Muito além da beleza: conheça flores do Cerrado que também podem ir para o prato
Algumas flores e inflorescências catalogadas como PANC ampliam as possibilidades da gastronomia do Cerrado. O consumo, porém, exige identificação correta das espécies e procedência segura
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Quando se fala em gastronomia do Cerrado, quase todo mundo lembra do pequi, do baru, da cagaita e do araticum. Mas o bioma guarda outra riqueza ainda pouco explorada: algumas flores e inflorescências são comestíveis.
De acordo com o Catálogo de PANC do Cerrado, plataforma que reúne informações sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), diversas espécies possuem partes com potencial culinário, ampliando as possibilidades da gastronomia regional e valorizando a biodiversidade do bioma.
PANC
As chamadas PANC são plantas — ou partes delas — que podem ser consumidas, mas ainda são pouco utilizadas na alimentação cotidiana. Muitas fazem parte dos saberes tradicionais e vêm sendo redescobertas por pesquisadores, produtores e chefs interessados nos sabores do Cerrado.
Apesar da curiosidade, especialistas alertam que o consumo deve ser feito apenas quando houver identificação correta da planta e origem segura, já que muitas flores ornamentais são tóxicas ou recebem produtos químicos inadequados para alimentação.
Flores do Cerrado comestíveis
Dente-de-leão

Muito conhecido por formar aquelas sementes que o vento espalha, o dente-de-leão também faz parte do universo das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). Suas flores amarelas podem ser utilizadas no preparo de saladas, geleias, xaropes, bolos e até bebidas fermentadas, enquanto as folhas costumam aparecer refogadas ou em saladas.
Além do uso culinário, a planta também é bastante conhecida na fitoterapia e integra diferentes tradições gastronômicas ao redor do mundo.
Vinagreira

A vinagreira é uma das espécies mais conhecidas entre as PANC brasileiras. Seus cálices e flores são utilizados no preparo de chás, geleias, sucos e doces, graças ao sabor ácido e à intensa coloração avermelhada.
Além do uso culinário, tornou-se bastante popular na produção de bebidas e sobremesas.
Clitória
Pouca gente conhece a Clitoria ternatea, mas suas flores azuis chamam atenção na gastronomia contemporânea.
Elas são utilizadas principalmente para colorir naturalmente chás, arroz, massas, sobremesas e drinques, criando tonalidades que variam do azul ao roxo conforme a acidez da preparação.
Capuchinha

Conhecida pelo sabor levemente picante, semelhante ao agrião, a capuchinha figura entre as flores comestíveis mais utilizadas na gastronomia.
As flores aparecem em saladas, sanduíches, massas e na finalização de pratos, enquanto folhas e talos também podem ser consumidos.
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Além das espécies reunidas no Catálogo de PANC do Cerrado, algumas das árvores mais emblemáticas do bioma também despertam curiosidade quando o assunto é gastronomia.
Embora o catálogo não apresente essas flores como PANC de uso alimentar consolidado, existem registros de usos tradicionais e pesquisas que apontam potencial culinário para algumas delas. Ainda assim, o principal destaque gastronômico dessas espécies continua sendo seus frutos.
Flor de ipê

Símbolo do Cerrado brasileiro, o ipê transforma a paisagem entre julho e setembro com flores amarelas, rosas, brancas ou roxas.
Há registros do uso das pétalas em preparações como chás, geleias e saladas, sempre com identificação correta da espécie e procedência segura. Além do potencial culinário, suas flores desempenham papel fundamental para abelhas, beija-flores e outros polinizadores.
Flor do pequizeiro

Grandes, claras e muito perfumadas, as flores do pequizeiro antecedem o surgimento de um dos frutos mais tradicionais da culinária goiana.
Em algumas comunidades há relatos de aproveitamento culinário das flores, embora o pequi continue sendo o grande protagonista gastronômico da espécie.
Flor da cagaiteira

A cagaiteira floresce intensamente antes da frutificação, cobrindo a árvore com pequenas flores brancas.
Na gastronomia experimental, essas flores podem aparecer cristalizadas ou como decoração de sobremesas e bebidas. O fruto, porém, permanece como o principal ingrediente culinário da planta.
Flor do baruzeiro

As pequenas flores do baru alimentam diversos polinizadores do Cerrado e também despertam interesse em pesquisas sobre o aproveitamento gastronômico de espécies nativas.
Apesar disso, a castanha de baru continua sendo o produto mais valorizado da árvore na culinária brasileira.
Atenção: nem toda flor pode ir para o prato
A curiosidade não deve substituir os cuidados com a segurança alimentar.
Nem toda flor é comestível. Muitas espécies ornamentais são tóxicas ou recebem pesticidas e outros produtos químicos inadequados para consumo.
Por isso, especialistas recomendam utilizar apenas flores corretamente identificadas, cultivadas especificamente para alimentação e adquiridas de produtores confiáveis.
Também é importante evitar colher flores em jardins públicos, praças ou áreas urbanas, onde elas podem estar contaminadas por poluentes ou defensivos agrícolas.da pouco explorado
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