Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026
GOIÁS

Defesa de corretor imobiliário preso diz que não houve crime, mas ‘desacordo comercial’; veja vídeo

Roger Kogi Tabata é investigado por suspeitas de estelionato, apropriação indébita e falsa comunicação de crime. Defesa afirma que acusações ainda precisam ser apuradas

Por - Goiânia,GO
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A Justiça decidiu manter preso preventivamente o corretor e empresário Roger Kogi Tabata, de 57 anos, investigado por suspeitas de crimes envolvendo a administração de imóveis e o recebimento de valores de clientes em Goiânia e no interior. Na audiência de custódia, o juiz Pedro Guarda rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa e considerou que medidas como tornozeleira eletrônica ou proibição de trabalhar não seriam suficientes para evitar novos problemas. A defesa sustenta que os casos são, em parte, desacordos comerciais e afirma que Roger vem tentando resolver as pendências e ressarcir pessoas que alegam ter sofrido prejuízos.

Roger foi preso na segunda-feira (28), durante a Operação Broker Scammer, da Polícia Civil. Até esta quinta-feira (1º), dez pessoas haviam procurado a polícia para denunciar supostos prejuízos. Segundo o delegado Willian Bretz, responsável pelo caso, os relatos já apontavam perdas superiores a R$ 1,1 milhão.

O corretor é investigado por estelionato, apropriação indébita e falsa comunicação de crime. A investigação ainda está em andamento e não há condenação contra ele.

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Corretor e empresário Roger Kogi Tabata, de 57 anos, preso suspeito de aplicar golpes envolvendo imóveis em Goiás (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Prisão mantida

O juiz entendeu que os casos investigados não seriam situações isoladas. Segundo a decisão, os problemas teriam começado em 2019 e, inicialmente, envolvido pelo menos seis pessoas. Entre as denúncias estão casos em que Roger teria recebido dinheiro adiantado, ficado com valores de garantia dos imóveis e apresentado informações ou documentos que poderiam dificultar a descoberta dos problemas.

O juiz também considerou que novas denúncias continuaram aparecendo mesmo depois que a Polícia Civil começou a investigar o caso. Outro motivo apontado foi o risco de que, se fosse solto, Roger pudesse atrapalhar a investigação. A decisão cita suspeitas de documentos com informações falsas ou datas alteradas.

A Justiça também apontou suspeitas de que ele teria usado contas bancárias e empresas em nome de familiares ou de outras pessoas para movimentar dinheiro e dificultar a localização dos bens.

Diante disso, o juiz entendeu que apenas usar tornozeleira eletrônica ou impor outras restrições não seria suficiente e decidiu manter o corretor preso.

Relógios de luxo apreendidos

Durante a operação, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Roger, em Goiânia.

Polícia fez buscas e apreensões no apartamento do corretor, em Goiânia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

De acordo com as informações apresentadas à Justiça, os policiais encontraram relógios de luxo, entre eles modelos das marcas Rolex e Jacob & Co., dezenas de folhas de cheque, talões em nome de terceiros e carimbos de empresas. Os itens foram apreendidos e a polícia apura se esses objetos e documentos têm relação com os fatos investigados.

Defesa diz que não houve crime

A defesa de Roger contesta a interpretação apresentada pela investigação. Em nota, os advogados afirmam que receberam com surpresa a prisão e ressaltam que Roger ainda não foi condenado.

Audiência de custódia do corretor e empresário Roger Kogi Tabata (Vídeo: Reprodução)

“É importante esclarecer que as acusações divulgadas ainda serão devidamente apuradas no âmbito judicial, inexistindo, até o presente momento, condenação definitiva contra Roger”, afirma a defesa assinada por José Vitor de Lima Neto, Daniele Oliveira e Emanuelly da Silva Carvalho.

Durante a audiência de custódia, a defesa argumentou que os problemas apresentados pelas vítimas poderiam ser tratados como questões comerciais, e não necessariamente como crimes. Também questionou se o juízo responsável pela audiência teria competência para analisar o caso.

O juiz rejeitou esse argumento e afirmou que as Varas de Garantias têm competência regional para analisar processos dessa natureza. Também considerou que não houve violação dos direitos de Roger, já que ele havia sido comunicado e ouvido com a presença de advogado.

O Ministério Público defendeu a manutenção da prisão. Para o órgão, a medida é necessária para impedir que novas pessoas sejam prejudicadas enquanto a investigação continua.

Corretor já teve registro cancelado pelo CRECI

Antes mesmo da prisão, Roger já havia perdido o registro profissional. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (CRECI-GO) informou que recebeu uma denúncia contra Roger e contra a imobiliária ligada a ele. O conselho abriu um processo disciplinar e, após a tramitação, decidiu pelo cancelamento das inscrições.

Apartamento onde corretor foi preso (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Além do cancelamento do registro do corretor como pessoa física, ele foi condenado ao pagamento de multa equivalente a dez anuidades.

O processo administrativo do conselho é separado da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil.

Vítima afirma ter perdido cerca de R$ 60 mil

Entre os casos investigados está o de Amanda Guimarães Lima. Ela afirma ter perdido aproximadamente R$ 60 mil depois de contratar Roger para administrar o aluguel de um apartamento pertencente às duas filhas, no Jardim Goiás, em Goiânia.

Segundo Amanda, o combinado era que o corretor recebesse o aluguel do inquilino e repassasse o dinheiro à família todos os meses. Ela afirma que descobriu que Roger havia negociado com o morador o recebimento antecipado de um ano de aluguel, além de valores referentes à garantia e ao seguro. A família diz que não autorizou esse acordo.

O contrato também determinava que os proprietários não tratassem diretamente com o inquilino. Dessa forma, toda a comunicação passava pelo corretor. Os repasses começaram a atrasar até que, em agosto, segundo Amanda, deixaram de ser feitos.

Empresa cita problemas em 49 imóveis

Outra denúncia envolve uma empresa que havia contratado Roger para administrar 49 imóveis.

Segundo a equipe jurídica da empresa, as primeiras irregularidades foram identificadas no fim de 2021. Em alguns contratos, Roger teria se apresentado aos inquilinos como proprietário dos imóveis, embora tivesse sido contratado apenas para administrar as propriedades.

No fim de 2022, os aluguéis deixaram de ser repassados regularmente. Depois do encerramento do contrato, a empresa afirma ter encontrado outros problemas, incluindo valores cobrados para seguro contra incêndio sem os respectivos documentos, quantias de condomínio e IPTU que não teriam sido repassadas e valores de caução que também não teriam chegado aos proprietários.

A denúncia inclui ainda a retirada de eletrodomésticos de um imóvel administrado por Roger. Segundo a acusação, ele teria alugado o apartamento para o próprio companheiro e, após a saída do morador, máquinas de lavar e outros equipamentos que pertenciam à empresa teriam sido retirados do local.

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Corretor de imóveis Roger Kogi Tabata retirando máquinas de lavar de um dos apartamentos que administrava (Foto: Cedida ao Mais Goiás)

O delegado Willian Bretz afirmou que essa acusação também está sendo investigada.

Investigação ainda pode ter novos desdobramentos

Além das denúncias relacionadas a aluguéis, a polícia apura o caso de uma pessoa que afirma ter pago R$ 115 mil de entrada para comprar um apartamento anunciado por cerca de R$ 500 mil. Segundo o relato, o imóvel não teria sido entregue.

A polícia continua investigando o caso enquanto o corretor permenece detido à disposição da Justiça.

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