Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026
HOTELARIA REDUZ EQUIPES

Bares, restaurantes e hotéis de Goiás perdem 21 mil trabalhadores em um ano, aponta IBGE

Na hotelaria, a percepção é de redução de equipes. Já no setor de bares, a avaliação é de que a demanda por trabalhadores continua alta

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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O número de trabalhadores em bares, restaurantes e hotéis em Goiás caiu de 227 mil para 206 mil entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelos números arredondados divulgados na pesquisa, são 21 mil colaboradores a menos em um ano, equivalente a 9% do total.

O instituto, porém, classifica a oscilação como estatisticamente estável. Como a PNAD é uma pesquisa amostral, as estimativas estão sujeitas a margem de incerteza e não representam, necessariamente, demissões ocorridas no período.

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O resultado chama atenção porque a comparação inclui o período posterior à realização do MotoGP em Goiânia. A competição ocorreu entre 20 e 22 de março e levou bares e restaurantes da capital a reforçarem equipes, treinarem funcionários e adaptarem cardápios diante da expectativa de aumento no movimento de turistas.

Mesmo com a queda apontada pela pesquisa, representantes dos segmentos têm interpretações diferentes sobre o comportamento do mercado. Na hotelaria, a percepção é de redução de custos e de equipes. Já no setor de bares e restaurantes, a avaliação é de que a demanda por trabalhadores continua alta.

Hotelaria reduz equipes

Charleston Calasans, presidente da ABIH Goiás (Foto: Reprodução)
Charleston Calasans, presidente da ABIH Goiás (Foto: Reprodução)

Para Charleston Calasans, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO), o cenário está relacionado ao enfraquecimento de viagens e eventos, além do aumento dos custos para os empresários. “Para a hotelaria é muito ruim, e isso diminui a taxa de ocupação e aumenta os custos de manutenção, que são os mais altos na hotelaria”, afirmou.

Segundo ele, alguns hotéis estão alterando as escalas de trabalho para o modelo 5×2 e, com isso, reduzindo o número de funcionários. Também há empresas que passaram a terceirizar determinados serviços como forma de diminuir despesas. “Vamos ter que enxugar muita coisa para conseguir sobreviver”, disse.

Charleston afirma, porém, que os hotéis continuam investindo na qualificação da mão de obra. “A gente faz vários treinamentos para qualificar os profissionais. A mão de obra não é fácil, mas estamos procurando lapidar os que a gente tem”, afirmou. Na avaliação dele, profissionais mais qualificados seguem encontrando espaço no mercado. “Hoje, profissionais com currículo muito bom sempre conseguem trabalhar.”

Demanda crescente em bares e restaurantes

Jaldete Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO) (Foto: Divulgação/Abrasel-GO)
Jaldete Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO) (Foto: Divulgação/Abrasel-GO)

A percepção é diferente entre bares e restaurantes. Jaldete Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel), afirma que não houve redução na demanda por mão de obra no segmento e que há dificuldade para preencher vagas. “Na área de bares e restaurantes não houve redução. Existe uma demanda de mão de obra crescente”, afirmou.

Segundo ela, a queda registrada na PNAD pode estar relacionada à migração de trabalhadores para outros setores ou à mudança no tipo de vínculo profissional. A presidente relata que há estabelecimentos que mantêm vagas abertas por falta de candidatos. “A gente já chegou a colocar 2 mil vagas abertas. Tem sempre vagas ociosas”, afirmou.

Jaldete também aponta mudanças no perfil de contratação. Segundo ela, parte dos trabalhadores prefere atuar como freelancer em vez de ter registro formal, o que pode influenciar a leitura dos dados sobre ocupação.

A entidade também mantém ações de qualificação profissional e programas voltados ao primeiro emprego. De acordo com Jaldete, a participação feminina é expressiva no setor, chegando a 52% da empregabilidade.

Mercado de trabalho de Goiás tem resultado diferente

A redução estimada no segmento de alojamento e alimentação ocorre em um cenário de estabilidade do mercado de trabalho goiano como um todo. No segundo trimestre de 2026, Goiás tinha cerca de 3,8 milhões de pessoas ocupadas, praticamente o mesmo número registrado no segundo trimestre de 2025.

A taxa de desemprego, por outro lado, caiu de 4,4% para 4% na comparação anual. Na classificação da PNAD Contínua, o grupo de “alojamento e alimentação” reúne atividades como hotéis e outros meios de hospedagem, restaurantes, bares e serviços relacionados à alimentação.

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