Família de Davi Sebba se diz insatisfeita com penas dadas a condenados por matar advogado em Goiânia
Família afirma que sensação de justiça permanece incompleta e diz que vai pedir ao Ministério Público a prisão imediata dos dois condenados
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A família do advogado Davi Sebba Ramalho afirmou estar insatisfeita com as penas aplicadas aos dois policiais condenados pela morte dele e disse temer represálias após os réus deixarem o Tribunal do Júri de Goiânia em liberdade. Os familiares classificaram as penas como “desproporcionais” e afirmaram que a sensação de justiça permanece incompleta. “Se já vivíamos sob o peso do medo ao longo de todos esses anos, hoje estamos ainda mais temerosos de sofrer represálias ou vingança por parte de assassinos de comprovada periculosidade, que permanecem em liberdade”, diz trecho de nota enviada ao Mais Goiás neste sábado (3).
O ex-policial militar Jonathas Atenevir Jordão, apontado como autor do disparo que matou Davi, foi condenado a 12 anos por homicídio qualificado e absolvido da acusação de porte de arma. Já o tenente da PM Edinailton Pereira de Souza recebeu pena de 10 anos por homicídio simples e porte de arma. O sargento da PM Luiz Frederico de Oliveira foi absolvido das duas acusações.
Apesar das condenações, os dois réus deixaram o local em liberdade. Os parentes afirmaram que vão requerer ao Ministério Público de Goiás as providências cabíveis para pedir o cumprimento imediato das penas e a prisão dos condenados. “Essa medida é urgente e fundamental não apenas para garantir a segurança da nossa família, mas também para evitar a continuidade da prática de novos crimes por parte desses maus policiais”, afirma a nota.
Família fala em “primeira resposta”
Após 14 anos do assassinato, os familiares afirmaram que a condenação representa “a primeira resposta” que cobravam das autoridades. Apesar disso, disseram que a decisão não encerra a busca por justiça.
“Para a nossa família, a decisão dos jurados representa a primeira resposta que há tanto tempo cobrávamos. E o início do fechamento de uma ferida dolorosa que jamais se cicatrizará por completo, mas que agora encontra algum alento no reconhecimento da verdade dos fatos”, diz o texto.
A família também voltou a afirmar que Davi foi executado “sem chance de se defender” e que houve uma tentativa de criminalizá-lo com a colocação de uma arma dentro do veículo.
Família critica segurança pública
Na manifestação, os parentes também defenderam que o caso seja tratado como um marco para a segurança pública em Goiás e no país. Segundo eles, a sociedade não pode aceitar violência praticada por agentes públicos que têm o dever de protegê-la. A família ainda criticou a falta de transparência sobre dados relacionados à violência policial no estado e cobrou maior controle sobre a atuação de agentes de segurança.
“O alto índice de letalidade com envolvimento de agentes de segurança é a face sombria e escondida da segurança pública em Goiás”, afirmaram os familiares.
Morte de Davi Sebba
Davi Sebba foi morto em 5 de julho de 2012, com um tiro no peito, no estacionamento de um supermercado na Avenida T-9, em Goiânia. Naquele dia, ele havia saído de casa para comprar itens para o nascimento do filho, que nasceu poucas horas depois.
Na época, os policiais disseram que estavam envolvidos em uma investigação relacionada ao tráfico de drogas e que foram até o local para abordar Davi. Segundo a versão apresentada pelos agentes, o advogado reagiu à abordagem e fez um movimento em direção a um objeto dentro do carro. Jonathas afirmou ter entendido que ele buscava uma arma e efetuou o disparo para se defender.
A acusação sustentou que Davi não reagiu nem representava ameaça aos policiais. A investigação também apontou que uma arma teria sido colocada dentro do veículo para sustentar a versão de que ele estava armado. As defesas dos policiais contestaram as acusações.
O julgamento começou na quinta-feira (1º) e terminou na sexta-feira (2), após mais de dez horas de sessão no primeiro dia. Ao todo, 14 pessoas foram ouvidas entre testemunhas e envolvidos no processo.
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