Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026
COMÉDIA

Engenheiro de Goiânia que fez piada com próprio divórcio descobre vocação e investe na comédia

Aos 39 anos, Guilherme mantém a comédia como hobby e já chegou a fazer de três a cinco shows por semana

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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Um engenheiro civil de Goiânia encontrou no próprio divórcio uma forma de transformar uma experiência difícil em motivo de risadas. Durante a pandemia, após o fim do casamento, Guilherme Abrão, de 39 anos, escreveu um texto de stand-up inspirado na separação e levou a história aos palcos quando as apresentações foram retomadas. O que começou como um sonho de juventude, quando escrevia piadas apenas para divertir os amigos, acabou se tornando uma atividade que ele mantém até hoje, conciliando os palcos com a profissão na engenharia.

Guilherme foi casado entre 2016 e 2020, e o divórcio veio por decisão da então esposa. O episódio, que poderia render apenas lembranças amargas, acabou ganhando uma versão bem-humorada. “No cartório, eu descobri que uma averbação de divórcio custa 400 reais. Virei pra ela e falei: “aí, não foi idéia sua? Paga agora! Cadê o empoderamento feminino?”. Ela riu… aí disse que ia sentir saudades do meu jeito brincalhão… aí ameaçou pedir pensão… aí eu paguei os 400 reais”, brinca.

Ao Mais Goiás, ele explicou que as piadas sobre a apresentação foram apresentadas poucas vezes e não se tornaram um tema permanente de seus shows. O estilo de comédia de Guilherme é baseado em “one liners”, formato composto por piadas curtas e independentes, sem necessariamente seguir uma única história. Os temas variam entre situações cotidianas, relacionamentos, família e até engenharia.

(Foto: reprodução)

Sonho que começou aos 18 anos

A relação de Guilherme com a comédia começou muito antes de ele subir ao palco. Aos 18 anos, passou a acompanhar nomes do stand-up internacional, como Bill Maher, George Carlin, Anthony Jeselnik, Bill Burr e Jim Jefferies. Com a popularização do gênero no Brasil, também passou a acompanhar comediantes como Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

Ainda nos vinte e poucos anos, começou a escrever as próprias piadas, mas acreditava que nunca teria a oportunidade de apresentá-las em Goiânia. “Sentia vontade de subir em um palco, mas tinha certeza de que isso nunca aconteceria, pois era convicto de que jamais haveria um clube de comédia em Goiânia”, lembra.

Sem um palco para se apresentar, ele publicava os textos no Facebook para arrancar risadas dos amigos. A virada de chave veio em 2019, quando, aos 32 anos, viu uma publicação de um amigo sobre um show no Guardians Comedy Club e descobriu que Goiânia havia ganhado um espaço dedicado ao stand-up.

Guilherme começou a frequentar o clube, fez amizade com outros comediantes e passou a estudar técnicas de escrita. A primeira oportunidade surgiu fora do Guardians, depois que um comediante local lhe passou o contato de um produtor que realizava apresentações em bares.

Guilherme durante apreentação no Guardins (Foto: reprodução)

Sem sequer conhecer o material de Guilherme, o produtor lhe ofereceu cinco minutos de palco. A apresentação deu certo e rendeu uma nova oportunidade. Depois de receber boas referências sobre o estreante, o produtor do Guardians permitiu que ele se apresentasse no clube.

O primeiro show de Guilherme no local aconteceu em 21 de fevereiro de 2020. Pouco tempo depois, porém, a pandemia interrompeu as apresentações.

Pandemia, divórcio e novas piadas

Durante o período de isolamento, Guilherme aproveitou o tempo para escrever novas piadas e aprimorar os textos que já tinha. Foi também nesse período que ocorreu o divórcio. Quando os shows voltaram, a experiência acabou entrando no repertório. O engenheiro levou a história para o palco e descobriu que aquilo que havia vivido poderia também provocar risadas.

Na época, o Guardians se tornou uma espécie de segunda casa. Guilherme conta que chegou a fazer de três a cinco apresentações por semana em uma época de maior atividade. Atualmente, porém, está mais afastado dos palcos.

Comédia sem abandonar a engenharia

Apesar da experiência nos palcos, Guilherme não pretende transformar o stand-up em sua principal fonte de renda. Os shows acontecem geralmente à noite e a escrita pode ser feita nos horários livres, o que permite conciliar a atividade com a engenharia civil.

Para ele, justamente por não depender financeiramente da comédia, existe mais liberdade para escolher o que quer escrever e apresentar. Guilherme também não pretende seguir a lógica de produção constante de conteúdo para as redes sociais em busca de audiência.

Comediante Guilherme Abrão (Foto: reprodução)

“Eu opto por fazer o tipo de comédia que me agrada, e não o tipo que dá mais visualizações. Isso me dá liberdade para fazer o que eu quiser, sem receios, já que vejo a comédia como uma arte e um hobby, mas não como meu ‘ganha-pão’”, afirma.

Na avaliação dele, viver exclusivamente de apresentações locais é difícil. Para um comediante transformar o humor em profissão, é necessário conquistar um público amplo e fiel, capaz de acompanhar os shows também em outras cidades. Para isso, as redes sociais acabam tendo papel importante na divulgação do trabalho.

Da timidez ao palco

A experiência também representa uma mudança pessoal. Guilherme se descreve como alguém tímido e introvertido, que durante boa parte da vida não gostava de falar em público nem de ser o centro das atenções. O palco, que um dia parecia impossível, acabou se tornando realidade aos 32 anos. Hoje, aos 39, ele continua conciliando a engenharia com a comédia e mantém os vínculos criados desde os primeiros anos no Guardians.

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