Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026
Sem diálogo

Moradores da Região Sudoeste protestam contra instalação de torres de alta tensão

De acordo com representante, torres trazem insegurança, prejudicam sinais de equipamentos eletrônicos e promovem desvalorização imobiliária. Distribuidora de energia ressalta importância das obras

Por - Goiânia, GO
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Em batalha há cinco anos contra obras de instalação de rede de alta tensão em bairros da Região Sudoeste de Goiânia, moradores dos setores Santa Rita, Faiçalville e Parque Anhanguera realizam novo protesto nesta quarta-feira (10). Com audiência marcada para o próximo dia 20/2 na Justiça Estadual para definir o caso, habitantes foram surpreendidos com a emissão de uma liminar que autoriza a continuação das obras. Segundo um dos representantes do movimento, João José de Freitas, a peça jurídica foi expedida no dia 7/12, mas a população só ficou sabendo da notícia no na terça (9).

“Pensávamos que a empresa aguardaria a decisão para continuar, mas agiram pelas nossas costas, por isso estamos aqui”. Segundo João, o problema afeta ainda habitantes do Moinho dos Ventos, Veredas dos Buritis, Residencial Canadá, Jardim Presidente e Jardim Europa. A rede sai da estação no Setor Moinho dos Ventos e passa por todos esses bairros.

Entre os motivos do protesto estão insegurança, desvalorização imobiliária e até saúde. “Há relatos de que ondas emitidas pela rede podem causar câncer. Vai que acontece um acidente e nós estamos literalmente abaixo dos fios. Fizemos cotação e nossas residências sofreu desvalorização média de 30%. Além disso, a presença das torres prejudica a qualidade da rede de celular e sinal de TV”.

Diálogo frustrado

De acordo com João José, várias tentativas de diálogo foram feitas, mas nenhum acordo foi estabelecido. “Já realizamos audiências públicas para discutir a questão no Senado Federal, na Aneel, na Câmara dos Deputados, e na Câmara Municipal de Goiânia com presença do Ministério Público e representantes das partes envolvidas.

Reunidos neste momento no Setor Santa Rita, moradores reforçam que não conseguiram estabelecer diálogo satisfatório com a Celg e, mais recentemente, com sua compradora, a empresa Italiana Enel, que assumiu as obras.

Respostas

Por meio de nota, a Celg Distribuição informou que as obras foram retomadas na última terça-feira (9) , reforçando que a nova linha de distribuição é “essencial para melhorar a qualidade do fornecimento de energia na Região Metropolitana de Goiânia”.

Apesar das reclamações dos moradores, a distribuidora afirma ainda que tem buscado diálogo constante com representantes da região, com “intuito de reforçar a necessidade da obra e esclarecer todas as dúvidas da população.

A distribuidora ressalta que as intervenções possuem todas as licenças ambientais necessárias e a autorização do Poder Público Municipal, bem como a anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Veja a íntegra da nota da Celg Distribuição:

A distribuidora ressalta que as intervenções possuem todas as licenças ambientais necessárias e a autorização do poder público municipal, além da anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A linha também segue todas as normas técnicas e a legislação vigente em relação aos parâmetros de segurança. Além disso, o traçado da obra foi concebido para ter o menor impacto possível.

Sobre o trecho da obra que passa pela Rua Francisco de Faria, a Celg esclarece que todos os cabos condutores estão voltados para o lado da rua e que, portanto, não invadem os lotes existentes na localidade. Neste caso específico, o projeto contemplou uma solução diferenciada, com estruturas especiais de maior altura e cabos voltados somente para a via de tráfego, viabilizando a passagem da linha na calçada, em conformidade com as normas técnicas.

Sobre os campos eletromagnéticos, esclarecemos que o valor calculado neste projeto indica 4,17 kV/m para o Campo Elétrico e 19µT para o Campo Magnético, respectivamente, 2,6 vezes e 10,5 vezes menores em relação aos valores estabelecidos pelas normas técnicas vigentes.

A Celg Distribuição acrescenta, por fim, que tem buscado o diálogo constante com representantes dos moradores da região, com o intuito de reforçar a necessidade da obra e esclarecer todas as dúvidas da população.

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