 2024, o equivalente a uma média de 1.515 novos processos por dia.

O crescimento da judicialização tamébm reflete a dificuldade enfrentada por milhares de famílias para garantir o recebimento dos valores destinados ao sustento de crianças e adolescentes. Na justificativa do projeto, a parlamentar argumenta que o abandono financeiro dos filhos é uma realidade em diversas regiões do Brasil e que a responsabilidade pelo sustento acaba recaindo, na maioria dos casos, sobre as mães.

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Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, as mulheres já chefiavam 49,1% das famílias brasileiras, totalizando cerca de 7,8 milhões de lares. Entre as mães solo em situação de vulnerabilidade e pobreza, as mulheres negras representam 64,4% do total.

Para Sâmia Bomfim, quem deixa de cumprir a obrigação alimentar não deve continuar frequentando eventos de lazer sem qualquer consequência. A deputada defende que a medida não substitui os mecanismos já existentes, mas amplia os instrumentos disponíveis para garantir o pagamento da pensão. “Pensão alimentícia não é ajuda, nem gentileza, é obrigação”, afirmou.

Além do projeto de Sâmia Bomfim, outras duas propostas semelhantes também tramitam no Congresso Nacional. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou um projeto que que igualmente prevê restrições de acesso a arenas esportivas para devedores de pensão.

Já a deputada Carol Dartora (PT-PR) protocolou uma outra proposta que determina a adoção obrigatória de sistemas biométricos em arenas com capacidade superior a 20 mil pessoas, integrados às bases de dados do Poder Judiciário para identificação de inadimplentes.

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O processos aguardam despacho do presidente da Casa, deputado Hugo Motta. Nos próximos dias, as iniciativas devem ser enviadas às comissões temáticas do Legislativo onde será analisada a constitucionalidade de cada uma delas antes de seguirem para a fase de discussão e votação em Plenário.