MUNDIAL

Austríaco muda para Goiânia, apaixona-se pelo futebol e vira torcedor do Vila

Áustria de Clemens Purrucker irá estrear na madrugada desta quarta-feira (17/06), diante da Jordânia, na primeira rodada da Copa do Mundo

Clemens Purrucker em jogo do Vila Nova no OBA. Foto: Arquivo Pessoal
Clemens Purrucker em jogo do Vila Nova no OBA. Foto: Arquivo Pessoal

Morando em Goiânia há quase três anos, o austríaco Clemens Purrucker encontrou muito mais do que uma nova casa no Brasil. Casado com uma goiana e completamente adaptado à capital goiana, ele também descobriu outra paixão, o futebol local. Primeiro, acompanhou o Atlético por influência de um sobrinho. Depois, porém, veio a grande paixão, o Vila Nova.

“Na Áustria, depois da adolescência, já não me interessava muito por futebol. Isso mudou quando me mudei para Goiânia. Tudo começou por causa do meu sobrinho brasileiro. Ele é um grande fã do Atlético Goianiense, mas ninguém na família queria ir ao estádio com ele. Então, comecei a levá-lo. Mais tarde, quando me envolvi com a InterNations, comecei a organizar viagens para jogos de futebol para o nosso grupo. Foi aí que descobri o Vila Nova. Já sou sócio da Vila Nova há quase dois anos”, contou.

Veja mais

Foi também no Brasil que Clemens Purrucker passou a enxergar o futebol de uma forma diferente.“A Áustria trata o futebol como um esporte importante entre muitos outros. O Brasil trata o futebol como parte da sua cultura. Os austríacos apreciam o futebol; os brasileiros sentem o futebol”, falou.

Leia também

Clemens também destacou que acredita que os austríacos são mais leais aos clubes locais, já que, no Brasil, vê muitos torcedores acompanhando equipes de outros estados, como Flamengo e Palmeiras. No entanto, para ele, a principal diferença está na forma de torcer e na experiência que envolve uma partida de futebol.

“Um jogo austríaco costuma parecer organizado e previsível. Os adeptos chegam, bebem cerveja, assistem ao jogo e depois vão para casa… Um jogo brasileiro parece mais um festival. Horas antes, há barracas de comida, mesas, música e pessoas socializando-se ao redor do estádio. Há tambores, bandeiras, fogos de artifício e cânticos. O jogo em si é apenas parte da experiência. Adoraria trazer um pouco do caos do futebol brasileiro para a Áustria”, falou.

Clemens Purrucker em jogo do Vila Nova no OBA. Foto: Arquivo Pessoal

Copa do Mundo para a Áustria

Sobre a participação da Áustria na Copa do Mundo deste ano, Clemens destacou que o retorno ao torneio é motivo de muito orgulho para os torcedores. Porém, devido ao histórico da seleção em grandes competições, parte da população encara a campanha com certa cautela. A equipe está no Grupo J, ao lado de Argentina, Argélia e Jordânia.

“A qualificação para a Copa é motivo de grande orgulho e entusiasmo, especialmente porque a Áustria regressa após uma longa ausência. Muitos jovens austríacos nunca viram a Áustria disputar um jogo na Copa na sua vida. Há ainda outro fator, a Áustria tem uma longa história de criar expectativas e depois desiludir os seus torcedores. Por isso, os torcedores austríacos tendem a ser mais cautelosos. Há entusiasmo, mas também um certo ceticismo”, falou.

Torcida da Áustria. Foto: Divulgação

Confira aqui

O austríaco também ressaltou que, apesar do interesse pela seleção nacional, o clima de Copa do Mundo no país europeu é bem diferente do que acontece no Brasil. Segundo ele, não há ruas decoradas nem uma mobilização popular tão intensa quanto a observada por aqui. Talvez por isso, acredita que acompanhar o Mundial em Goiânia será uma experiência ainda mais especial.

“Torcer pela Áustria no Brasil é, na verdade, mais divertido do que torcer pela Áustria na Áustria… Viver no Brasil durante um Mundial faz com que toda a experiência pareça maior, mais social e mais memorável do que seria no meu país”, contou.