Lula começa campanha em tom nostálgico e cobra militância por comparações com governo Bolsonaro
Presidente discursou em São Bernanrdo do Campo lembrando atuação sindical na ditadura e comparou resultados com o mandato do antecessor
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SÃO BERNARDO DO CAMPO E BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – O presidente Lula lançou sua candidatura à reeleição na cidade de São Bernardo do Campo (SP) neste domingo (16), em ato público que apelou para a nostalgia da militância, evocando o passado de sindicalista do presidente e os feitos de mandatos anteriores.
No ato que tinha o mote “Brasil pronto para mais”, Lula contou histórias do tempo de sindicalista e citou feitos de gestões anteriores, como a transposição do Rio São Francisco e a construção de universidades e institutos federais.
Em discurso de 35 minutos, prometeu criar um ministério da Segurança Pública e garantir a exploração dos minerais estratégicos –utilizados em equipamentos de alta tecnologia– em benefício da população brasileira.
O palco do evento foi o estádio da Vila Euclides, que sediou assembleias dos metalúrgicos do ABC Paulista no fim da ditadura militar, nos anos 1970. Ao falar, Lula lembrou detalhes da mobilização da época, e se emocionou ao falar da mãe, dona Lindu, que morreu quando ele estava preso, em 1980.
O presidente, em sua fala, ainda trouxe à tona um ressentimento com o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Lula citou que o delegado Romeu Tuma permitia que ele visitasse a mãe quando estava preso, durante a ditadura, mas Toffoli não permitiu que ele fosse ao enterro do irmão, Vavá, quando estava preso pela Operação Lava Jato, em janeiro de 2019.
“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia pra ir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia pra vir no enterro do meu irmão Vavá”, disse.
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Durante o comício, o presidente fez uma rara menção ao câncer de pele que o atingiu no couro cabeludo e agora o obriga a usar chapéu. “Eu diz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele, e não posso tomar sol na cabeça, mas vou desafiar a minha saúde e tirar o chapéu para vocês”, disse, se dirindo ao público presente.
Ele também citou os mortos na pandemia e criticou o governo Jair Bolsonaro (PL), atribuindo ao antecessor parte da responsabilidade pelas mortes.
Lula prometeu apresentar em até 15 dias o plano de governo e cobrou que a militância saiba de cor a comparação de números com o governo Bolsonaro. “Vocês têm que estar preparados para saber algumas coisas”, disse, logo antes de citar números na educação, no emprego, na inflação e medidas pontuais como o fim do Imposto de Renda sobre salários de até R$ 5.000.
O candidato à reeleição entrou no palco montado no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), por volta das 10h47. Ele caminhou e apertou a mão das pessoas aglomeradas nas bordas do palanque ao som de “Olê, olê, olá, Lula, Lula”.
As arquibancadas do estádio, com capacidade para 12,5 mil pessoas, lotaram antes do início do evento. O público preencheu parte do gramado, que apresentava 12 tendas com copos d’água para hidratação, e ficou debaixo de forte sol – a máxima prevista para a tarde foi de 26 ºC. Os portões do estádio abriram por volta de 8h, mas grande parte dos presentes começou a chegar após às 9h.
O ato é realizado logo no primeiro dia em que a Justiça Eleitoral permite que os candidatos possam pedir votos. A campanha esperava reunir entre 20 mil e 30 mil pessoas no estádio e organizou caravanas vindas de outros estados para evitar que o evento seja esvaziado.