MP barra cobrança de taxas em escola municipal de Quirinópolis
Projeto que estabelece cobrança ainda não havia entrado em vigor no município
Ir direto pra matériaO Ministério Público de Goiás (MPGO) determinou por meio de liminar que o município de Quirinópolis não cobre encargos e taxas dos pais de alunos da Escola Municipal Militarizada Canaã. De acordo com a decisão a instituição também não deverá promover a assinatura de termos de compromisso neste sentido, proibir a entrada e permanência de estudantes que não tiverem condições de comprar o uniforme ou outro tipo de material exigido, salvo em caso de fornecimento dos uniformes e materiais. Ademais, deverá ainda impedir qualquer tipo de discriminação contra os alunos.
A liminar garantiu a matrícula e frequência de todos os alunos da unidade, especialmente os que já estavam matriculados em 2017. Estes deverão ter prioridade de matrícula para o próximo ano, independente de filiação ou pagamento de contribuições, taxas ou encargos.
O procurador do município de Quirinópolis, Jhon Lukas Martins, que participou da comissão que sugeriu a criação de uma associação de pais e mestres que estabeleceria a cobrança, esclarece que se tratava de um projeto piloto que não chegou a entrar em vigor. Ele explica que o valor seria usado para para a criação de um fundo de investimentos voltado para melhorias na escola e na qualidade de vida dos alunos.
Jhon explica que a cobrança seria facultativa e que nenhuma criança deixaria de estudar por não pagar o valor. Além disso, pais e professores administrariam o dinheiro que ia ser usado para a reforma da unidade e para comprar uniformes para alunos de baixa renda. “Nós fomos pegos de surpresa com essa decisão do MP, pois o dinheiro arrecadado pode trazer benefícios para toda a comunidade. A criação dessa taxa inclusive foi uma demanda dos cidadãos”, justifica.
A juíza Adriana de Oliveira, que assinou a liminar, advertiu ainda que, em caso de descumprimento, será aplicada multa pessoal ao prefeito Gilmar Alves da Silva (PMDB) no valor de R$ 50 mil por matrícula que contrarie as ordens lançadas, além de apuração de crime de desobediência. Jhon afirmou que vai entrar com recurso para revogar a liminar e restabelecer a cobrança facultativa da taxa.
O caso
Na ação, a promotora relata que o município editou, no início do mês passado, a Lei n° 3.250/2017, que dispõe sobre a transferência da gestão da Escola Municipal Canaã para o comando e direção do Polícia Militar do Estado de Goiás. A norma militarizou a escola, destinando-a a ao ensino fundamental, com suposta obediência à estrutura orgânica prevista pela Secretaria Municipal de Educação.
A partir dessa decisão, o MP constatou irregularidades que atentam contra o princípio constitucional da gratuidade do ensino público no Projeto Político Pedagógico Militar e no Regimento da Escola Militarizada , tais como a previsão de que a direção da unidade poderá exigir o pagamento de taxa de matrícula e mensalidade que, inclusive, já foi fixado em meio por cento do salário mínimo.
Conforme informado pela promotora, ela chegou a alertar os gestores municipais e representantes da PM, em reunião no dia 30 de outubro, que não poderia haver cobrança de taxas de matrícula e outras cobranças mensais, pois a escola permanece pública, e também orientou que os alunos que já estudam na unidade deveriam ter suas vagas garantidas e não poderiam ser redirecionados para outra escola por falta de condições de pagamento de taxas ou aquisição do novo uniforme, conforme proposto pela equipe da Secretaria Municipal de Educação.
O processo destaca ainda que o município implantou na rede municipal, de forma inédita e sem precedentes, a escola militarizada, no modelo adotado em âmbito estadual. Neste sentido, a promotora adianta que está providenciando representação à Procuradoria-Geral de Justiça para possível questionamento da inconstitucionalidade da lei municipal que criou o programa.
Jhon explicou que o modelo de cobrança proposto seguiria um semelhante feito em um colégio estadual da cidade que exige taxa de matrícula dentre outros custos. Ainda para o procurador, como há uma demanda muito grande de alunos para a Escola Municipal Militarizada Canaã, o valor ajudaria a manter o nível do ensino.