Por Aline Drumond - Goiânia, GO
Publicado em:
• Atualizado em:
Charles era lembrado pela patroa como um homem honesto, trabalhador e de bom humor (Foto: Arquivo pessoal)
O funcionário de uma peixaria de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, foi assassinado a facadas na madrugada do último domingo (6), poucas horas após receber o salário. Charles Silva Braga, de 37 anos, foi atacado depois de sair de um bar no Residencial Pedro Miranda.
Charles trabalhava havia cerca de cinco anos na Empório Peixe Vivo. Natural de Altamira, no Pará, estava em Goiás havia aproximadamente sete anos e mantinha a família no estado de origem. Segundo a patroa, Rosimeire, parte do salário era enviada para ajudar a mãe e os filhos.
Charles trabalhava havia cerca de cinco anos na peixaria e era conhecido pela dedicação ao serviço (Foto: Arquivo pessoal)
Ela conta que ele era conhecido pela honestidade, dedicação e pela forma como tratava os clientes. Mesmo tendo uma deficiência em um dos braços, continuava trabalhando normalmente.
“Charles sempre foi uma pessoa muito honesta, muito trabalhadora. Era um peixeiro que fazia todos os clientes que entravam na peixaria se sentirem à vontade”, contou Rosimeire.
Charles era conhecido pelo bom humor e pelo jeito descontraído com colegas e clientes da peixaria (Vídeo: Arquivo pessoal)
Além dos clientes, Charles também era querido pelos moradores da região onde ficava a peixaria. Para Rosimeire, uma das características mais marcantes dele era o bom humor.
“O Charles não tinha dia ruim para ele. Sempre alto astral, sempre um cara do bem”, relembrou.
Vínculo com a patroa e sua família foi além do trabalho
A convivência com a família de Rosimeire também fez com que Charles se tornasse próximo dos parentes dela. Ele acompanhou o crescimento do filho mais novo da patroa, que hoje tem 7 anos, e costumava brincar com ele durante o expediente.
“Eu sempre brincava com ele: ‘Ah, Charles, você é o meu filho mais velho’”, contou.
Charles gostava de música, especialmente de louvores, além de churrascos, dança e encontros com amigos. Na peixaria, também tinha o hábito de agradecer ao final do expediente.
Charles ao lado do patrão. Para Rosimeire, ele era considerado o “braço direito” da família (Foto: Arquivo pessoal)
“Todos os dias, no fim do expediente, quando a gente baixava as portas, ele gritava: ‘Obrigada, meu Deus, por mais um dia’”, relembrou.
Rosimeire também conta que ela e o marido ajudaram Charles a comprar uma moto, algo que o deixou muito feliz. Para ela, a convivência de cerca de cinco anos fez com que ele se tornasse mais do que um funcionário.
“Eu perdi, além de um amigo, um excelente funcionário. Eu perdi meu braço direito”, afirmou.
Segundo Rosimeire, a morte deixou colegas, clientes e moradores da região abalados. “Um grande amigo que vai deixar muita saudade, muita mesmo”, completou.
Como ajudar
Uma vaquinha solidária foi criada para ajudar a família de Charles com os custos do translado do corpo.
Quem quiser contribuir pode fazer uma doação por Pix. Os dados são:
Chave Pix: 62 993889683 Nome: Rosimeire Maria de Souza
Qualquer valor pode ajudar nas despesas do translado e contribuir para que o corpo seja levado até a cidade de origem.