Sábado, 15 de Agosto de 2026
Geração canguru

Em comparação com os pais, jovens de GO estudam mais e demoram mais para sair de casa

Escolaridade avança entre as novas gerações, enquanto custo da moradia e início mais tardio da vida profissional prolongam permanência no lar da família

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Jovens goianos permanecem mais tempo nos estudos e adiam a saída da casa dos pais diante dos custos de moradia e da busca por estabilidade financeira. (Foto: Pexels)

Mais de oito em cada dez jovens de Goiás estudavam, trabalhavam ou conciliavam as duas atividades em 2023. Ao mesmo tempo, dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no Brasil, aumentou a proporção de adultos de 25 a 34 anos que permanecem na casa dos pais. Para o economista Marcelo Marques, mais tempo de formação e o custo para manter uma residência ajudam a explicar por que emprego e independência financeira nem sempre chegam juntos.

Em Goiás, 44,7% das pessoas de 15 a 29 anos trabalhavam e não estudavam, 21% estudavam sem trabalhar e 17,6% conciliavam as duas atividades. Outros 16,7% não estudavam nem estavam ocupados, segundo levantamento do IBGE.

Na soma, 83,3% dos jovens estavam ligados ao trabalho, aos estudos ou às duas atividades.

Mais adultos jovens permanecem com os pais

A mudança aparece em uma série histórica nacional do IBGE. Em 2005, 21,7% dos brasileiros de 25 a 34 anos viviam com pelo menos um dos pais. Em 2015, o percentual chegou a 25,3%, segundo a Síntese de Indicadores Sociais.

A maioria dos que permaneciam na residência familiar trabalhava. Em 2015, 71,7% estavam ocupados. Entre os jovens que não moravam com os pais, o percentual era de 75,1%.

Os números são nacionais e históricos. Não há, nas bases utilizadas nesta reportagem, um dado recente que indique a idade média em que os jovens de Goiás deixam a casa dos pais.

Para Marcelo Marques, a comparação entre gerações precisa considerar as mudanças na formação e na renda.

“Não podemos comparar apenas a idade em que o pai saiu de casa com a idade em que o filho está saindo. Precisamos comparar quantos anos de formação eram exigidos, quanto cada um ganhava, quanto conseguia poupar e em que momento alcançava estabilidade profissional.”

Formação ocupa mais anos

O tempo dedicado aos estudos também aumentou. No Brasil, a taxa ajustada de frequência líquida ao ensino superior entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 25,9% em 2023, ante 24,7% em 2019, segundo o IBGE.

Para quem ingressa em uma graduação, a formação pode ocupar quatro ou cinco anos depois do ensino médio. Dependendo da profissão, estágio, residência, especialização ou preparação para concursos acrescentam novas etapas antes da consolidação profissional.

Em Goiás, 17,6% dos jovens conciliavam estudo e trabalho em 2023.

“Existe diferença entre independência profissional e independência financeira. O jovem pode ter renda, contribuir com a família e ainda estar formando reserva e estabilidade para manter uma residência”, afirma Marques.

Aluguel pesa na saída de casa

O custo da moradia também entra na conta. Em junho de 2026, o aluguel residencial anunciado em Goiânia custava, em média, R$ 43,11 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial.

Pelo valor médio, um imóvel de 50 metros quadrados teria aluguel anunciado de aproximadamente R$ 2.155 por mês. O cálculo não inclui condomínio, IPTU, água, energia, alimentação e outras despesas.

Em 2025, o rendimento domiciliar per capita de Goiás foi de R$ 2.407 mensais, segundo o IBGE.

Os indicadores têm metodologias diferentes e não representam o salário e o aluguel de uma mesma pessoa. Eles ajudam, porém, a dimensionar o custo necessário para manter uma residência.

Emprego e independência não chegam juntos

Os dados disponíveis mostram dois movimentos. Em Goiás, a maior parte dos jovens estudava, trabalhava ou conciliava as duas atividades em 2023. No país, aumentou historicamente a parcela de adultos jovens que permaneciam na casa dos pais.

Para Marques, a diferença entre as gerações está no tempo necessário para transformar formação e trabalho em estabilidade financeira.

“Existe diferença entre independência profissional e independência financeira. O jovem pode ter renda, contribuir com a família e ainda estar formando reserva e estabilidade para manter uma residência.”

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