Quaest: 56% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil para escapar da Justiça
Pesquisa divulgada neste domingo (8) mostra que 62% dos que souberam da viagem aos EUA desaprovam decisão do senador; 35% acreditam em perseguição
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Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 56% dos brasileiros acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil para fugir da Justiça após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 35% consideram que o objetivo da viagem aos Estados Unidos foi escapar de uma perseguição política. Os entrevistados que não concordam com nenhuma dessas explicações representam 2%, enquanto 7% não souberam ou não responderam.
O levantamento também revela que 62% dos entrevistados que tiveram conhecimento da saída de Flávio consideram que ele errou ao deixar o país. Para 29%, a decisão foi correta, e 9% não souberam responder.
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A viagem do senador chegou ao conhecimento de 89% dos entrevistados. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, trata-se do maior índice de conhecimento de um acontecimento registrado pelo instituto em levantamentos recentes.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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Reprovação também atinge eleitores de direita
Os números mostram diferenças expressivas entre os grupos políticos pesquisados. Entre os entrevistados identificados como lulistas, 92% consideram errada a decisão de Flávio de deixar o Brasil. O mesmo percentual foi registrado entre pessoas de esquerda que não se identificam como lulistas.
Entre os independentes, 63% desaprovam a viagem, enquanto 21% a consideram correta.
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Na direita não bolsonarista, há uma divisão: 46% avaliam que o senador acertou ao sair do país, e 45% consideram que ele errou.
Já entre os bolsonaristas, 90% aprovam a decisão, contra 5% que a desaprovam.
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A interpretação sobre a motivação da viagem também varia conforme a identificação política. Entre os bolsonaristas, 93% acreditam que Flávio foi aos Estados Unidos para se proteger de perseguição política. Na direita não bolsonarista, 51% compartilham dessa avaliação, enquanto 42% acreditam que ele buscou fugir da Justiça.
Entre os lulistas, 82% apontam a tentativa de escapar da Justiça como motivo da saída do país.
Flávio deixou o Brasil após ordem de Moraes
Flávio Bolsonaro chegou a Miami em 28 de outubro, três dias depois de ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos passaportes do senador e proibido sua saída do território brasileiro.
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, apresentado no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
Flávio não entregou os documentos no prazo estabelecido e deixou o país pela fronteira com a Argentina. De lá, embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
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A Polícia Federal informou, em 28 de outubro, que não havia encontrado registro da saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.
A corporação também confirmou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático do parlamentar e a abertura de apuração sobre as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais.
Flávio sustenta que é alvo de perseguição política. A Polícia Federal ressalvou que as restrições relacionadas aos documentos de viagem, por si só, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam automaticamente uma prisão.
Maioria rejeita questionamentos sobre resultado da eleição
A Quaest também avaliou a reação dos brasileiros à postura de Flávio Bolsonaro depois da derrota eleitoral.
Segundo a pesquisa, 59% desaprovam os questionamentos feitos pelo senador à legitimidade do resultado das urnas, enquanto 34% aprovam essa atitude.
O levantamento aponta ainda que 61% dos entrevistados consideram que as eleições presidenciais de 2026 foram limpas e justas. Para 30%, houve fraude, e 9% não souberam ou não responderam.
O resultado eleitoral foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não foram apresentadas provas de fraude capazes de comprometer a votação.
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula em 25 de outubro, por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Depois da eleição, o senador divulgou uma carta em que alegou, sem apresentar provas, ter sido vítima de fraude e afirmou que continuaria atuando politicamente a partir dos Estados Unidos.
A pesquisa mostra que a reação do parlamentar à derrota e sua decisão de deixar o Brasil são reprovadas pela maioria dos entrevistados, embora o apoio às suas atitudes permaneça elevado entre eleitores identificados com o bolsonarismo.