Fuga de Flávio amplia lista de bolsonaristas que deixaram o Brasil; veja quem são
Eduardo Bolsonaro, Zambelli e Ramagem estão entre os que foram para o exterior
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A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aumenta a lista de bolsonaristas que tentaram ou deixaram o país. Aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro receberam nesta terça-feira (27) a informação de que o congressista fugiu para a Flórida, nos Estados Unidos, com a mulher, Fernanda, e as duas filhas.
Flávio teria saído do Brasil menos de 48 horas após ser derrotado nas eleições pelo presidente Lula (PT), e menos de 24 horas após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes cancelar todos os passaportes emitidos em nome do ex-candidato, proibindo-o de deixar o país.
Flávio, que perdeu as eleições no domingo (25), repetiu a estratégia do irmão, Eduardo Bolsonaro, além de outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que fugiram para o exterior após reveses judiciais, como a ex-deputada Carla Zambelli, o ex-deputado e ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem e o ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques.
Fuga de Flávio amplia lista de bolsonaristas que deixaram o Brasil; veja quem são
Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em março de 2025, após anunciar que se afastaria do mandato de deputado federal. No exterior, passou a buscar apoio do governo de Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras, especialmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A atuação nos Estados Unidos levou o ex-deputado a responder a uma acusação de coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Ele foi denunciado por supostamente tentar interferir no andamento da ação contra o pai, Jair Bolsonaro.
Em dezembro de 2025, Eduardo teve o passaporte diplomático cancelado pela Câmara dos Deputados, um dia depois de perder o mandato parlamentar. Desde então, também cogitou participar da disputa ao Senado por São Paulo como suplente, mas desistiu diante do risco de a candidatura ser barrada pela Justiça Eleitoral.
O retorno ao Brasil chegou a ser associado a uma possível vitória do irmão, Flávio Bolsonaro, na eleição presidencial de 2026. A hipótese previa que uma eventual renúncia de André do Prado ao Senado abriria espaço para Eduardo assumir a vaga, caso ambos fossem eleitos.
Carla Zambelli
A ex-deputada Carla Zambelli deixou o Brasil em 2025, após ser condenada pelo STF por envolvimento em uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No caso, houve emissão de documentos falsos, como mandados de prisão e alvarás de soltura.
Ela também foi condenada pela participação em um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando perseguiu um homem com uma arma em punho, em São Paulo.
Zambelli acabou presa na Itália, onde estava morando, após uma operação que contou com a colaboração de autoridades brasileiras e italianas. A ex-parlamentar renunciou ao mandato em dezembro de 2025 e passou a aguardar a decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição para o Brasil.

Alexandre Ramagem
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025 e foi para os Estados Unidos. Segundo a Polícia Federal, ele saiu clandestinamente do território brasileiro pela fronteira com a Guiana, antes de começar a cumprir a pena imposta pelo STF.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi condenado no processo que investigou o núcleo central da trama golpista. Após a condenação, também perdeu o cargo de delegado da Polícia Federal.
No domingo (25), antes do resultado das eleições, ele afirmou que pretendia voltar ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vencesse a disputa presidencial. Ramagem mencionou a possibilidade de conseguir uma anistia ou uma revisão da condenação.
Silvinei Vasques
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso no Paraguai em dezembro de 2025, quando tentava embarcar para El Salvador. De acordo com a Polícia Federal, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica e tentava deixar o país usando documentos de outra pessoa.
Silvinei foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão por sua participação na trama golpista. Entre as acusações contra ele está a atuação para dificultar o deslocamento de eleitores, principalmente no Nordeste, durante o segundo turno das eleições de 2022.
Após a prisão no Paraguai, ele foi levado de volta ao Brasil. Atualmente, cumpre pena na Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Allan dos Santos
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos deixou o Brasil em 2020, após entrar na mira de investigações da Polícia Federal. Ele vivia nos Estados Unidos quando, em outubro de 2021, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou sua prisão preventiva no âmbito de uma investigação sobre a disseminação de notícias falsas e a atuação de grupos conhecidos como milícias digitais.
Desde então, Allan é considerado foragido da Justiça brasileira e continua nos Estados Unidos. O governo brasileiro solicitou sua extradição, mas ele não foi devolvido ao país. O blogueiro, que comandava o canal Terça Livre, manteve a atuação nas redes sociais e passou a publicar conteúdos com críticas a ministros do Supremo.
Em 2024, Allan afirmou que trabalhava como motorista de aplicativo em Orlando, na Flórida, para pagar as contas. No ano seguinte, apareceu em registros ao lado de Eduardo Bolsonaro durante eventos ligados à posse de Donald Trump.
Oswaldo Eustáquio
O blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio deixou o Brasil em 2023, após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Ele passou pelo Paraguai, pela Argentina e pela Espanha antes de se estabelecer no território espanhol, onde permanece foragido da Justiça brasileira.
Eustáquio é alvo de mandados de prisão preventiva expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em investigações que envolvem suspeitas de crimes contra a democracia, ameaças e obstrução da Justiça. Em 2023, ele também pediu asilo político na Europa e alegou ser vítima de perseguição política.
