R$ 400 MIL

Ex-auxiliares são investigados por suspeita de cobrança de propina para liberar eventos em Goiânia

Ex-secretários, ex-dirigentes municipais e assessores são investigados por suspeita de exigir pagamentos para autorizar realização de eventos

Imagem mostra carreta furacão em circulação na cidade
Operação investiga ex-servidores de Goiânia por suspeita de cobrança de propina para liberar alvarás de eventos (Foto: Reprodução/YouTube)

Uma operação da Polícia Civil investiga doze ex-integrantes da Prefeitura de Goiânia por supostas cobranças de proprina para a liberação de alvarás de funcionamento de eventos na capital. A ação foi deflagrada nesta quarta-feira (10) pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) e mira um grupo formado principalmente por ex-secretários, ex-dirigentes de órgãos municipais e ex-assessores que atuaram entre 2017 e 2022.

Segundo a investigação, empresários do setor de entretenimento teriam sido obrigados a realizar pagamentos em dinheiro, transferências bancárias, PIX, depósitos e até prestar serviços gratuitos para conseguir autorizações temporárias de funcionamento de atrações como a Carreta Furacão, Trenzinho da Alegria, parques de diversão e estruturas montadas para eventos sazonais.

Entre os alvos estão o atual presidente da Goiás Turismo e ex-secretário municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa, Paulo Henrique da Farmácia, e o vereador por Goiânia Luan Alves (MDB), que comandou a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) antes de assumir uma cadeira na Câmara Municipal.

Esta é a segunda vez que Luan Alves entra na mira de uma investigação da Polícia Civil. Em 2024, Luan Alves foi alvo de uma operação que apurava suspeitas de fraudes em licitações e contratos públicos envolvendo a Amma, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e a Secretaria Municipal de Administração (Semad). Após a operação, ele pediu exoneração do cargo.

Demias envolvidos

Também foram alvo da operação Sandrynne Sara Santos de Almeida, ex-assessora da Secretaria Municipal de Governo; Eloisa Helena Fernandes de Lima, ex-diretora de Eventos da Secretaria Municipal da Mulher; Renato de Faria, ex-assessor da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação; e Silvio Silva Sousa, ex-titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec).

Ao todo, sete pessoas foram alvo de mandados de busca e apreensão e outras cinco tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados por decisão judicial. Os investigados são suspeitos dos crimes de corrupção ativa, associação criminosa e concussão, quando um agente público exige vantagem indevida em razão do cargo.

Denúncia de empresário

De acordo com a Polícia Civil, as apurações começaram após a denúncia de um empresário que atuava no ramo de eventos itinerantes em Goiânia. Em depoimento, ele relatou que enfrentava sucessivas exigências financeiras para obter as licenças necessárias ao funcionamento de suas atividades.

O empresário afirmou ainda que decidiu encerrar as operações na capital em 2021 por não conseguir mais arcar com os custos das cobranças. O prejuízo estimado por ele ultrapassa R$ 400 mil.

A suspeita dos investigadores é de que o esquema envolvesse agentes ligados a diferentes áreas da administração municipal, incluindo secretarias e a Amma, órgão responsável por parte dos licenciamentos necessários para a realização dos eventos.

Durante coletiva de imprensa, a Deccor informou que as investigações continuam para identificar todos os participantes do suposto esquema e rastrear o destino dos recursos que teriam sido pagos pelos empresários para obter as autorizações.

A investigação apura fatos ocorridos antes da regulamentação dos chamados “trenzinhos da alegria” em Goiânia. Desde outubro de 2025, uma legislação municipal passou a exigir regras próprias para esse tipo de atividade, incluindo licenciamento temporário, limite máximo de velocidade, equipamentos de segurança obrigatórios e restrições relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas e à reprodução de músicas durante os passeios.

“Aguardando apurações”, diz vereador investigado

Em nota, o vereador Luan Alves afirmou que foi surpreendido pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão e disse não ter conhecimento sobre o conteúdo da investigação. “Estou no aguardo das apurações e à disposição para prestar esclarecimentos e contribuir com o trâmite legal da investigação”, declarou.

O parlamentar afirmou ainda que sempre atuou dentro da legalidade quando exerceu funções na administração municipal e destacou que não há qualquer condenação ou responsabilização contra ele.

O Mais Goiás não conseguiu contato com Paulo Henrique da Farmácia. O espaço permanece aberto para manifestação.

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