"7X0"?

Oposição protocola PEC alternativa ao fim da escala 6×1; entenda

Texto de Rogério Marinho cria regime opcional de contratação por horas, além de pagamento proporcional ao período trabalhado

Imagem mostra plenário do Senado Federal
Texto foi apelidado pelos governistas como PEC da escala 7x0, em referência à possibilidade de trabalho de segunda a segunda (Foto: Wilson Dias/ABr)

Uma nova Proposta de Emenda à Constituição começou a tramitar no Congresso Nacional como alternativa à proposta aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais. Apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), a PEC 12/2026 estabelece um modelo opcional de contratação baseado na quantidade de horas efetivamente trabalhadas.

Pela proposta, o trabalhador poderá escolher entre permanecer submetido às regras atuais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou aderir a um regime mais flexível, com remuneração calculada de acordo com a carga horária cumprida.

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O texto também prevê que benefícios trabalhistas, como férias, décimo terceiro salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sejam pagos de forma proporcional às horas trabalhadas por aqueles que optarem pelo novo modelo.

Até o último domingo (31/5), a proposta já havia reunido o apoio de pelo menos 36 senadores ligados à oposição. A expectativa é que a matéria inicie sua tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda esta semana.

Os defensores da PEC argumentam que a medida amplia a liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores, permitindo jornadas mais adaptadas às necessidades individuais e às demandas do mercado de trabalho. Segundo Marinho, a iniciativa busca criar novas possibilidades de contratação e evitar impactos econômicos decorrentes da redução da jornada semanal sem redução salarial.

Na contramão

A proposta, no entanto, tem enfrentado resistência entre parlamentares alinhados ao governo. Críticos à iniciativa alegam que o texto enfraquece o objetivo principal, que é a redução da jornada de trabalho, além de abrir espaço para modelos considerados ainda mais precários que o atual.

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Entre as queixas está a possibilidade de criação de uma escala de trabalho sem folgas obrigatórias, apelidada pelos opositores como “escala 7×0”, em referência a uma rotina de trabalho de segunda a segunda. Nas redes sociais, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) afirmou que a proposta representa o fim da CLT e criticou os parlamentares que apoiam a iniciativa.

As manifestações contrárias também foram reforçadas pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que utilizou as redes sociais para questionar a proposta e destacar os nomes dos parlamentares favoráveis ao texto, assim como Érika.

Há quatro dias, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/19, que altera a jornada de trabalho no país. O texto estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso. Além disso, a matéria prevê uma transição e leis específicas para tratar de algumas carreiras.

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A proposta foi aprovada em 2º turno com 461 votos a favor e 19 contra. No 1º turno, foram 472 votos a favor e 22 contra. Com a chancela do plenário da Câmara, o texto foi direcionado para aprovação do Senado. Se prosperar na Casa alta e sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já se manifestou favorável à iniciativa.

“Vida além do trabalho”

Recentemente, ao falar sobre o assunto, Lula considerou: “Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho. As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem”.

Logo após avançar na Câmara, Lula considerou que o avanço da matéria representa uma vitória “sobretudo das mulheres” que, historicamente e injustamente, enfrentam jornada desigual. eLE também disse que a medida só se tornou possível “graças à imensa mobilização da sociedade”.

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