Sábado, 29 de Agosto de 2026
SAÚDE

‘Alta complexidade’: siamesas passarão por nova cirurgia para preparar separação em Goiânia

Maria Helena e Maria Eva são unidas pelo tórax e abdômen. Siamesas dividem o pericárdio e o fígado

Pedro Moura
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Gêmeas siamesas Maria Helena e Maria Eva com a mãe - (Foto: reprodução/HECAD)

As gêmeas siamesas Maria Helena e Maria Eva devem passar por um novo procedimento cirúrgico para expandir a pele da região abdominal. A intervenção vai acontecer no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, onde são acompanhadas desde julho. A cirurgia faz parte da segunda etapa de preparação para separação final das irmãs.

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Segundo o cirurgião pediátrico responsável pelo procedimento, Zacharias Calil, o implante dos extensores leva, em média, de 1 a duas horas de operação. A data da cirurgia final de separação, no entanto, ainda depende da evolução clínica e da resposta dos tecidos das irmãs nos próximos meses.

“Todo procedimento cirúrgico tem risco e, nesses casos de alta complexidade, o risco é muito maior. Depende muito também do comportamento delas na anestesia e também o sangramento na separação do tórax, pois envolve o pericárdio que é único entre os dois corações e a divisão do fígado, que é um órgão que sangra muito e pode haver alterações anatômicas”, explica. 

Unidas pelo tórax e abdômen, as crianças naturais de São Paulo representam um desafio à equipe de profissionais devido à complexidade da separação e, consequentemente, os riscos que o procedimento cirúrgico oferece. No entanto, as siamesas tem respondido se recuperado bem.

“Cirurgicamente é necessário ter os cuidados com algum sangramento, que pode formar coágulos e evoluir para infecção e rejeição. A recuperação é muito complicada, pois na separação existe uma verdadeira catástrofe do ponto de vista, devido ao interrompimento metabólico que era comum entre as duas”, afirma Calil. 

Procedimentos 

As gêmeas siamesas passaram por mais uma etapa de preparação para a futura cirurgia de separação de corpos na última quarta-feira-feira (16). O procedimento para colocação de expansores de pele na região torácica teve duração de, aproximadamente, duas horas e foi realizado sem intercorrências.

Os dispositivos colocados sob a pele das pacientes serão preenchidos gradualmente ao longo das próximas semanas, permitindo a expansão do tecido e aumentando a quantidade de pele disponível para auxiliar na reconstrução e no fechamento das áreas envolvidas na futura separação. O procedimento contou com a atuação integrada de diferentes especialidades, entre elas cirurgia plástica, cirurgia pediátrica e cirurgia vascular, além das equipes de anestesiologia e enfermagem. Depois da cirurgia, as pacientes seguem sob acompanhamento da equipe assistencial da unidade.

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