Possível prejuízo

Estratégia do PT busca afastar Lula do caso Jaques Wagner; entenda

Integrantes base passaram a reforçar o discurso de apoio às investigações para evitar respingos no projeto de reeleição petista

Estratégia do PT busca afastar Lula do caso Jaques Wagner
Parlamentares, ministros e outras lideranças governistas passaram a reforçar o desejo que todas as investigações sejam conduzidas com rigor (Foto: Divulgação/PT)

A investigação da Polícia Federal (PF) que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro da Operação Compliance Zero acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. O governo acompanha o caso com cautela e seu principal objetivo é impedir que as suspeitas envolvendo o líder petista no Senado contaminem politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prejudiquem o projeto de reeleição em 2026.

Nesse sentido, a estratégia adotada por integrantes do governo e da cúpula do PT tem sido tratar o episódio como um caso individual, isolado. A ideia é desvincular as investigações da gestão petista. A expectativa é que a estratégia consiga reduzir o desgaste político e evitar que a oposição utilize a operação para ampliar ataques ao presidente.

SAIBA MAIS:

Nos últimos dias, parlamentares, ministros e outras lideranças governistas passaram a reforçar o desejo que todas as investigações sejam conduzidas com rigor. Por isso, o discurso dles, e também do presidente, é de que o Governo apoia o aprofundamento das apurações da PF, independentemente de quem seja o alvo.

Um dos que reforçou esse posicionamento foi o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães. Segundo ele, o entendimento do governo é de que qualquer suspeita deve ser investigada sem distinção. “Não tem nada a ver com o nosso governo. O governo anterior é o grande responsável, e nós queremos que as investigações aconteçam com todo o rigor. A Polícia Federal tem autonomia para investigar, apurar tudo. Queremos que as apurações sejam feitas, doa a quem doer”, disse o ministro.

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A avaliação entre aliados do presidente é de que o maior desafio será impedir que o caso domine o debate político nas próximas semanas. A preocupação aumentou porque a oposição já começou a explorar o episódio, especialmente para rebater o vazamento de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Dinheiro apreendido em endereço do senador Jaques Wagner (Foto: Reprodução)

Jaques Wagner passou a ser investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de benefícios indevidos. As investigações apontam que o senador teria recebido vantagens como contrapartida por uma suposta atuação em defesa da instituição financeira.

Medidas cautelares

Na última quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas cautelares contra o parlamentar. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e a outros investigados.

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Entre as restrições impostas, Wagner está proibido de manter contato com qualquer investigado pela operação, exceto os que são da própria família. Ele também não vai poder se comunicar com pessoas relacionadas às negociações de seu apartamento em em Salvador, além de ficar impedido de exercer qualquer atuação econômica em conjunto com os demais investigados.

Suspeitas

Segundo a Polícia Federal, diversos elementos motivaram o aprofundamento das investigações. Os agentes suspeitam que o senador tenha participado de um esquema bilionário de fraudes e corrupção envolvendo o Banco Master e que teria recebido benefícios para defender interesses da empresa no Senado.

De acordo com informações constantes nos autos e obtidas pela TV Globo, um dos principais focos desta fase da investigação é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o ex-banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que está preso.

SAIBA MAIS:

Os investigadores também apuram a aquisição de um apartamento de luxo na Bahia, avaliado em R$ 2,45 milhões, supostamente destinado ao senador. Além disso, são investigados o pagamento de ingressos para shows internacionais que ultrapassariam R$ 60 mil, supostamente destinados à família de Wagner, repasses de dinheiro em espécie, financiamento de viagens e deslocamentos em aeronaves particulares para o parlamentar e seus parentes.

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente US$ 55 mil, o equivalente a cerca de R$ 284 mil, além de 33 mil euros, aproximadamente R$ 196 mil, em endereços ligados ao senador em Brasília e na Bahia. Segundo as investigações, parte do dinheiro foi encontrada em um quarto de hotel na capital federal utilizado com frequência por Jaques Wagner durante suas estadias em Brasília.

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Após o ocorrido, a equipe do senador Jaques Wagner divulgou uma nota sobre o assunto. Veja o que diz o documento:

Nota à imprensa

O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.