Lula cogita trocar comando do marketing e chamar velho conhecido para campanha no 2º turno
Presidente avalia mudanças na comunicação após terminar primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia promover mudanças na equipe de marketing de sua campanha e chamar o publicitário João Santana para atuar na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A possível reformulação ocorre após o petista terminar o primeiro turno atrás do adversário e em meio a críticas internas à estratégia de comunicação adotada até agora.
A possibilidade de mudança foi revelada pela jornalista Bela Megale, de O Globo, nesta segunda-feira (5). A entrada de João Santana também foi confirmada em apuração do Metrópoles, segundo a qual emissários ligados ao presidente foram escalados para sondar o publicitário. Atualmente, o marketing da campanha petista é comandado por Raul Rabelo.
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Rabelo é sócio do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, que também exerceu influência sobre a estratégia de comunicação eleitoral do presidente. Uma ala do PT e integrantes do governo defendem que João Santana assuma o comando do marketing nesta segunda etapa da disputa.
A eventual troca ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, conforme a apuração praticamente concluída divulgada após a eleição. Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.
Campanha discute mudanças
O resultado provocou uma revisão da estratégia petista para as três semanas restantes de campanha. Integrantes da candidatura reconhecem problemas na comunicação durante o primeiro turno e defendem mudanças na estrutura responsável pela campanha.
Segundo a Folha de S.Paulo, dirigentes petistas apontam falta de coordenação entre diferentes núcleos da comunicação, dificuldades na distribuição de materiais e demora na definição de uma estratégia mais agressiva contra Flávio Bolsonaro. O desempenho abaixo do esperado em estados eleitoralmente importantes, como São Paulo e Minas Gerais, também entrou na avaliação.
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Nesta segunda-feira, Lula convocou aliados para discutir os rumos da campanha. Uma reunião com candidatos e integrantes do conselho político foi marcada para Brasília, com a revisão da comunicação entre os principais assuntos em discussão. Aliados ouvidos pelo SBT News classificam o processo como uma espécie de “recall” da campanha do primeiro turno.
Além de mudanças na comunicação, a campanha deve intensificar a busca pelo apoio de partidos e lideranças de centro e trabalhar na comparação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Quem é João Santana
João Santana é um dos publicitários mais conhecidos da história recente das campanhas eleitorais brasileiras e já comandou o marketing de Lula.
Baiano, Santana integrou a equipe responsável pela campanha que reelegeu Lula à Presidência em 2006. Posteriormente, comandou as campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (PT) em 2010 e 2014.
O publicitário também trabalhou em campanhas eleitorais em outros países da América Latina e da África. Sua trajetória política, porém, ficou marcada pelas investigações da Operação Lava Jato. Santana e a mulher e sócia, Mônica Moura, foram presos em 2016 e posteriormente firmaram acordo de colaboração premiada.
A eventual entrada de Santana representaria, portanto, o retorno de um antigo estrategista eleitoral de Lula justamente no momento em que a campanha busca uma reação após o desempenho do primeiro turno.
Lula promete “nova campanha”
Na noite de domingo, após a confirmação do segundo turno, Lula já havia indicado que pretende adotar uma postura diferente nesta etapa da eleição.
Em discurso após a votação, o presidente afirmou que uma “nova campanha” começaria e sinalizou que pretende aumentar o contraste entre sua candidatura e a de Flávio Bolsonaro. Lula também disse que buscará eleitores que não compareceram ao primeiro turno.
A estratégia deverá ser discutida ao longo desta segunda-feira com dirigentes partidários e aliados. Além da reformulação do marketing, integrantes da campanha avaliam ampliar a participação de lideranças políticas e reorganizar a comunicação para a disputa direta com o candidato do PL.