Abstenção de evangélicos preocupa republicanos e pode pesar nas eleições dos EUA
Pesquisa mostra que 73% dos evangélicos brancos preferem candidatos republicanos, mas queda na aprovação de Trump e relatos de desânimo preocupam lideranças conservadoras
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A possibilidade de uma abstenção elevada entre eleitores evangélicos brancos preocupa lideranças do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). O grupo, que constitui uma das principais bases eleitorais do presidente Donald Trump, demonstra menor aprovação ao governo, embora continue majoritariamente favorável aos candidatos republicanos.
Pesquisa do Pew Research Center, realizada entre 28 de setembro e 4 de outubro, mostra que 73% dos evangélicos brancos registrados para votar preferem candidatos republicanos à Câmara dos Representantes. Outros 12% declaram preferência pelos democratas, enquanto 16% estão indecisos ou apoiam outras candidaturas.
O levantamento também identificou uma queda de 20 pontos percentuais na aprovação de Trump entre os evangélicos brancos. O índice passou de 78%, no início de 2025, para 58% em setembro e outubro deste ano.
A preocupação dos republicanos é que parte desses eleitores, mesmo sem migrar para o Partido Democrata, deixe de comparecer às urnas.
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Evangélicos representam parcela importante do eleitorado republicano
Segundo dados do Public Religion Research Institute citados pela CNN, os evangélicos brancos representam aproximadamente 13% da população americana, mas costumam responder por cerca de 20% dos votantes.
Nas eleições presidenciais de 2016, 2020 e 2024, aproximadamente oito em cada dez integrantes desse grupo votaram em Donald Trump.
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Ryan Burge, professor da Universidade Washington, em St. Louis, afirmou à CNN que os evangélicos brancos representaram 38% dos eleitores de Trump. O pesquisador considera a participação desse grupo fundamental para os republicanos.
O desafio é mobilizar os chamados eleitores ocasionais: pessoas que comparecem às urnas nas eleições presidenciais, mas nem sempre participam das eleições legislativas realizadas na metade do mandato.
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A organização conservadora Faith & Freedom Coalition intensificou os esforços para alcançar esse público. Seu presidente, Ralph Reed, reconheceu dificuldades na mobilização, especialmente diante das preocupações com o custo de vida e o preço dos combustíveis.
Em entrevista à Religion News Service, Reed relatou que essas questões têm aparecido nas conversas com eleitores cristãos conservadores.
No Texas, candidatura republicana provoca resistência entre evangélicos
A disputa pelo Senado no Texas é um dos exemplos citados por lideranças religiosas americanas.
O republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado, enfrenta o democrata James Talarico. Paxton foi alvo de um processo de impeachment em 2023 e enfrentou controvérsias relacionadas à vida pessoal.
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O pastor Robert Jeffress, da First Baptist Church de Dallas e apoiador de Trump, afirmou à Religion News Service que ouviu de evangélicos conservadores a intenção de não participar da eleição por insatisfação com Paxton.
Segundo Jeffress, parte desses eleitores passou posteriormente a reconsiderar a decisão e sinalizou que poderia votar no republicano.
Talarico, por sua vez, é estudante de seminário presbiteriano e incorporou referências à fé cristã à campanha.
A CNN também identificou disputas em que os democratas apresentam candidatos com atuação religiosa, como o pastor metodista Adam Hamilton, concorrente ao Senado no Kansas.
Queda na aprovação não significa abandono dos republicanos
Apesar do desgaste de Trump, as pesquisas não mostram uma migração expressiva dos evangélicos brancos para o Partido Democrata.
O levantamento do Pew Research Center aponta que esse é o único grupo religioso analisado no qual a maioria dos eleitores registrados declara preferência pelos republicanos na disputa pela Câmara.
Entre os protestantes negros, a situação é diferente: 74% preferem candidatos democratas e apenas 6% apoiam republicanos.
A distinção é importante porque o termo “evangélicos” reúne grupos com comportamentos eleitorais diferentes nos Estados Unidos. A preocupação das lideranças conservadoras está concentrada principalmente nos protestantes evangélicos brancos.
Também não há, até o momento, dados que comprovem uma abstenção excepcional desse grupo na votação desta terça-feira. As pesquisas medem intenção de voto e aprovação presidencial; o comparecimento efetivo dependerá da apuração e de levantamentos posteriores.
Controle do Congresso está em disputa
Os americanos elegem nesta terça-feira os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 senadores. Também há eleições para governador em 36 estados.
Os republicanos controlam atualmente as duas casas do Congresso. O resultado determinará a composição do Legislativo durante os dois últimos anos do segundo mandato de Trump.
Além da participação dos evangélicos, as pesquisas identificam diferenças no entusiasmo dos eleitores dos dois principais partidos.
Levantamento Washington Post/ABC News/Ipsos divulgado às vésperas da votação mostrou que 75% dos eleitores democratas estavam certos de votar ou já haviam votado, contra 67% dos republicanos.
A participação dos eleitores evangélicos brancos será um dos indicadores a observar na análise do resultado, especialmente nas disputas estaduais e distritais com pequenas diferenças de votos.