Goiás inicia distribuição da insulina Glargina, medicamento de longa ação para pacientes com diabetes
Estado recebeu 6.085 unidades enviadas pelo Ministério da Saúde; distribuição será gradual porque quantidade ainda não atende todos os pacientes elegíveis
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A chegada de uma nova insulina à rede pública representa um avanço para milhares de pessoas que convivem diariamente com o diabetes em Goiás. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) começou a distribuir a insulina Glargina, medicamento de ação prolongada que oferece maior estabilidade no controle da glicemia e reduz o número de aplicações necessárias em comparação com a tradicional insulina NPH em muitos tratamentos.
Neste primeiro lote, o Ministério da Saúde enviou 6.085 unidades do medicamento, que já começaram a ser distribuídas aos municípios goianos. No entanto, a quantidade ainda é insuficiente para atender todos os pacientes que se enquadram nos critérios definidos pelo governo federal.
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Segundo a SES-GO, a divisão entre os municípios seguiu os parâmetros estabelecidos em nota técnica. O cálculo levou em consideração o consumo médio mensal de insulina NPH informado por cada cidade, utilizando a mesma metodologia adotada pelo Ministério da Saúde para distribuir o medicamento entre os estados.
Como o volume recebido ficou abaixo da demanda prevista, a Secretaria precisou ajustar a quantidade destinada a cada município para garantir uma distribuição equilibrada dos estoques disponíveis.
O medicamento é considerado uma novidade recente na rede pública de saúde, que agora passa por uma grande expansão nacional, substituindo gradualmente a antiga insulina NPH nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Essa insulina foi criada nos anos 2000 por uma farmacêutica alemã.
- 2019: Foi oficialmente incorporada ao SUS, mas apenas para um grupo muito restrito de pacientes com diabetes tipo 1 na atenção especializada.
- 2025: Passou a ser distribuída de forma mais ampla em farmácias de alto custo (CEAF) para pacientes com diabetes tipo 1.
- Março de 2026: Teve início um projeto-piloto em quatro estados (Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná) para testar a logística de distribuição.
- Julho de 2026: O Ministério da Saúde iniciou a distribuição em escala nacional na atenção primária (postos de saúde comuns), facilitando o acesso direto da população sem a necessidade de deslocamento para centros especializados.
Transição será feita aos poucos
A substituição da atual insulina NPH pela Glargina não acontecerá de uma só vez. A SES explica que a migração dos pacientes será gradual e dependerá da chegada de novos lotes enviados pelo Ministério da Saúde.
A expectativa é que a cobertura seja ampliada progressivamente até alcançar todo o público previsto na nota técnica.
Enquanto isso, os pacientes que já recebem a insulina Glargina por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) devem continuar retirando o medicamento normalmente nas unidades do Centro Estadual de Medicação de Alto Custo (CEMAC).
A mudança para que esses pacientes passem a receber a insulina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos municípios ocorrerá apenas após orientação oficial do Ministério da Saúde, que ainda definirá o cronograma da transição.
Ferramenta vai mapear a demanda
Para tornar a distribuição mais precisa, a SES-GO informou que está desenvolvendo uma ferramenta que permitirá aos municípios informar, todos os meses, quantos pacientes já iniciaram o tratamento com a insulina Glargina e quantos ainda aguardam acesso ao medicamento.
A ideia é utilizar esses dados para planejar os próximos envios e identificar com mais precisão a necessidade de cada município.
Dados encaminhados ao Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 505 mil pessoas vivem com diabetes em Goiás.
Atualmente, o Estado recebe do governo federal as insulinas humanas NPH e Regular, distribuídas mensalmente aos municípios. Em média, são enviados 95 mil canetas e 6 mil frascos de insulina NPH, além de 28 mil canetas e 4 mil frascos de insulina Regular.
Além desses medicamentos, Goiás também oferece aos pacientes análogos de insulina de ação rápida e de ação prolongada por meio do CEAF, com dispensação realizada pelo CEMAC, conforme os protocolos clínicos do Sistema Único de Saúde (SUS).