Em discussão

Ministro diz que fim da escala 6×1 pode impulsionar economia, em vez de retardá-la

Titular do Ministério do Trabalho e Emprego diz que redução da jornada é "cultural" e aponta dados que indicam ganhos de produtividade

Imagem mostra trabalhadores durante ato em defesa do fim da escala 6x1
Marinho ressalta que atual modelo surgiu em um contexto de baixa tecnologia (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, fez uma defesa contundente da proposta em tramitação no Congresso Nacional que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. Segundo ele, ao contrário das críticas que apontam possíveis prejuízos ao setor produtivo, a medida pode, na verdade, estimular a economia. “Tempo livre também movimenta a economia”, afirmou.

Ao comentar o assunto o ministro classificou a mudança como uma transformação cultural necessária. Para ele, a escolha é capaz de romper com um “modelo ultrapassado, herdado do século passado, que já não se sustenta”.

SAIBA MAIS:

Dados do eSocial de dezembro de 2025, com base em 50,3 milhões de vínculos formais, indicam que 74% dos trabalhadores possuem contratos de 44 horas semanias. Desse total, 66,8% já atuam no regime 5×2, enquanto 33,2% ainda estão submetidos ao modelo 6×1.

Segundo Marinho, a incidência da escala 6×1 praticamente não varia entre pequenas, médias e grandes empresas. Para ele, isso demonstra que “não é o tamanho do negócio que determina a prática”, mas sim uma cultura organizacional consolidada ao longo do tempo.

Aumento de receita

Ele também lembra que a escala 6×1 em um contexto de baixa tecnologia, no qual a produtividade dependia da presença contínua do trabalhador no ambiente de trabalho. “Hoje essa lógica não se aplica e o resultado é exaustão e adoecimento.”

Levantamentos do próprio Ministério do Trabalho e Emprego apontam que a alteração representaria um acréscimo de 4,7% na massa salarial. Ainda assim, Marinho avalia que esse percentual pode ser “plenamente absorvido pela economia brasileira”.

Ministro do Trabalho e Emprego defende fim do modelo de trabalho 6×1 (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2025, reforça o argumento. Segundo a pesquisa, 72% das empresas que reduziram a jornada registraram aumento de receita, enquanto 44% relataram melhora no cumprimento de prazos.

Mundo afora

O ministro ainda citou experiências internacionais para sustentar sua posição. Na Islândia, a redução da jornada foi acompanhada de crescimento econômico. No Japão, a Microsoft registrou aumento de 40% na produtividade após adotar a semana de quatro dias. “Na América Latina, Chile e Equador também demonstram que é possível conciliar competitividade com qualidade de vida”, afirmou.

LEIA AINDA:

Para Marinho, o sistema atual drena a energia dos profissionais, compromete o convívio familiar e reduz a qualidade de vida, além de limitar o potencial produtivo. Ele defende que jornadas mais equilibradas podem gerar ganhos tanto sociais quanto econômicos.

Ao comentar, por fim, o envio e a tramitação da proposta em regime de urgência no Congresso, o ministro reforçou o caráter social da da iniciativa. “Trabalhar não pode significar abrir mão da vida. Se os parlamentares aprovarem, essa proposta vai representar um passo necessário rumo a um país mais justo, mais produtivo e mais humano”, concluiu.