Domingo, 30 de Agosto de 2026
ENTREVISTA

Presidente da ABDI, goiano Olavo Noleto defende fim da escala 6×1, mas prevê exceções: ‘Setores precisam rodar’

Dirigente rebateu argumentos contra a redução da jornada de trabalho e classificou a atual taxa de juros do Banco Central como um "absurdo" para a indústria

Por - Goiânia, GO
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Presidente da ABDI, goiano Olavo Noleto defende fim da escala 6x1, mas prevê exceções: 'Setores precisam rodar'

Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o goiano Olavo Noleto defendeu o fim da escala 6×1 neste domingo (30), ao Poder360, mas citou a necessidade de excepcionalidades. Segundo ele, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do assunto vai passar no Senado, mas serão necessários alguns “pequenos ajustes” na regra, pois há setores que precisarão “continuar rodando”.

“É a defesa do futuro do Brasil. Se o Brasil não avançar na escala de trabalho, ninguém vai querer ser CLT”, afirmou durante entrevista. “Esse é um diálogo que a área técnica vai fazer no Congresso. Vamos chegar a um bom acordo. Mas, em geral, é o mesmo argumento que usaram para não ter férias, para não ter 13º salário. ‘O Brasil vai quebrar’. O Brasil quebrou? Não quebrou. O Brasil continua forte.”

Para Noleto, se os jovens não virem a carteira de trabalho assinada como um bom negócio, o sistema vai quebrar. “Se o sistema quebrar, o que vai acontecer com a economia brasileira? Para quem a indústria vai vender? Algo que pode parecer para alguns setores ruim, para o conjunto da economia brasileira é estratégico: fortalecer o emprego, carteira assinada, contribuição previdenciária e o sistema conseguir girar”, disse.

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Durante a entrevista, o goiano também comentou a declaração do presidenciável Romeu Zema (Novo), que defendeu a privatização da Petrobras e do BNDES, se eleito. “Repercutiu uma posição de um candidato à Presidência falando em privatizar o BNDES e a Petrobras. É um imbecil. Como a indústria ia se financiar nos dias atuais sem o BNDES? O Brasil não suportaria a venda do BNDES e da Petrobras. O setor produtivo não suportaria. A indústria não suportaria. O agro não suportaria. Não ia conseguir o recurso que consegue para se financiar com o juro que tem hoje”, disse Noleto.

Em outro momento, ele ainda argumentou que os juros altos são um desafio para os empresários do país. Segundo ele, “os juros têm que baixar e o Brasil já tem condições macroeconômicas para isso. Ter a taxa Selic que tem hoje não justifica”.

Em 5 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% ao ano para 14%. “O meu papel de presidente da ABDI é defender a indústria. E a indústria sofre com o juro de quase 15% na Selic. É um absurdo”, enfatizou Noleto.

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Política