Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026
PREJUÍZO PARA A CIDADE

CDL e OAB de Iporá repudiam boicote a empresas ‘que apoiam o PT’ no município

Entidades dizem que mensagens expõem comerciantes e pedem que moradores não compartilhem o conteúdo e OAB alerta para punições

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
CDL de Iporá

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Iporá (CDL) e a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiaram as listas de comerciantes e empresas “que apoiam o PT” que circulam em grupos de mensagens da cidade e incentiva o boicote a eles.

A CDL afirma que as listas podem promover isolamento econômico e prejudicar não só os proprietários, mas também trabalhadores, famílias e a renda que circula no município. A entidade declarou solidariedade às pessoas expostas e pediu que a comunidade não repasse mensagens com a identificação dos comerciantes.

Em nota pública, a OAB de Iporá também repudiou iniciativas de discriminação, perseguição ou boicote motivadas por opinião política. A entidade recomendou que pessoas atingidas guardem registros das publicações — como capturas de tela, datas e identificação dos grupos em que o material circulou — e procurem um advogado ou o Ministério Público Eleitoral.

A OAB afirma que a exposição pública com o objetivo de causar prejuízo pode levar à responsabilização civil e ao dever de indenizar danos. A nota ressalva que eventual repercussão criminal depende da forma e da evolução da conduta. A avaliação sobre cada caso cabe às autoridades competentes.

As manifestações ocorrem após a circulação de listas semelhantes em Goiás, com incentivo a boicotes a empresas apontadas como apoiadoras do PT. Em Iporá, as entidades pedem que os moradores não compartilhem esse tipo de conteúdo e defendem a convivência respeitosa entre pessoas com opiniões diferentes.

A OAB publicou sua nota em 28 de outubro de 2026. A manifestação da CDL foi divulgada nesta quinta-feira (29).

Listas de boicote e relatos de demissões por política repercutem em Goiás após eleições (Foto: reprodução)

Denúncias de assédio eleitoral

Em Goiás, o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) recebeu 15 denúncias de assédio eleitoral após a votação, realizada no domingo (25). Antes do segundo turno, outras 42 haviam sido formalizadas. Segundo o órgão, a maioria absoluta das denúncias está sob sigilo, a pedido dos próprios denunciantes. Por isso, não é possível detalhar o conteúdo das queixas, embora todas tenham sido classificadas como assédio eleitoral.

O volume de registros aumentou ao longo do ano eleitoral. Até 15 de agosto, véspera do início da campanha, o órgão havia recebido duas denúncias desse tipo. Em todo o ano de 2025, não houve registros. 

A nível nacional, o MPT aponta mais de 240 registros em menos de 24 horas após o fim dos segundo turno. “A eleição acabou, mas o assédio eleitoral não”, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira, em vídeo publicado nesta terça-feira (27).

Listas de empresas petistas em Goiânia

Em Goiânia, uma lista com nomes de estabelecimentos de diferentes segmentos comerciais começou a circular em grupos de mensagens e chegou a influenciadores digitais.

A influenciadora Mayra Bittar publicou uma lista desse tipo e, posteriormente, retirou o conteúdo do ar. Em vídeos nos stories, ela explicou que fez a publicação após receber pedidos de seguidores interessados em conhecer empresas associadas à esquerda.

Mayra, que não mora em Goiânia, reconheceu ter cometido um erro ao incluir o nome de uma empresa de doces da capital. Segundo ela, a informação recebida era de que uma pessoa ligada ao estabelecimento seria sócia do negócio, mas estava equivocada. A influenciadora pediu desculpas publicamente.

Ela disse ainda que decidiu retirar a lista por não ter tempo suficiente para verificar todas as informações. Como alternativa, anunciou que pretende divulgar empresas de pessoas identificadas com a direita que desejarem apresentar seus negócios.

Psicóloga gravou vídeo sobre contratação de petistas

Um dos episódios que também ganhou repercussão envolve a psicóloga Mara Suassuna, que atua na área de recursos humanos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirma ter recebido ligações e mensagens de empresários interessados em contratar colaboradores cujo critério de seleção seria não ser petista.

Na gravação, a profissional argumenta que a contratação de funcionários deve levar em consideração o alinhamento de valores entre trabalhadores e empresas. Ela cita princípios como honestidade e respeito à vida e às relações humanas para justificar a posição.

A declaração provocou reação do Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09), que publicou uma nota de repúdio à adoção de critérios político-partidários na seleção de trabalhadores.

O conselho afirmou que a discriminação no acesso ao trabalho por convicção  política é vedada pela Constituição Federal, pela Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Lei nº 9.029/1995.

A nota também destaca que processos de recrutamento e seleção conduzidos por profissionais da Psicologia devem se basear em critérios técnicos relacionados às exigências do cargo, e não na orientação política ou ideológica dos candidatos.

O CRP-09 informou que adotará providências para apurar a conduta da profissional, conforme o Código de Processamento Disciplinar. Os procedimentos tramitam sob sigilo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

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