Brasileiro que visitou 193 países revela o lugar mais perigoso que conheceu: “Noites sem dormir”
Robson Jesus percorreu todos os países reconhecidos pela ONU e entrou para o Guinness Book
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Qual é o lugar mais perigoso do mundo? Um país pouco conhecido, marcado por conflitos e onde tanques da ONU circulavam pelas ruas foi o lugar que mais assustou o brasileiro Robson Jesus, de 35 anos, durante sua viagem pelos 193 países reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ao desembarcar no destino, ele conta que chegou a ter o celular tomado por um policial enquanto gravava conteúdo e ouviu que poderia ser preso. A experiência fez daquele país o lugar onde sentiu mais medo durante a expedição que o levou ao Guinness World Records.
Robson passou apenas dois dias no destino. Segundo ele, havia somente oito hóspedes no hotel onde ficou e nem sequer havia Wi-Fi disponível. “Foi o lugar que senti mais medo”, relatou ao relembrar a viagem.
Robson Jesus visitou os 193 países reconhecidos pela ONU
Nascido em Osasco, na Grande São Paulo, Robson se tornou o primeiro homem a visitar os 193 países reconhecidos pela ONU no menor tempo registrado. A jornada começou em 28 de fevereiro de 2022, na Tailândia, e terminou em abril de 2024, quando ele retornou a São Paulo.
Ao todo, foram dois anos e 42 dias de viagem. Para cumprir o cronograma, o brasileiro permaneceu, em média, três dias em cada país. Nesse período, passou por 35 nações das Américas, 49 da Europa, 54 da África [onde visitou o lugar mais perigoso do mundo], 44 da Ásia e 14 da Oceania.
O feito foi reconhecido oficialmente pelo Guinness World Records em 2024. No ranking geral, a marca mais rápida pertence à canadense Taylor Demonbreun, que completou o percurso em um ano e 189 dias. Entre os homens, Robson assumiu o primeiro lugar.
Viagem começou como sonho de infância
A ideia de conhecer o mundo surgiu ainda na infância. Criado em Osasco, Robson conta que a internet foi uma das ferramentas que ampliaram sua visão sobre lugares que pareciam distantes de sua realidade.
“Desde pequeno eu queria explorar, entender, descobrir… enquanto tudo ao meu redor dizia que certos lugares e sonhos ‘não eram pra mim’”, escreveu em uma publicação nas redes sociais.
Durante a pandemia, em 2021, ele decidiu transformar o antigo desejo em um projeto de vida. Ao pesquisar sobre grandes viajantes e produtores de conteúdo, percebeu também a pouca presença de pessoas negras nesse universo.
A partir daí, a viagem passou a ter outro significado. Além de conhecer diferentes culturas, Robson queria mostrar que pessoas que cresceram longe do chamado turismo de luxo também poderiam ocupar esses espaços.
Quanto custou a viagem de Robson Jesus
Para tirar o projeto do papel, Robson começou investindo cerca de R$ 100 mil das próprias economias. Com o avanço da expedição, passou a financiar parte dos custos com a produção de conteúdo para as redes sociais e trabalhos de fotografia e vídeo realizados durante a viagem.
A rotina, porém, estava longe de ser a de uma viagem convencional. A necessidade de visitar 193 países em pouco mais de dois anos exigiu deslocamentos constantes, planejamento e permanências muito curtas em vários destinos.
Em alguns lugares, as condições também foram completamente diferentes das encontradas em roteiros turísticos tradicionais.
Brasileiro revela o lugar mais perigoso do mundo
O país que mais marcou Robson pelo medo foi o Chade, localizado na região centro-norte da África. O destino faz fronteira com a Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Camarões, Nigéria e Níger, e tem N’Djamena como capital.
Segundo o viajante, o cenário encontrado logo após sua chegada foi suficiente para deixá-lo em alerta. “É um país pouco conhecido, eles estão em guerra civil. Eu desci do aeroporto e tinha vários tanques da ONU passando”, contou.
A situação ficou ainda mais tensa quando ele tentou gravar conteúdo nas ruas. Um policial teria tomado seu celular e ameaçado prendê-lo.
Robson permaneceu somente dois dias no Chade. Durante a estadia, ficou praticamente isolado no hotel: havia apenas cerca de oito hóspedes e o local sequer tinha Wi-Fi.
Para quem passou por 193 países, foi justamente essa combinação de conflito, presença militar, vigilância e isolamento que transformou o Chade no destino mais assustador de toda a jornada.
“Foi o lugar que senti mais medo”, afirmou.
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