Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
CONVITE À ADOÇÃO

Abrigo fecha as portas e 18 animais precisam de um lar em Aparecida

Após 14 anos, Projeto Viva Gato encerra espaço por falta de recursos e pretende concentrar atuação no combate ao abandono

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Projeto Viva Gato vai encerrar as atividades em Aparecida de Goiânia depois de 14 anos, e convida a sociedade a adotar 18 animais que moram no abrigo (Foto: Projeto Viva Gato)

Durante 14 anos, o Projeto Viva Gato foi uma espécie de intervalo entre a rua e uma vida nova num lar. Mais de 100 animais passaram pelo abrigo mantido pela organização em Aparecida de Goiânia. Muitos foram adotados. Outros permaneceram ali por mais tempo, esperando que alguém olhasse para eles e enxergasse um companheiro.

Agora, o abrigo está prestes a fechar as portas. Ainda há 18 animais no local — 15 gatos e três cães — e o projeto busca famílias para eles antes de encerrar as atividades no espaço. A principal dificuldade é financeira: neste mês, não há recursos sequer para pagar o aluguel do imóvel.

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Além dos animais, há ainda uma última conta a pagar. O imóvel onde funciona o abrigo é alugado e precisará ser devolvido. Como o espaço recebeu baias e passou por reformas para receber os animais, o projeto também precisa arrecadar dinheiro para realizar uma nova reforma e entregar a casa. O projeto espera arrecadar R$ 30 mil para encerrar as atividades.

Segundo a voluntária Alessandra Arnaudin, a manutenção do abrigo também se tornou uma sobrecarga diante da dificuldade de conseguir pessoas para ajudar no manejo dos animais.

“Esse mês a gente não tem dinheiro para pagar o aluguel, e está sendo uma sobrecarga, pois não estamos conseguindo voluntários para, por exemplo, ajudar no manejo do abrigo.”

Alessandra Arnaudin busca novos tutores para os animais que ainda moram no abrigo em Aparecida de Goiânia (vídeo: redes sociais)

A decisão, porém, não significa o fim do Projeto Viva Gato. A organização pretende mudar a maneira de atuar. Em vez de manter um espaço para abrigar animais, a proposta é trabalhar diretamente na origem do problema: o abandono.

Depois que os animais forem encaminhados para adoção, o projeto pretende oferecer castração gratuita para animais de pessoas de baixa renda e promover palestras e ações educativas em escolas.

“Abrigar animais não soluciona o problema, acaba se tornando um depósito e não conseguimos mais ajudar na causa dos animais de rua, que é o abandono”, explica Alessandra.

Adoção

Encontrar uma família para os 18 animais restantes é, neste momento, a principal missão. O desafio aumenta porque nenhum deles é filhote.

Alessandra afirma que existe resistência por parte de algumas pessoas em adotar animais adultos ou idosos — justamente aqueles que, depois de tantos anos esperando, podem ter mais dificuldade para conquistar uma família.

“O problema é que não temos filhotes, são animais adultos, mas as pessoas têm preconceitos com animais mais idosos, apesar de estarem saudáveis”, explica Alessandra.

O projeto pretende divulgar fotos e informações dos cães e gatos disponíveis para adoção para tentar encontrar famílias antes do fechamento definitivo do abrigo.

Enquanto isso, os 18 animais continuam ali, esperando. Para eles, o fechamento do abrigo não pode significar o retorno à rua. A ideia é que, antes de as portas se fecharem, cada uma encontre uma casa que permaneça aberta.

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