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Em contraponto ao bolsonarismo, Brasília sedia encontro nacional de evangélicos do PT

Evento realizado na sede nacional do partido discute democracia, justiça social e a relação entre fé e política

Imagem ilustrativa mostra manifestantes do PT
encontro tem como tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026” (Foto: Divulgação/PT)

Em contraponto ao protagonismo de setores conservadores no meio evangélico, Brasília sedia nesta segunda-feira (8/6) o IV Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT. O evento reúne lideranças religiosas, parlamentares, pesquisadores, comunicadores e representantes de movimentos sociais de diversas regiões do país. A ideia é debater os desafios da democracia, a disputa de valores na sociedade e os caminhos para as eleições de 2026.

Realizado na sede nacional do partido, o encontro tem como tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”. A expectativa dos organizadores é que, ao final da programação, seja apresentada uma carta pública reunindo reflexões e compromissos construídos ao longo do encontro. O documento deverá reafirmar a defesa da democracia, da soberania nacional, da justiça social, da dignidade humana e da valorização da vida.

SAIBA MAIS:

Uma das representantes da bancada goiana que deve marcar presença no encontro é a vereadora e presidente do PSB em Goiás, Aava Santiago. A previsão é que a parlamentar participe da mesa de conjuntura política “Eleições 2026, democracia e disputa de valores”. O encontro teve início às 8h e deve se estender até às 17h.

O debate contará ainda com a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva; da senadora Eliziane Gama; a deputada federal Benedita da Silva; a ex-ministra e deputada federal Marina Silva; além de pastores, pesquisadores e representantes de organizações evangélicas de todo o país.

Desde as eleições de 2022, Aava tem participado de encontros, articulações e discussões voltadas à ampliação do diálogo entre setores democráticos e a população evangélica brasileira. A ideia, segundo ela, é fortalecer um segmento que, muitas vezes, é tratado de forma homogênea no debate público.

Aava ganhou ainda mais projeção ao debater assunto no programa Conversa com Bial, da Rede Globo (Foto: Divulgação)

“Durante muito tempo, falar sobre os evangélicos no Brasil significou ouvir sempre as mesmas vozes. Este encontro mostra que existe uma diversidade enorme dentro das igrejas e que milhões de cristãos defendem a justiça social, o combate à fome, a dignidade humana e os valores democráticos. Nós existimos, estamos organizados e queremos participar da construção dos rumos do país”, afirmou.

A vereadora também avalia que a comunicação com o segmento evangélico será uma das questões centrais do debate político nos próximos anos. “Não é possível compreender o Brasil sem compreender os evangélicos. Estamos falando de milhões de brasileiros que vivem a sua fé de formas diferentes e que não podem ser reduzidos a estereótipos”, defendeu.

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Em outro trecho, Aava chama atenção para a necessidade de construir pontes, ampliar o diálogo e enfrentar a lógica daqueles que transformaram a religião em negócio e os púlpitos em plataformas de poder. “Por isso, dialogar com os evangélicos é uma tarefa democrática e indispensável para quem deseja construir um país mais justo”, concluiu.

Na esteira

O encontro ocorre dias depois da famosa Marcha para Jesus, uma das maiores manifestações públicas do segmento evangélico realizada anualmente em diversas cidades do país. Nos últimos anos, o evento tem sido cada vez mais associado à participação de lideranças políticas, especialmente ligadas à direita.

Flávio Bolsonaro ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, na Marcha para Jesus de 2026 (Foto: Divulgação)

Na edição de 2026, realizada na última quinta-feira (4/6), em São Paulo, a Marcha para Jesus contou com a presença do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Durante sua participação, o parlamentar fez um discurso, considerado por muitos, como altamente político.

Na ocasião, Flávio afirmou que o “mal vai ser expulso do governo do Brasil” e acrescentou que o país vive uma “guerra espiritual”. O evento reuniu milhares de fiéis na capital paulista. “Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual. A maior resposta que podemos dar ao mal, que vai ser expulso do governo do Brasil este ano”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da Marcha para Jesus. Ao justificar a ausência, afirmou que decidiu não comparecer para evitar a impressão de que estaria tentando obter ganhos políticos a partir de uma manifestação religiosa.

“Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, disse Lula, em telefonema ao apóstolo Estevam Hernandes, uma das principais lideranças responsáveis pela organização do encontro.

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