Alcolumbre pode destravar andamento da PEC pelo fim da escala 6×1; entenda
Nos bastidores, expectativa é de que Davi Alcolumbre defina os próximos passos da proposta já na próxima terça
Nos bastidores do Congresso Nacional, a expectativa é de que a semana seja marcada por avanços importantes na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador trabalha por seis dias consecutivos e descansa um. A matéria já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora deve passar pelo crivo do Senado.
Pelo menos duas etapas consideradas decisivas para o andamento da proposta devem ser encaminhadas nos próximos dias, segundo interlocutores ligados à Mesa Diretora da Casa alta. A primeira delas envolve a definição do calendário de tramitação da PEC. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve reunir os líderes partidários para discutir o cronograma da proposta. O encontro está previsto para ocorrer na terça-feira (9/6).
SAIBA MAIS:
- Fim da escala 6×1: empresários procuram Alcolumbre para melar acordo de Lula com Motta | Mais Goiás
- Empresários pedem para Alcolumbre barrar o fim da escala 6×1 | Mais Goiás
Apesar da pressão de integrantes do governo por uma tramitação rápida, o senador tem defendido um debate mais amplo sobre a matéria e sinalizado, inclusive, que o Senado pode promover alterações no texto aprovado pelos deputados. Caso isso aconteça, a proposta precisa retornar à Câmara dos Deputados para uma nova análise e votação, o que ampliaria ainda mais a espera e, consequentemente, a apreensão do governo.

Paralelamente, o presidente do Senado também deve definir nesta semana quem ficará responsável pela relatoria da PEC. Nos bastidores, quatro nomes aparecem entre os favoritos para assumir a função: o senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe; Omar Aziz, do PSD do Amazonas; Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais; e Eduardo Braga, do MDB do Amazonas. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.
O esforço do governo federal é para que a proposta seja levada ao plenário do Senado até o início de julho e, caso aprovada, passe a valer a partir de setembro, às vésperas do período eleitoral.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, o fim da escala 6×1 é tratado como uma das principais bandeiras sociais a serem alcançadas antes das eleições de 2026. Com forte apelo popular, aliados do presidente Lula (PT) avaliam que a aprovação da medida pode fortalecer a imagem do governo junto aos trabalhadores, com impacto direto em todos os setores da economia.

Adesão em números
Uma pesquisa realizada pela Quaest e divulgada em 18 de maio mostra que a proposta conta com amplo apoio popular. Segundo o levantamento, 68% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, enquanto 22% se posicionam contra a mudança.
LEIA TAMBÉM:
- Veja como votaram os deputados da comissão especial que aprovou o fim da escala 6×1; goiano foi favorável | Mais Goiás
- Ministro diz que fim da escala 6×1 pode impulsionar economia
O estudo também apontou que o tema tem despertado interesse significativo da população. Ao todo, 43% dos entrevistados afirmaram acompanhar de perto a discussão. Outros 29% disseram ter ouvido falar do assunto, mas sem acompanhar com atenção, enquanto 27% declararam não estar acompanhando o debate. Apenas 1% não soube ou preferiu não responder.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
VEJA AINDA:
- Veja como votaram os deputados por Goiás na PEC da escala 6×1
- Fim da escala 6×1 não terá compensação para empresas, diz ministro | Mais Goiás
Da Câmara ao Senado
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que estabelece uma jornada de trabalho de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado, encerrando o modelo atual de 44 horas semanais com apenas um dia de folga. A votação definitiva ocorreu em 27 de maio. No segundo turno, a proposta foi aprovada por 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, recebeu 472 votos a favor e 22 contra.

O texto prevê uma transição gradual para a nova jornada e estabelece que a redução da carga horária ocorrerá sem diminuição dos salários. Também determina que, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores já terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos.
Apesar da ampla aprovação na Câmara, a proposta chegou ao Senado há mais de dez dias e avança em ritmo considerado lento. Nos bastidores, Davi Alcolumbre é apontado por parlamentares governistas como o principal responsável por frear uma tramitação mais acelerada da matéria. Enquanto o governo pressiona por celeridade, o presidente do Senado sustenta que uma mudança com impacto direto sobre trabalhadores e empregadores exige uma discussão mais aprofundada antes de ser submetida à votação final.
SAIBA MAIS: