Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026
INÉDITO

Americanos alcançam feito científico inédito na fusão nuclear, ao gerar mais energia do que a gasta no reator

Feito de laboratório da Califórnia pode gerar salto em geração energética limpa, com menos emissões de CO2

Hugo Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Interior do reator de fusão nuclear do MIT, que também faz experimentos com fusão nuclear (Foto: MIT/Bob Mumgaard/reprodução)

Cientistas da Califórnia fizeram um avanço na tecnologia de fusão nuclear, produzindo pela primeira vez mais energia do que a consumida no reator. A conquista foi feita no Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL), do Departamento de Energia dos EUA, perto de São Francisco, na Califórnia, de acordo com uma fonte familiarizada com a pesquisa, que pediu anonimato para discutir os resultados que ainda não foram totalmente divulgados ao público.

Seria a primeira vez que se obtém com sucesso mais energia em uma reação de fusão – o mesmo tipo de energia que alimenta o Sol e as demais estrelas – do que foi consumido no processo de produção, marcando um passo importante em direção à energia de carbono zero.

Lasers foram usados para bombardear isótopos de hidrogênio mantidos em um estado de plasma superaquecido para fundi-los em hélio, liberando um nêutron e energia limpa livre de carbono no processo. Os cientistas vêm experimentando a tecnologia há décadas, mas conseguir que o processo produza mais energia do que consome tem sido difícil.

A reação produziu cerca de 2,5 megajoules de energia em comparação com os 2,1 megajoules usados para alimentar os lasers, de acordo com o Financial Times, que divulgou os resultados anteriormente.

Embora os resultados representem um avanço, ainda há um longo caminho até a criação de uma tecnologia viável, quanto mais para fornecer energia limpa suficiente para ajudar a afastar o mundo dos combustíveis fósseis e frear as mudanças climáticas.

A participação de mercado potencial da fusão nuclear também será desafiada pela energia solar e eólica, ambas mais baratas e com cadeias de suprimentos maduras. Sua principal desvantagem – geração intermitente – está sendo abordada por uma indústria de armazenamento de baterias em rápido crescimento.

Ainda assim, se a fusão puder ser ampliada, ela oferece a promessa de energia limpa 24 horas por dia com menos riscos e resíduos perigosos do que a tecnologia de fissão nuclear, pela qual se quebra o núcleo de um átomo e cria resíduos altamente radioativos, e é comercial há décadas e produz apenas 10% da energia mundial, muito menos do que o carvão e o gás.

Diferente da fissão nuclear, princípio da bomba atômica de Hiroshima, a fusão une os núcleos de dois átomos diferentes e produz muito mais energia do que a fissão deles, mas é preciso aquecer o átomo a altíssimas temperaturas. No caso do experimento do JET, os gases utilizados foram aquecidos a 150 milhões ºC, cerca de dez vezes mais do que a temperatura no centro do Sol.

O Departamento de Energia disse anteriormente que a secretária Jennifer Granholm planejava fazer o anúncio na terça-feira de um “grande avanço científico” no laboratório nacional realizado por pesquisadores da Administração Nacional de Segurança Nuclear do departamento.

O investimento em startups de fusão como Commonwealth Fusion Systems e Helion Energy saltou para US$ 2,3 bilhões em 2021 e provavelmente totalizará mais de US$ 1 bilhão este ano, de acordo com a BloombergNEF.

Mais energia que carvão, petróleo e gás

Segundo estimativas, usinas de fusão nuclear em pleno funcionamento poderiam produzir até quatro milhões de vezes mais energia do que o carvão, o petróleo e o gás. Os cientistas apontam ainda que o processo produz menos lixo tóxico, gera menos emissões, traz menos riscos e pode usar materiais que são mais facilmente encontrados na natureza, como os dois isótopos de hidrogênio usados no JET, o deutério e o trítio. Isso no momento em que o mundo discute uma transição para formas mais limpas de energia para tentar limitar os efeitos das mudanças climáticas.

Em janeiro, o laboratório JET (Joint European Torus), o maior reator do mundo, com sede no Reino Unido, quebrou seu próprio recorde mundial de produção de energia. Foram gerados 59 megajoules, o equivalente a 11 megawatts, por cinco segundos, o dobro do que havia conseguido 25 anos atrás, ‘esmagando’ dois átomos de hidrogênio.

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