Bate-boca e ameaça

Processos por bate-boca e ameaça avançam no Conselho de Ética da Alego

Colegiado definiu relatores e iniciou análise das possíveis punições envolvendo conflitos entre parlamentares no plenário da Casa

Imagem mostra presidente da Casa, Bruno Peixoto, e presidente do Conselho de Ética, Charles Bento
Encontro serviu para avaliar a gravidade dos episódios e discutir as possíveis punições aos parlamentares (Foto: Will Rosa/Alego)

Os membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) se reuniram na última terça-feira (26) para discutir as possíveis respostas aos embates envolvendo os deputados estaduais Amauri Ribeiro (PL), Bia de Lima (PT) e Major Araújo (PL). Durante o encontro, foram debatidas as representações protocoladas após trocas de acusações e discussões ocorridas no plenário da Casa.

A reunião se estendeu por aproximadamente quatro horas e foi marcada pela oitiva de testemunhas ligadas a todos os envolvidos, além da participação de outros integrantes do conselho. O encontro também serviu para avaliar a gravidade dos episódios e discutir as possíveis punições aos parlamentares.

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Após a reunião, o presidente do Conselho de Ética, deputado Charles Bento (MDB), afirmou que eventuais punições dependerão dos pareceres apresentados pelos relatores designados para cada processo. Ficou definido que a deputada Rosângela Rezende (Agir) será a relatora da representação apresentada por Amauri contra Bia. Já a denúncia protocolada pela petista contra Amauri ficará sob responsabilidade do deputado Dr. George Morais (MDB).

O caso envolvendo Amauri e Major segue em tramitação e terá a relatoria definida na próxima reunião do colegiado. “Hoje foram arrolados os testemunhos de ambas as partes. Todos foram ouvidos. E, agora, já passamos a relatoria para os devidos deputados”, explicou Bento em entrevista coletiva.

Episódio repercutiu em todo o estado, principalmente pelo fato de os parlamentares integrarem a mesma legenda (Foto: Reprodução)

Os parlamentares escolhidos para relatar os processos deverão apresentar seus pareceres nas próximas reuniões. Somente após essa etapa, o colegiado deverá deliberar sobre possíveis punições.

O presidente do grupo defendeu que qualquer previsão sobre penalidades antes da conclusão dos relatórios é mera especulação. Apesar disso, nos bastidores da Assembleia, circula o comentário de que a punição mais provável será a restrição temporária do uso da tribuna pelos envolvidos.

Amauri e Bia

O conflito entre Bia e Amauri teve início há um ano, após a deputada afirmar, durante entrevista a um programa de rádio, que gostava de se relacionar com homens mais jovens. A declaração acabou sendo mencionada por Amauri durante uma sessão ordinária da Alego, o que gerou um intenso bate-boca entre os parlamentares e levou ao adiamento da votação que ocorria naquele momento.

Na ocasião, Amauri utilizou o termo “papa-anjo” para se referir à deputada, expressão que gerou reação imediata da petista. À época, Amauri Ribeiro divulgou nota afirmando que não aceitaria “distorções e inversão dos fatos”. Segundo ele, a expressão havia sido utilizada inicialmente pela jornalista que conduzia a entrevista concedida por Bia, que, inclusive, reagiu ao termo de maneira descontraída.

Deputado Amauri Ribeiro se dirige a Bia de Lima, que acompanha discurso ao fundo, durante pronunciamento na Alego (Foto: Alego)

Em nota divulgada à imprensa, Amauri disse à época que ele apenas respondeu à deputada citando uma entrevista concedida por ela na qual ela afirmou gostar de “novinhos” e a apresentadora do programa “não este deputado” a chamou de “papa-anjo”, termo de conotação negativa e normalmente associado à pedofilia.

E completou: “Reafirmo meu respeito às mulheres, à democracia e à verdade. Não aceitarei intimidações nem permitirei que distorções invertam os fatos. Confio na Justiça e seguirei atuando com responsabilidade, firmeza e transparência no exercício do meu mandato.”

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Bia de Lima, por sua vez, apresentou representação formal contra Ribeiro, alegando quebra de decoro parlamentar. Segundo a deputada, o comportamento do colega ultrapassou os limites do embate político e ideológico. “O que tem acontecido aqui na Assembleia Legislativa vai muito além de discussões e desentendimentos políticos, e é sim uma violência simbólica e verbal”, afirmou a parlamentar.

Amauri e Major

O episódio mais recente analisado pelo Conselho de Ética envolve Amauri Ribeiro e Major Araújo. A discussão entre os dois parlamentares ocorreu no plenário da Alego e escalou a ponto de exigir a atuação da Polícia Legislativa da Casa. O episódio também contou com ameaça de morte registrada em vídeo.

Após o encerramento de uma sessão no início deste mês pelo presidente da Assembleia, deputado Bruno Peixoto (UB), a troca de acusações continuou fora dos microfones. Em um dos vídeos que circularam nas redes sociais, Major Araújo aparece exaltado ao se dirigir a Amauri Ribeiro: “Põe a mão em mim para você ver. Amanhã você amanhece morto, rapaz”.

O conflito entre os dois deputados, que pertencem ao mesmo partido, começou após Amauri questionar a ausência do senador Wilder Morais, presidente estadual do PL, na votação da indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao reagir às críticas, Major Araújo afirmou que Amauri estaria tentando induzir a população a interpretar a ausência de Wilder como apoio à indicação de Jorge Messias. “A ausência prejudica. E ele sabe disso. Mas fez de má fé”, declarou.

Antes do ápice da discussão, os dois parlamentares chegaram a travar um embate sobre quem representaria de forma mais legítima a direita em Goiás.

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Amauri declarou: “Eu não me lembro de ver o senhor na porta dos quartéis, não me lembro de ver a Polícia Federal na sua casa por dizer na tribuna que apoiava as pessoas no quartéis. Não me lembro também de ver o senhor gritando na tribuna, como grita comigo, quando a esquerda chama Bolsonaro de genocida, quando bateram palmas pela prisão das pessoas que estavam no 8/1. Muito pelo contrário, eu vejo o senhor sorrindo e sentando para pessoas que sequer dou a mão”.

Major rebateu em seguida: “O senhor sempre esteve aliado aos inimigos do PL. Seu partido [se referindo a antiga sigla de Amauri, o União Brasil] tem três ministérios e sempre deu sustentação ao PT. O senhor é um personagem, uma direita trans. O senhor nunca foi da direita, sempre foi centrão, aliado do Caiado. O senhor parece direita, mas o coração aceita qualquer coisa. O senhor veio [para o PL] e manteve os cargos [no governo]. Nós somos oposição nessa casa. Direita não é lugar para quem se vende”.

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